Mais de 95% dos vacinados do São João apresentaram anticorpos em 15 dias

José Coelho / Lusa

António Sarmento, a primeira pessoa a ser vacinada contra a covid-19 em Portugal

Entre 95 a 97% dos profissionais de saúde vacinados contra a covid-19 no Hospital de São João, no Porto, apresentaram, 15 dias após a primeira toma, anticorpos que conduzem à imunidade, revelou esta quinta-feira o diretor do serviço de patologia clínica.

“Não estamos a descrever nada que não fosse o antecipado, mas deixa-nos satisfeitos perceber que funcionou e dá confiança de que vale a pena vacinar. O processo de vacinação tem de correr o mais célere possível”, disse Tiago Guimarães, quando descrevia aos jornalistas um estudo que está a ser feito no Hospital de São João sobre a taxa de imunidade da vacina contra a covid-19.

Dos 2.125 médicos, enfermeiros, assistentes operacionais e técnicos de diagnóstico e terapêutica que tomaram a vacina a 27 de dezembro – data do arranque do Plano Nacional de Vacinação – cerca de quatro dezenas foram submetidos a testes serológicos que visam estudar a imunidade vacinal.

Tiago Guimarães frisou que estes testes são diferentes dos testes mais comuns, uma vez que esses mostram “genericamente os anticorpos produzidos após uma infeção”, enquanto os usados no estudo medem “a capacidade de produzir anticorpos induzidos pela vacina”.

Realizadas três colheitas – a primeira nos dias seguintes à toma da vacina, a segunda na semana seguinte e a terceira após 15 dias – o estudo permitiu detetar que “95 a 97% das pessoas já produz anticorpos, pelo que se presume que tenha imunidade”.

“Praticamente todas as pessoas produziram anticorpos por efeito da vacina pelo menos após 15 dias. Na segunda colheita, 10 a 15% já tinham [anticorpos induzidos pela vacina]. O objetivo é ir percebendo em que tempo aparecem os anticorpos”, explicou o especialista

O diretor do serviço de patologia clínica do Centro Hospitalar e Universitário de São João (CHUSJ) admitiu que estes resultados “estão dentro do esperado e descrito” no que diz respeito à vacina administrada, a da farmacêutica Pfizer, mas “não sendo surpreendentes”, são, frisou, “importantes”.

Não põe em causa a necessidade da segunda toma, mas dá-nos uma janela temporal para que a toma da segunda dose possa ser acertada”, disse o diretor. A Agência Europeia do Medicamento recomenda a segunda toma passados 21 a 42 dias após a primeira, ou seja três a seis semanas.

Tiago Guimarães também frisou o efeito de “confiança” que resultados de estudos como estes podem transmitir a uma população possivelmente indecisa quanto à vacinação.

Quanto a relatos de pessoas que tenham sido vacinadas, mas tenham ficado infetadas nos dias seguintes, o especialista admite a existência de “alguns casos detetados” do universo dos mais de dois mil profissionais de saúde vacinados no primeiro dia, número que atualmente supera os quatro mil neste centro hospitalar do Porto.

“Ficaram positivas [à covid-19] nos dias seguintes. São processos concomitantes: ou estariam a incubar [o novo coronavírus] no momento em que foram vacinadas ou estiveram expostos a seguir [à vacinação] e a produção dos anticorpos não é imediata”, explicou.

A pandemia de covid-19 provocou pelo menos 1.979.596 mortos resultantes de mais de 92,3 milhões de casos de infeção em todo o mundo, enquanto em Portugal morreram 8.384 pessoas dos 517.806 casos de infeção confirmados.

Lusa // Lusa

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1 COMENTÁRIO

  1. A vacina que altera o ADN já criou anticorpos?
    Presume-se que tenham criado imunidade?
    O fenómeno português.

    António Aleixo escreveu:
    Há tantos burros mandando
    Em homens de inteligência
    Que, às vezes, fico pensando
    Que a burrice é uma ciência.

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