“Fui eu que matei o Luís.” Ex-PJ que ajudou Rosa Grilo revela telefonema com confissão

António Pedro Santos / Lusa

Rosa Grilo assume que foi ela quem mactou o marido Luís Grilo, num telefonema que fez na prisão de Tires para o ex-inspector da Polícia Judiciária (PJ) João de Sousa, que fez parte da sua equipa de defesa. Foi o próprio João de Sousa quem divulgou a gravação da conversa com a autorização de Rosa Grilo.

“Fui eu que matei o Luís”. É desta forma que Rosa Grilo assume, finalmente, a autoria do homicídio do seu marido, o triatleta Luís Grilo.

Na conversa telefónica que manteve com João de Sousa, divulgada no canal de YouTube do ex-inspector da PJ, intitulado “Consultoria, Análise e Formação Forense”, a viúva assume que inventou a história do ataque dos angolanos, que disse terem matado Luís Grilo por causa de diamantes.

“Fui eu que criei essa versão”, aponta. “Fui eu que matei o Luís” com “a pistola do António” Joaquim, afirma a seguir, referindo-se ao seu amante de então, que foi condenado, tal como ela, a uma pena de 25 anos de prisão.

Rosa Grilo sempre negou ter morto o marido, em tribunal, tendo sido condenada à pena máxima prevista na justiça portuguesa. O Supremo Tribunal de Justiça já confirmou a pena de 25 anos de prisão e a viúva garante que não vai recorrer mais da condenação.

Não quero recorrer mais nada. Quero desistir dos recursos. Já chega”, destaca Rosa Grilo na conversa com João de Sousa.

O ex-inspector também pergunta a Rosa Grilo se quer pedir desculpas a alguém. “Ao meu filho, aos meus pais, à minha família e à família do Luís, e a todas as pessoas que gostam de mim e que me apoiaram”, mas “principalmente ao meu filho“, responde a viúva.

Com “técnica”, ex-PJ convenceu Rosa Grilo a confessar

O antigo inspector revela ao Observador que Rosa Grilo resolveu confessar o crime há cerca de dois dias depois de ele próprio lhe ter recomendado que “seria melhor para ela”.

Tenho a técnica e o expertise para conseguir que ela tenha este tipo de confiança para confessar-me a mim. Defendo técnicas de entrevista em interrogatório, já defendia quando estava na polícia, publiquei internacionalmente artigos sobre a matéria e estou a exercitar aquilo que sei”, aponta ainda João de Sousa.

Note-se que o ex-inspector da PJ integrou a equipa de defesa de Rosa Grilo, juntamente com a advogada Tânia Reis. Mas os dois deixaram de a defender depois de o Ministério Público os ter acusado de “plantarem” uma bala no local onde Luís Grilo terá sido morto, para alegadamente baralhar o julgamento.

O ex-PJ também recusa que a confissão de Rosa Grilo o possa beneficiar no processo de que é alvo. “O crime, nestes moldes [da acusação de que é alvo], continua a ser um crime”, salienta.

João de Sousa também já cumpriu uma pena de prisão por corrupção.

PJ vai perceber “o que fez bem e o que fez mal”

No vídeo que publica no YouTube, com a confissão de Rosa Grilo, João de Sousa revela que, quando trabalhava na PJ, chegava a visitar homicidas ou pedófilos já condenados na prisão. E ao longo da conversa, promete à viúva que vai também tentar visitá-la.

Antes de divulgar o testemunho da mulher, João de Sousa enquadra a conversa com várias teorias forenses e cita, nomeadamente, o psicólogo Carl Rogers que foi o autor da chamada “Abordagem Centrada na Pessoa” e que passa, segundo o ex-inspector, pela “aceitação incondicional do outro, empatia e congruência”.

Não há aqui nada do outro mundo, nada por baixo da mesa, há técnicas”, afiança.

O filho da D. Rosa Grilo há-de pacificar-se, ainda que com a culpa e o acto da mãe, a família do senhor Luís Grilo vê que a justiça foi feita em relação à senhora Rosa Grilo e ao que ela vai dizer e confirmar, a sociedade pacifica-se e a PJ, naquilo em que acertou, reforça a sua tecnicidade e a sua actuação”, destaca ainda João de Sousa.

O ex-PJ também refere que, quando era inspector, propôs fazer a análise de casos antigos não resolvidos, como os processos de Maddie, Joana e do estripador de Lisboa. “Foi-me dito que parecia mal aos colegas estar a criticá-los. Não é esse o caminho”, constata.

João de Sousa deixa ainda “uma palavra” para o coordenador da secção de homicídios de Lisboa, Pedro Maia, e para o inspector-chefe da brigada de homicídios da capital, Lopes Pereira. “Não estou a ser irónico, isto também ajuda a PJ“, considera.

“A senhora Rosa vai falar mais, vai explicar, vai-me dizer, e não houve nada de mais nisto, somente técnica e isto também é ajudar a justiça em Portugal, porque isto vai pacificar muita gente e vai permitir que a PJ perceba o que fez bem e o que fez mal“, conclui.

“Tudo o que eu enviei foi deturpado”

Na sexta-feira passada, João de Sousa já tinha divulgado outra conversa telefónica gravada com Rosa Grilo. Um telefonema que começa com ela a assumir que autoriza a gravação para divulgação no canal do YouTube do ex-inspector.

Rosa Grilo também confessa que teve dificuldades em encontrar um advogado, após a perda da sua equipa de defesa. “Três advogados pediram escusa, mas agora já tenho um advogado oficioso”, refere.

Além disso, fala da sua vida amorosa na prisão, desmentindo que mantenha qualquer relação com Maria Malveira, condenada pelo homicídio e desmembramento de um jovem no Algarve, como foi anunciado no Correio da Manhã.

