Secretário da Defesa discorda de Trump no envio de tropas para conter distúrbios. Aliados europeus afastam-se

U.S. Secretary of Defense / Flickr

O Secretário norte-americano da Defesa, Mark Esper

O Secretário norte-americano da Defesa, Mark Esper, rompeu na quarta-feira com o Presidente, Donald Trump, no apoio ao envio das forças armadas para as cidades e os estados que se recusarem “a tomar as medidas necessárias para defender a vida e a propriedade dos residentes”.

Segundo noticiou o Expresso, na segunda-feira Trump ameaçou enviar as forças armadas devido aos tumultos e saques em diversas cidades durante as manifestações contra a morte do afro-americano George Floyd. Os protestos já se estenderam a 380 cidades.

Também na segunda-feira, Esper disse que “quanto mais cedo se dominar o espaço de batalha, mais rapidamente isto se dissipa e podemos voltar ao normal certo”. Na quarta-feira, voltou atrás: “Não apoio a invocação da Lei da Insurreição”, opção que, segundo o próprio, “só deve ser usada em último recurso e apenas nas situações mais urgentes. Neste momento, não estamos nessa situação”.

A porta-voz da Casa Branca, Kayleigh McEnany, reagiu: “Até ao momento o Secretário Esper é ainda o Secretário Esper”.

De acordo com o Expresso, ainda na quarta-feira, o seu antecessor, o general James Mattis, que renunciou às suas funções em dezembro de 2018, declarou: “Donald Trump é o primeiro Presidente no meu tempo de vida que não tenta unir o povo americano – nem mesmo finge que tenta. Em vez disso, ele tenta dividir-nos”.

“Estamos a testemunhar as consequências de três anos deste esforço deliberado. Estamos a testemunhar as consequências de três anos sem uma liderança madura”, reforçou. Trump, por sua vez, tentou desacreditar Mattis, que desempenhou funções de combate em duas guerras no Iraque e no Afeganistão.

“Provavelmente a única coisa que Barack Obama e eu temos em comum é que ambos tivemos a honra de despedir Jim Mattis, o general mais sobrevalorizado do mundo. Eu pedi a sua carta de resignação e senti-me ótimo com isso. A sua alcunha era ‘Caos’, que eu não gostava, e mudei para ‘Cão Raivoso’. A sua principal força não era militar, mas antes de relações públicas pessoais. Eu dei-lhe uma nova vida, coisas para fazer, mas ele raramente foi bem-sucedido. Eu não gostava do seu estilo de ‘liderança’ ou muito mais nele, e muitos outros concordam. Estou feliz que ele se tenha ido embora!”, escreveu Trump no Twitter.

O general aposentado John Allen, ex-comandante das forças norte-americanas no Afeganistão, atacou a ameaça de Trump de fazer aplicar a Lei da Insurreição. Esta autoriza o envio de forças militares para estados que não consigam reprimir uma insurreição ou estejam a desafiar leis federais.

Craig Lassig / EPA

Protestos em Minneapolis, no estado norte-americano do Minnesota, pela morte de George Floyd

“Não bastava que manifestantes pacíficos tivessem sido privados dos seus direitos da primeira emenda. Esta oportunidade de foto procurou legitimar esse abuso com uma camada de religião”, escreveu ainda num artigo publicado na Foreign Policy, referindo-se à ordem dada na segunda-feira às forças de segurança para desimpedirem o Lafayette Park, em Washington DC, para Trump poder posar para a imprensa, com uma Bíblia na mão, à frente da Igreja Episcopal de São João.

Aliados europeus não procuram Trump

Um artigo do New York Times, citado na quarta-feira pelo Raw Story, referiu que Trump ofendeu os antigos aliados europeus de tal forma que estes evitam procurá-lo.

