“O Sistema vai-me matar”. Carta partilhada por Jair Bolsonaro confunde analistas

Marcelo Sayao / EPA

O Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro

O presidente do Brasil Jair Bolsonaro partilhou na sexta-feira uma carta no WhatsApp que fala da ingovernabilidade do país e que está a ser interpretada como aceno à radicalização, ameaça de renúncia ou distração relativamente às denúncias sobre o filho, Flávio Bolsonaro.

O texto partilhado por Jair Bolsonaro, citado pelo Estadão, indica que “bastaram cinco meses de um governo atípico, ‘sem jeito’ com o Congresso e de comunicação amadora para mostrar que o Brasil nunca foi, e talvez nunca será, governado de acordo com o interesse dos eleitores”, avançou o Público no domingo.

O artigo, disseminado pelas redes sociais depois de o Presidente brasileiro partilhar a mensagem com diversos grupos através do WhatsApp na sexta-feira, referiu também que o presidente “não aprovou nada, só tentou e fracassou” porque “a agenda de [Jair] Bolsonaro não é do interesse de praticamente nenhuma corporação”.

Nesse sentido, o texto prosseguiu que “a continuar tudo como está, as corporações vão comandar o governo [Jair] Bolsonaro na marra” – e, “na hipótese mais provável, o governo será desidratado até morrer de inanição, com vitória para as corporações”. O artigo referiu ainda que é “claramente possível” que o país fique “ingovernável”, como a Venezuela.

Ao compartilhar o texto entre aliados no WhatsApp, o seu principal vetor de mobilização durante a campanha presidencial, Jair Bolsonaro escreveu a seguinte mensagem, citada pelo Estadão: “Um texto no mínimo interessante. (…) O Sistema vai-me matar. Com o texto abaixo cada um de vocês pode tirar suas próprias conclusões”.

De acordo com o Folha de S. Paulo, o texto partilhado com aliados “foi lido por dirigentes partidários como um sinal de que o Presidente acenou à radicalização para voltar a comandar a cena política”.

Segundo o jornal, “a mensagem foi interpretada como uma tentativa de incendiar a convocatória que circula nas redes bolsonaristas para ato em defesa dele”, contra o Congresso e o Supremo Tribunal Federal, no dia 26. Mas o texto partilhado no WhatsApp está também a ser comparado à renúncia do presidente Jânio Quadros, o vigésimo segundo presidente do Brasil, que renunciou em 1961, sete meses depois de tomar posse.

“É um recado janista, como se dissesse ‘eu quero governar, mas a elite não me deixa, querem-me derrubar, então vamos às ruas nos defender'”, afirmou o cientista político Sérgio Praça, professor da FGV-Rio e colunista da revista Veja.

Analistas políticos citados pelo Globo consideraram, por seu turno, que esta se trata de uma estratégia populista que cria uma “cortina de fumaça para tirar do foco denúncias contra o filho”, alimentando ainda “as críticas da sociedade ao Congresso e a diferentes instituições”.

O cientista político Oswaldo Amaral, citado no Globo, considerou que Jair Bolsonaro “está testando elevar uma popularização para ver como a população reage”. “Vai culpar o Congresso e as instituições por tudo o que não consegue fazer”, salientou.

Já Reinaldo Azevedo, colunista no Folha de S. Paulo, assinou ontem um artigo em que escreveu que, depois de carta, restam a Jair Bolsonaro “duas alternativas: renúncia ou suicídio”, acrescentando que, “caso permaneça, talvez possa pensar também em cadeia”.

Como indicou o Estadão, o autor do texto compartilhado por Jair Bolsonaro é Paulo Portinho, analista da Comissão de Valores Mobiliários. O analista afirmou que o texto, que publicou no seu perfil no Facebook na manhã de dia 11 deste mês, “não foi crítica ao governo nem ao Congresso”, mas sim a pessoas com “influência no orçamento público”.

TP, ZAP //

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1 COMENTÁRIO

  1. Bolsonaro ganhou as eleições pelo efeito facada. Uma armação bem planejada para quem não sabe nem falar, principalmente tão logo assumindo o poder demonstrou em tão pouco tempo como Presidente a falta de aptidão não sabendo por onde começar a governar o Brasil, um País destruído desde os mandatos dos ladrões que vieram assumindo o poder, simplesmente para abocanhar toda riqueza desta Terra abençoada em que reportagens via global mostra ao mundo as muitas tragedias não da natureza e sim dos homens entorpecidos com a malignidade natural compondo o seu DNA.

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