Scapefire quer acabar com a “economia do pau” e revolucionar as florestas

António Cotrim / Lusa

A única forma de evitar que os trágicos incêndios de 2017 se voltem a repetir é através de uma revolução no ordenamento florestal, para acabar com a chamada “economia do pau” e com o “deserto verde” de eucaliptos e pinheiros. Assim nasce o Scapefire para mudar o “paradigma” nas nossas florestas.

Este projecto é apresentado num estudo do Instituto Superior de Agronomia (ISA), da Universidade de Lisboa, a que a TSF teve acesso.

O Scapefire preconiza um plano para o Pinhal Interior, visando a implementação nos municípios mais afectados pelos incêndios de 2017, designadamente Figueiró dos Vinhos, Castanheira de Pêra e Pedrógão.

Contudo, a iniciativa pode ser aplicada a todo o território nacional, como refere a sua coordenadora, Manuela Raposo Magalhães, em declarações à TSF.

A investigadora do ISA repara que “72% da área” dos municípios mais afectados pelos grandes incêndios de há 4 anos precisa de uma espécie de revolução no ordenamento do território florestal.

“As espécies utilizadas e a sua organização no território fazem toda a diferença, até porque as espécies arbóreas não ardem da mesma maneira”, considera a investigadora, notando que “a espécie que mais arde é o pinheiro bravo e logo a seguir o eucalipto”.

Assim, o Scapefire prevê criar “linhas de vazios”, bem como “áreas agrícolas e de pastagens”, num “regresso gradual à floresta autóctone” que é “sobretudo composta por folhosas, como carvalhos e castanheiros”, que, embora ardam, são de “combustão mais lenta”, aponta a TSF com base nas explicações da investigadora.

Mas, para tornar este plano numa realidade, é preciso mudar mentalidades, para acabar com o “deserto verde” de pinheiro e eucaliptos, sustenta ainda Manuela Raposo Magalhães.

O poder local e a própria população têm de aderir à mudança e é fundamental o apoio do Estado nesse sentido.

É absolutamente indispensável mudar de paradigma, do paradigma do pinheiro-eucalipto para um outro paradigma que também tem a sua economia, não é a economia do pau, ao fim dos 9 anos ou dos 50, no caso do pinheiro, mas tem a sua economia, da madeira de qualidade e de todos os seus sub-produtos”, constata Manuela Raposo Magalhães.

Certo é que se nada for feito, “de certeza que voltará a acontecer” a tragédia que se verificou em 2017. Até porque nas áreas que arderam nesse ano, “os eucaliptos já estão a rebentar e como não são sequer geridos, a densidade é imensa, e portanto, vai voltar a acontecer”, avisa a investigadora do ISA.

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3 COMENTÁRIOS

  1. Pois, que o ordenamento florestal é necessário qualquer um que por cá viva o entenderá embora nem a todos agrade, mas em Lisboa só sobra dinheiro para subsídios para tudo o que lhes vier à cabeça desde que sejam para eles, quanto a perceberem de floresta como é que sabem se nem uma batata sabem semear? Já agora o pinhal de Leiria que é do Estado, está recuperado e em condições futuristas? Deixem-se de gozar com o povo e de virem com lenga-lenga paternalista quando há incêndios se de seguida viram costas e de nada mais querem saber. Agora com a pandemia até por acaso alguns citadinos se lembraram da província e procuram fugir da cidade, pode ser que um dia ainda tenham que vir até cá semear qualquer coisa se quiserem comer.

  2. …é um desespero encontrar madeira de qualidade no nosso país, e a tendência é para piorar.
    Porque o problema é cultural e aqui sim, também político.
    Na nossa mentalidade imediatista e mesquinha ninguém vai querer fazer um investimento que só será rentabilizado daqui a 100 anos ou perto disso, não faz sentido, não é compatível com nenhuma estratégia “privada” de sucesso económico, pior ainda se adicionarmos o risco constante de perder tudo num incêndio, praga, ou outro tipo de incidente. A única solução é o estado fomentar este tipo de exploração e garantir a sua manutenção, pois para garantir um bom e prolongado rendimento a reflorestação tem de ser constante, gradual e muito bem fiscalizada.
    Até lá continuamos a cultivar combustível para churrasqueiras e “madeira” para o… não vou dizer o nome mas começa em I e acaba em Kea.

  3. O negócio dos fogos em marcha. Enquanto não se promulgar legislação para combater os criminosos dos incêndios não adianta nada os projetos, por muito bons que sejam.
    Crime é crime e tem de ser combatido.

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