ONU acusa Rússia de usar bombas primitivas para mascarar crimes de guerra

(dr) Sergey Viggen

Avião bombardeiro Tupolev Tu-95 ‘Bear’ da Força Aérea da Rússia

Fontes das Nações Unidas dizem que o uso de armas semelhantes às usadas pelo regime sírio, por parte de Moscovo, pode ser uma tentativa de mascarar o envolvimento do país em bombardeamentos aéreos.

De acordo com o The Guardian, que cita fontes das Nações Unidas, a Rússia tem recorrido à utilização de bombas menos evoluídas para bombardear a Síria. O regime de Putin estará a tentar evitar responsabilidades por crimes de guerra e mortes de civis, atribuindo-os ao regime sírio, seu aliado no conflito.

Fonte da ONU denotou um esforço russo “para utilizar armamento muito semelhante ao do regime sírio”, o que torna as investigações de crimes de guerra mais difíceis: “Suspeito que a Rússia queira utilizar o armamento menos sofisticado para tornar a atribuição de culpas mais complicada”.

A intervenção russa nos bombardeamento na Síria iniciou-se em 2015, de forma a apoiar o governo de Bashar al-Assad.

A Rússia já tinha sido acusada por especialistas em armamento de utilizar munições imprecisas mas estas acusações focavam-se no facto de tais armas serem mais baratas do que mísseis de grande precisão.

As acusações levantam também dúvidas sobre o custo civil dos ataques aéreos russos, que desempenhou um papel fundamental na vitória do regime de al-Assad em 2016 em Aleppo.

Uma outra fonte das Nações unidas acredita, por sua vez, que esta pode ser uma tática para aterrorizar os civis para que os grupos rebeldes sejam pressionados a renderem-se. “A minha opinião pessoal é de que estas armas são usadas na Síria para criar pânico, aterrorizar a população, com o objetivo último de os virar contra os grupos rebeldes”, esclareceu a fonte.

Crimes de guerra

As acusações surgem no mesmo dia em que é publicado um relatório da Comissão de Inquérito da ONU sobre a guerra na Síria. A Comissão acusa, tanto a Rússia, como o Governo sírio, de ter utilizado munições imprecisas no passado, particularmente durante o cerco de Aleppo, feito quase exclusivamente com essas munições.

O relatório acusa um avião russo que atingiu um mercado em Atareb no passado dia 13 de novembro. Os bombardeamentos destruíram uma área de cinco mil metros quadrados e mataram pelo menos 84 pessoas.

Na altura do ataque, a Rússia negou ter lançado bombas nesse espaço, mas interseções feitas via rádio identificaram pilotos daquele país a descolar da base aérea de Khmeimim – a principal das forças russas que atacam a Síria – uma hora e meia antes do ataque.

Os investigadores da ONU não têm provas que indiquem que o ataque tenha sido deliberado e com o objetivo de matar civis, mas afirmam que esta ação pode ser considerada um crime de guerra por fazerem ataques indiscriminados que resultaram na morte de civis.

O relatório indica que não encontrou provas sobre a presença de soldados do Daesh nessa zona aquando dos bombardeamentos e que a coligação internacional violou a lei internacional ao não ter protegido a população civil.

O relatório, que se focou no período de tempo entre julho do ano passado e janeiro deste ano, indica que uma das soluções para os civis terem justiça passa por denunciarem possíveis crimes de guerra em jurisdições nacionais e internacionais no futuro.

Desta forma, os autores do relatório dizem que não têm condições para ir mais longe na investigação e apelam a que a Rússia e os EUA conduzam as suas próprias investigações às situações relatadas.

Paulo Pinheiro, presidente da Comissão que redigiu o documento, disse que estas conclusões chegam num momento escuro para o conflito que assola a Síria desde 2011.

Num anexo ao documento, os investigadores dão também algumas informações sobre a ofensiva governamental em curso contra o enclave rebelde de Ghouta oriental, lançada a 18 de fevereiro. Lá, os investigadores referem que o ataque à região tem sido marcado por prováveis crimes de guerra, que incluem “o uso de armas proibidas, o ataque contra civis, a fome como estratégia de guerra e a habitual recusa de retirada de doentes”.

