Rui Rio fala em “mistura” entre funções de Costa primeiro-ministro e candidato

Miguel A. Lopes / Lusa

O presidente do PSD, Rui Rio

António Costa afirmou que cancelou parte da sua agenda de campanha eleitoral por “cautela” face à passagem do furação “Lorenzo”. Rui Rio falou numa “mistura” entre funções de primeiro-ministro e candidato.

António Costa deu esta resposta aos jornalistas, durante uma visita às obras de requalificação do IP3, depois de questionado sobre o caráter invulgar de cancelar ações de rua de campanha eleitoral por causa de eventuais consequências nefastas do mau tempo nos Açores com a passagem do furacão “Lorenzo”.

“É sempre mais útil prevenir do que remediar e, mesmo sendo candidato [nas eleições legislativas], não deixo de ser primeiro-ministro. Gosto de separar as situações de candidato nas eleições e de primeiro-ministro, mas não posso desligar-me delas. Não posso meter férias como primeiro-ministro”, declarou o secretário-geral do PS.

Ou seja, de acordo com o líder socialista, se enquanto primeiro-ministro for obrigatório estar disponível, “seja a partir do continente, seja no território da Região Autónoma dos Açores”, terá então de estar disponível.

Eu tenho de estar disponível, espero que tudo corra pelo melhor, que o furacão perca velocidade, que se afaste do território dos Açores para o alto mar e que não haja danos. Mas, por uma atitude de cautela, tenho de estar disponível para o caso de ser necessário”, insistiu.

Questionado sobre a escassez de ações de rua do PS nesta campanha eleitoral, o líder socialista reagiu: “Os contactos com a população têm sido excelentes em todos os pontos do país”.

“Seguramente, esses contactos vão continuar a ser bons. No entanto, tenho de procurar contabilizar a atividade de candidato com a de primeiro-ministro. Não posso prejudicar as minhas funções de primeiro-ministro por causa da campanha”, justificou.

Interrogado se vai na quarta-feira aos Açores, António Costa referiu que ainda vai avaliar esse aspeto e que só irá caso seja necessário. Depois, António Costa falou como está a ser feito o acompanhamento ao nível da prevenção sobre a passagem do furacão nos Açores.

“Desde segunda-feira, tenho estado em contacto permanente com o presidente do Governo Regional dos Açores [Vasco Cordeiro], foram feitos os levantamentos todos e, até agora, não foi considerada uma necessidade de reforços por parte da República. De qualquer forma, estão mobilizados os meios que foram considerados eventualmente necessários pelo Governo Regional dos Açores. Esses meios serão acionados assim que necessários”, disse.

Rui Rio fala em “mistura” de funções

O presidente do PSD considerou hoje que existe “uma mistura” entre as funções de António Costa, depois do anúncio do primeiro-ministro, e líder do PS, estar a ponderar deslocar-se aos Açores por causa da passagem de um furacão.

O secretário-geral socialista cancelou hoje uma arruada na Nazaré e antecipou em um dia a visita às obras de requalificação do Itinerário Principal 3 por estar a ponderar deslocar-se aos Açores, na quarta-feira, enquanto primeiro-ministro, para acompanhar os preparativos da Proteção Civil em relação à passagem do furação Lorenzo.

Questionado sobre a decisão, o presidente do PSD assinalou que “é difícil ter uma opinião” sobre o assunto porque há “uma mistura entre as funções de candidato e as funções de primeiro-ministro”.

Enquanto candidato não faz sentido, enquanto primeiro-ministro pode fazer sentido, ou não, não sei”, disse à margem da visita ao Centro Hospitalar Tondela-Viseu.

Na ótica de Rui Rio, as mudanças na agenda de campanha do PS são justificáveis para acompanhar a situação naquele arquipélago, mas para se deslocar lá talvez não.

“Para acompanhar sim, para se deslocar lá não sei, porque, como nós sabemos todos desde pequenos, nós não conseguimos travar o vento com as mãos”, sustentou, questionando os argumentos de António Costa, uma vez que, “sem mais argumentos”, diz não ver razão para tal.

“Quanto às razões que o Dr. António Costa, enquanto primeiro-ministro, possa ter para lá ir, tem de ser ele a dizer, não sou eu. Dizendo as razões eu poderei ter uma opinião, assim não”, vincou.

O presidente do PSD, confrontado sobre tratar-se de uma eventual manobra de distração do caso de furto de material militar, rejeitou essa possibilidade, uma vez que não vê “nenhuma relação entre Tancos e o furacão, ou seja, o que for”, nem “que o furacão tenha nascido por causa de Tancos”.

“O que eu espero é que a Proteção Civil esteja toda – e acredito que está, mal fora se não estivesse face a tanto anúncio de que vem aí o furacão -, que a Proteção Civil de caráter nacional esteja também nos Açores, no sentido de prevenir tudo o que é de prevenir e ter a capacidade de resposta imediata que for necessária, se se vier a verificar que o furacão passa mesmo ali”, assinalou Rio.

Notando que “ainda não é completamente seguro que [o furacão] passe” nos Açores, o social-democrata afirmou que “era bom que não passasse, que passasse ao largo”.

A Autoridade Marítima determinou já o encerramento, a partir das 22:00 desta terça-feira, dos portos na ilha do Faial, São Jorge, Pico, Corvo e Flores, devido às previsões do estado do mar na sequência da passagem do furacão Lorenzo.

Depois de uma reunião com a administração e de uma visita à urgência do Centro Hospitalar de Tondela-Viseu, Rui Rio voltou a acusar o ministro das Finanças, Mário Centeno, de ser, na prática, o verdadeiro governante deste setor, desta vez com um exemplo concreto deste hospital.

“Em outubro de 2017, faz agora dois anos, foi adjudicada a obra de alargamento da urgência, que funciona em situação muito precária, com os corredores cheios de macas. Por força da atuação do ministro Mário Centeno a verba foi cativada e dois anos depois a obra não foi feita”, criticou.

Segundo Rui Rio, quando a verba foi finalmente autorizada, “há dois ou três meses”, o empreiteiro recusou fazê-la porque, entretanto, os preços já se alteraram.

O líder do PSD referiu ainda que o valor total da obra seria de 7 milhões de euros, mas dos quais o Orçamento do Estado apenas teria de financiar “um milhão e pouco”, já que o resto seriam verbas comunitárias.

“A urgência está em situação precária porque o ministro Mário Centeno, feito ministro da Saúde, cativou uma verba que, para o Orçamento do Estado, era de um milhão de euros”, lamentou.

Rui Rio voltou a recusar adiantar quem gostaria de ter como ministro da Saúde num eventual Governo PSD – depois de hoje ter anunciado que Arlindo Cunha seria a sua escolha para a Agricultura -, dizendo já ter o nome “na cabeça”, mas ainda não ter falado com próprio.

Lusa // Lusa

 

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1 COMENTÁRIO

  1. A campanha de rio resume-se a falar dos outros…
    E que tal ideias para o país?
    E que tal falar sobre o seu programa eleitoral?
    A campanha de rio faz-se com casos e tentando lançar insinuações sobre a concorrência, uma atitude digna de um rato de esgoto!

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