A chanceler alemã Angela Merkel “estava tão desconfortável” com o facto de estar com Trump na reunião do G-7 deste verão, que terá dito ao Presidente francês Emmanuel Macron: “Eu não quero estar na sala com ele”, de acordo com William Drozdiak, membro da Brookings Institution. Drozdiak acaba de publicar um livro baseado numa série de entrevistas com Macron.

O analista alemão Ulrich Speck disse que Merkel “foi ferida por Trump com frequência” e que “eles não se dão bem e discordam em muitas políticas”.

A atitude da França “em relação a Trump é uma mistura de tristeza e raiva”, disse Thomas Gomart, diretor do Instituto Francês de Relações Internacionais. “O nosso principal aliado se recusou a exercer liderança durante a crise da coroa”, afirmou sobre o Presidente norte-americano, indicando que este “é cada dia mais provocador com os seus aliados e está a criar divisões que são exploradas ativamente pela China”.

Depois de quase quatro anos, Trump não tem conquistas diplomáticas, indicou Gomart, apontando falhas na Coreia do Norte, no Médio Oriente, na deterioração das relações com a China e nenhuma melhoria nas relações com a Rússia.

Em vez disso, continuou, Macron acredita que Trump prejudicou a segurança europeia devido ao abandono unilateral do acordo nuclear com o Irão, além de quase todos os acordos de controle de armas com a Rússia.

Trump está “fora de contato” com aliados europeus, disse Julianne Smith, uma ex-funcionária de Obama, agora a trabalhar no German Marshall Fund, em Washington. O Presidente dos EUA “continua a acreditar que os aliados podem ser maltratados e que ele pode ordená-los e, ao mesmo tempo, contar com eles”.

Charles Platiau / EPA

O Presidente da Ucrânia,Volodymyr Zelenskiy, a chanceler alemã, Angela Merkel, o Presidente francês Emmanuel Macron e da Rússia, Vladimir Putin

A recusa de Merkel em ir a Washington “diz muito sobre o quão fartos estão vários líderes do mundo, que viram o pouco retorno que obtiveram sobre os investimentos que fizeram num relacionamento com Trump”, acrescentou.

Com o vírus e os tumultos, “há agora a sensação de que as fraquezas da América estão a ser expostas e um sentimento de que o imperador não tem roupas”, finalizou.

Snapchat deixa de promover mensagens de Trump

Na quarta-feira, o Snapchat, popular entre os jovens, acusou Trump de incitar à “violência racial”, anunciando que deixará de promover as mensagens da sua conta, avançou a agência Lusa. As mensagens de Trump, na sua conta verificada, permanecerão visíveis para os seguidores e aparecerão quando um utilizador fizer uma pesquisa específica.

“Não iremos ampliar vozes que incitam à violência racial e à injustiça, promovendo-as gratuitamente no Discover”, disse um porta-voz da empresa, referindo-se a um segmento de notícias desta rede social. Trump tem mais de 1,5 milhões de seguidores no Snapchat, uma rede social com uma forte frequência de jovens utilizadores.

A decisão da Snapchat acontece dias depois de Trump ter usado as suas contas nas redes sociais para ameaçar os manifestantes que protestam de forma violenta, há uma semana, contra a morte de George Floyd.

No momento em que as manifestações de protesto escalavam de tensão, Donald Trump usou a rede social Twitter para dizer que os manifestantes seriam enfrentados com “os cães mais ferozes e armas terríveis” e alertando que quando as manifestações começassem a ser violentas, “surgiriam tiros”.

O Twitter, que Trump usa com muita frequência, denunciou algumas das mensagens do Presidente como “glorificando violência”. Essas mensagens foram também colocadas na conta do Presidente na rede social Facebook, que, contudo, as deixou permanecer, sem qualquer referência, o que provocou mal-estar dentro da empresa.

No passado domingo, o presidente do Snapchat divulgou um comunicado condenando a violência racial, explicando que não poderia aceitar que utilizadores da sua rede social a usassem para incitar atos impróprios, embora sem nunca se referir a Trump.

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