ZAP //

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7 COMENTÁRIOS

    • Sim, o que a ONU diz, quando não interessa, não interessa. Porque quando interessa, já interessa…
      Compreendemos-te perfeitamente.

  1. Uma coisa é certa qualquer coisa serve para acusar a russia e os seus aliados de crimes de guerra. Quando foi dos eua cometerem crimes de guerra e genocidio do povo iraquiano, e as maiores violações possiveis e imaginaveis, lembram-se dos choques electricos nos genitais, das simulações de sexo entre os detidos muçulmanos, do waterboarding, etc, a ONU (afinal serve para que????) nada disse, inclusive o bush foi peremptorio ao dizer que nao queria saber da ONU para nada, lembram-se??? Neste crimes, actos terroristas e mais o que se possa dizer, nunca os eua foram acusados de crimes contra a humanidade, de genocidio, e nem agora na siria, quando sabemos que os eua e os paises ocidentais financiam, apoiam e armam os grupos terroristas que combatem o exercito do governo legitimo do país, nem assim a ONU tem uma palavra de condenação para uma nação que nos dias que correm será o maior país fomentador do terrorismo internacional. Bastava os eua pararem de apoiar os terroristas e a guerra acabava de um dia para o outro, a nao ser assim o exercito sirio deve fazer tudo por tudo para acabar com estes assassinos e os que sobreviverem devem ser abatidos à vista.

    • Ahahah

      O governo da Síria, legítimo?! Só para rir! O Assad é um ditador agarrado ao poder, sucedeu ao pai, e só de lá sai quando morrer. Achar que na Síria há eleições livres só mesmo para rir.

      Os EUA e o resto do mundo ocidental estão a apoiar grupos rebeldes que lutam contra o regime ditatorial sírio. Faz todo o sentido. Especialmente quando saem notícias todos os dias da chacina cometida pelo Exército Sírio contra a população, inclusivamente bombardeando escolas e hospitais, vai tudo a eito.

      A diferença é que esses casos que aponta que os Americanos fizeram, sabem-se porque existe uma coisa chamada liberdade de imprensa nos EUA, enquanto nestes países, Rússia incluída, nunca nada se sabe.

      E além do mais há vários casos nos EUA de soldados julgados em Tribunais Militares quanto se descobre as barbaridades que fizeram, e julgados com penas duras. E demitem-se generais quando é preciso. Quando é que isto acontece na Rússia ou Síria? Pois.

      Sim, a tortura e waterboarding é condenável. É por isso que é bom haver eleições livres, para que outros possam tomar o poder e corrigir absurdidades desse tipo, como aliás foi feito, o Obama acabou com isso. Eleições livres, coisa que não existe na Rússia e Síria.

    • E serão os unicos??? A historia mundial está cheia de chacinas, desde que o mundo é mundo, e nao tenhamos duvidas de que irá sempre haver. Esta alegada chacina de inocentes na siria, será diferente das chacinas efectuadas no Iraque, onde foram assassinadas centenas milhar de pessoas??? e na Libia??? e no vietname??? e as duas bombas sobre o japão??? Porque é que teimamos sempre olhar para as chacinas que sao alegadamente efectuadas pelos outros e nunca referimos as efectuadas pelos eua e seis aliados???

  2. Ao que se refere tem toda a razão mas não é da minha parte certamente que vê essas afirmações, ainda há dias afirmei sobre este caso que os russos embora culpados não eram os únicos lembrando a propaganda ocidental que houve sobre Primaveras Árabes como se pensassem eles por cá que implantar uma democracia num país árabe seria tão fácil ou natural como comer um cozido à portuguesa, o resultado de tudo isso ficou bem patente em vários países, agora o que a mim me parece-me é o contrário, há sempre alguém disposto em defender o comunismo, ainda ontem ou anteontem o título de um artigo aqui na net falava de comunistas ou fascistas isto creio que acerca das eleições na Itália e como se comunismo não seja fascismo a diferença existente é que uns se dizem de direita outros de esquerda.

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