Rui Rio recupera TGV e recorda que nunca concorreu a sondagens

O presidente do PSD disse esta sexta-feira que nunca concorreu para sondagens, nem tem ambição de carreira, sublinhando que o que está em causa nas eleições é saber quem tem o perfil, a coragem e o desprendimento para fazer mudanças.

“Eu nunca concorri para sondagens. Mas estarão a dizer assim, ‘mas alguém concorre para sondagens’? Mas há quem há. Há muita gente que anda aqui, que anda na política justamente em torno daquilo que são as sondagens que vão saindo, umas de encomenda, outras sem ser de encomenda. Não, isso não é estar na política”, defendeu Rui Rio.

O líder do PSD, que falava esta sexta-feira no Porto, na apresentação do programa eleitoral do partido, defendeu que “estar na política é ir a eleições“, ganhar ou perder, mas, sobretudo, em caso de vitória, honrar os compromissos.

Declarando-se convencido de que no dia 6 de outubro os compromissos inscritos no seu programa “vão ter o merecimento do povo português”, Rio salientou que, mais importante que as ideias, “é a vontade de as fazer e, acima de tudo, a coragem de as fazer”.

A coragem de afrontar interesses instalados e uma coragem ligada a um certo desprendimento do poder. É isso que eu tenho, sempre tive e agora ainda tenho mais. Foi assim quando eu tinha 30 anos porque é que não iria ser assim quando cheguei aos 60 anos?”, acrescentou.

“Não estou aqui por nenhuma vaidade pessoal que é coisa que eu nunca tive, nem a vaidade justifica a parte dos custos que o desenho desta função e da função de primeiro-ministro suporta. Fosse por isso ficava a perder longamente”, explicou.

Para Rio, a escolha dos portugueses nas legislativas estará, sobretudo, centrada na escolha do perfil necessário para mudar Portugal.

“Quando olharem para a folha e tiverem de pôr uma cruz no PS ou no PSD para ver quem vai liderar o próximo Governo, têm de olhar às ideias, mas têm de olhar, acima de tudo, a quem é que fala e a quem é que faz e quem é que tem o perfil e a coragem e o desprendimento para mudar aquilo que Portugal tem de mudar”, concluiu.

Programa aprovado com 17 abstenções

O PSD apresentou formalmente, no Porto, o programa eleitoral do partido às legislativas, depois de o documento ter sido aprovado em Conselho Nacional no final de julho.

O documento divulgado, que foi aprovado com 17 abstenções, contém algumas alterações em relação ao texto distribuído no Conselho Nacional, com medidas novas na área da justiça, como a criação do Provedor do Utente Judiciário ou a reforma do sistema de avaliação dos magistrados.

No início de julho, os sociais-democratas começaram por apresentar o cenário macroeconómico que enquadra o programa, com base nas previsões do Conselho das Finanças Públicas, estimando uma redução de 3,7 mil milhões de euros da carga fiscal na próxima legislatura e um aumento de 3,6 mil milhões de euros de investimento público ao longo de quatro anos.

Prevendo uma folga orçamental na ordem dos 15 mil milhões de euros em quatro anos, o PSD estima usar um quarto a reduzir impostos (dos quais metade para as empresas e metade para as famílias), um quarto a aumentar o investimento público, mais de 40% para a despesa corrente e o restante na redução do défice.

O PSD prevê ainda a descida da dívida pública e a eliminação do défice público estrutural, estimando um ligeiro superavit do saldo estrutural até 2023.

Recuperar o TGV

O PSD revelou ainda quer estudar e projetar uma nova ligação nacional Sul-Norte em alta velocidade, com ligações à fronteira e à Europa, recuperando a ideia do TGV. A medida consta no programa eleitoral do PSD, onde o partido defende uma aposta na ferrovia por se tratar do meio de transporte “mais sustentável”.

“O sistema ferroviário pesado e ligeiro assegura o modo atualmente mais sustentável de transporte para passageiros e mercadorias e tal será considerado nas decisões a tomar. Este princípio confere à ferrovia o estatuto de prioridade nacional, não só como motor de desenvolvimento económico e potenciador das dinâmicas exportadoras, mas, acima de tudo, como pilar de um modelo de desenvolvimento sustentável”, lê-se no programa.

Visando a concretização da meta da neutralidade carbónica, o PSD propõe um Plano Estratégico de longo prazo que consagra como prioridade “estudar, planear e projetar uma nova ligação nacional Sul-Norte em Alta Velocidade, em bitola europeia, com as respetivas ligações à fronteira e à Europa, preparadas para tráfego de passageiros e mercadorias”.

A ligação nacional em alta velocidade estaria, segundo a proposta, assente num “modelo de equilíbrio territorial e financeiro” e permitiria fazer a ligação aos principais terminais logísticos nacionais e internacionais (incluindo portos e aeroportos).

O PSD prevê ainda “um plano de migração da rede para bitola europeia” a fim de “evitar o isolamento da economia portuguesa e a aumentar a mobilidade interna”, em articulação com a política ferroviária espanhola. Os sociais-democratas querem ainda atualizar e complementar a infraestrutura existente para as ligações regionais e internacionais “sempre que o tráfego logístico o justifique”.

Tal como recorda o jornal Público, esta era uma ideia que Rui Rio já defendia em 2006.

Durante o mês de julho e também na segunda quinzena de agosto foram sendo apresentadas com detalhe medidas em áreas como a fiscalidade, saúde, natalidade, combate às alterações climáticas, reforma do sistema político e justiça.

ZAP // Lusa

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1 COMENTÁRIO

  1. O PASSOS DEU GRANDES PONTAPÉS NA POLÍTICA DO PSD.
    AS SONDAGENS FALAM POR SI E A VOTAÇÃO FINAL TAMBÉM.
    AS IDEOLOGIAS DO PRIVADO , DA BANCA ETC FIZERAM DO PSD UMA NUVEM.

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