A viúva refere-se a outros casos que foram noticiados na imprensa, nomeadamente a cartas enviadas a jornalistas. “Tudo o que eu enviei foi deturpado e descontextualizado”, lamenta.

O próprio João de Sousa critica os jornalistas na introdução que faz a esta primeira conversa, falando da “promiscuidade do jornalixo”.

“Há pessoas na praça que são tão conhecidas ou mais do que a Rosa, e que são levadas ao conhecimento por causa da Rosa ou de outras Rosas”, considera, referindo os nomes dos jornalistas Hernâni Carvalho, do programa “Linha Aberta” da SIC, e Tânia Laranjo do Correio da Manhã.

João de Sousa também acusa os jornalistas de estarem a “lesar” a sua “dignidade”, algo que considera inaceitável, independentemente do “acto hediondo” de Rosa Grilo e que “todos reprovámos”.

Também considera que “os muros das prisões existem para que não saia cá para fora a informação”. Assim, fala em “repor a verdade” e pede para que “abram os olhos” e “não aceitem tudo impávidos”.

Susana Valente Susana Valente, ZAP //

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16 COMENTÁRIOS

    • Está no país errado. Terá de mudar de país e até mesmo de continente para viver num sistema que lhe satisfaça o capricho.

        • Não pensa nada porque já morreu. Mas usemos nós o pensamento crítico e não as emoções primitivas:

          1. Matar um assassino traz a vítima de volta? Não.
          2. O que está em causa? A vingança? Não… É justiça. A justiça obedece à lei. Em Portugal não há pena de morte.
          3. Mesmo que estivesse em causa a vingança (não do morto mas da família). É muito pior sofrer décadas numa prisão, a levar porrada dos outros presidiários e guardas, a não dormir, a não ter privacidade, a viver numa cela, e a ter de trabalhar de graça. Do que levar uma injecção e esticar o pernil num instante como quem leva uma anestesia.
          4. Para quem diga o absurdo de que estamos a pagar a sua comida. É preciso ser ignorante. Na prisão eles têm de trabalhar e o produto do seu trabalho reverte a favor da sociedade. A sociedade não gasta dinheiro. Ganha!

          Você confunde justiça com a sua necessidade primária de se vingar, quando a si não aconteceu nada, nem à sua família. É como se estivesse a ver um filme no sofá e sempre a comentar que o vilão tem de morrer. Para o criminoso, o sofrimento é incomparavelmente pior com 25 anos de prisão do que morrer num instante. Quando ela sair, se não morrer na prisão entretanto, é uma velha, talvez com pouca ou nenhuma família, sem conseguir arranjar meio de subsistência e para sempre odiada e cuspida pela sociedade. Isso sim, castigo merecido!

          Agora cá penas de morte… Isso coisa é de sociedades primitivas, em que a sociedade se orgulha de descer uma e outra vez, ao nível daqueles que quer condenar. Ladrão que rouba ladrão, tem 100 anos de perdão? Não! Porque é que assassino que mata assassino havia de ter? Sociedades com pena de morte não são melhores do que os seus assassinos todos juntos.

          Eu estou a dizer-lhe isto tudo, mas não precisava de lhe dizer nada porque a lei deste país já me dá razão. Você é que está contrariado com a lei, não sou eu.

    • Faz?!
      Como chegaste a essa brilhante conclusão?
      Com penas de morte acabam os homicídios e os loucos?
      É que os EUA, com pena de morte em alguns Estados e um número de homicídios só comparável a países de 3° mundo, mostram que não é bem assim…
      .
      Se bem que, se amanhã esta Rosa Grilo (e companhia) não acordassem, o mundo ficaria melhor…

        • Exactamente o que eu escrevi no comentário que está para aprovação. Para si tudo gira à volta do que você gosta ou não gosta. A justiça não deveria ser como é… Mas sim como você acha. Epá…. Porque você gosta, pronto. Há lá motivo mais válido.

          Bom, seja como for. A lei não está do lado de pessoas como você. Azarito.

  1. É bom que as metoos vão tomando nota destas ocorrências para pararem de tentar pintar o mundo como um local onde mulheres são vítimas e os homens, os maus da fita. Isto para não falar dos casos em que são mulheres a pagar a homens para lhes matarem os maridos, para sacar as heranças ou se verem livres deles, porque sim.

    Devido a serem fisicamente mais fortes (e só por isso), é um facto que são mais frequentes os casos de violência física de homens sobre mulheres. Mas já na violência psicológica, as mulheres dão cartas. Só que isso geralmente não conta… Mas depois temos aquele caso recente no Reino Unido onde uma gaja esborracha o crânio do marido com um martelo, mas depois o tribunal absolve-a dizendo que coitadinha não aguentou a pressão psicológica do marido.

    Afinal elas tanto se safam com a violência psicológica como com a física… E os homens estão sempre entalados com o que quer que façam. A justiça é sempre mais branda com as mulheres e neste caso se ela não tivesse confessado ainda acabava cá fora mais cedo do que o amante.

    • “e neste caso se ela não tivesse confessado ainda acabava cá fora mais cedo do que o amante.”
      Andas distraído… ela não confessou; antes pelo contrário!!

      • Qual é desta vez a teoria da conspiração, ò “Tu”.

        Rosa: “Ora deixa cá ver de que maneira é que eu consigo a pior pena possível? Ah, já sei! Em vez de dividir a culpa com o meu amante e com uns Angolanos, vou dizer que fui eu que fiz tudo!”

        “Tu” já pensaste numa carreira como advogado de defesa?

  2. Típico dos vigaristas… o ex-PJ, depois dos crimes que cometeu, agora anda à procura de simpatia da opinião pública..

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