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V, L e W foram descartadas. Agora, a retoma em “K” é o problema da economia portuguesa

Patrícia de Melo Moreira / AFP

O regresso aos níveis pré-pandemia é feito a ritmos muito diferentes, dependendo do setor. Esta retoma em “K” é um problema para a adoção das políticas públicas de apoio à economia.

A retoma rápida em “V” foi descartada há muito tempo. A ameaça de uma estagnação prolongada, com uma evolução em “L”, também parece ter sido evitada. A recuperação em “W”, com altos e baixos ao ritmo dos casos de covid-19, mostrou que a recuperação da economia vai ser muito diferente de setor para setor.

O Público detalha, na sua edição deste sábado, que o cenário mais provável é o de uma retoma em “K”, em que, dentro da mesma economia, existem áreas que regressam rapidamente aos níveis anteriores à crise e áreas que continuam, por um período prolongado do tempo, a apresentar resultados negativos.

Esta semana, o ministro da Economia explicou isso mesmo: Portugal está a verificar uma “recuperação da economia em ‘K'”, disse, explicando que “alguns setores atravessaram muito bem a pandemia, como a construção civil e a indústria transformadora, e este ano já estão a ter níveis de atividade muito próximos dos que tinham antes”.

Ao mesmo tempo, continuou Pedro Siza Vieira, há uma outra vertente problemática da recuperação, ligada aos segmentos da economia “onde o impacto foi mais violento”, incluindo neste leque o setor do turismo.

Os números mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE), referentes maioritariamente ao mês de junho, mostram que o setor da construção apresenta um nível de produção atual 10% acima do de há dois anos, não tendo registado quedas mesmo no auge da crise.

Já o volume de negócios na indústria está ainda 5,9% abaixo do nível de 2019 e os serviços surgem com menos 11,3% de volume de negócios.

Há também setores com volumes de negócios consideravelmente mais altos: insere-se neste grupo – e sem surpresa – o fabrico de produtos farmacêuticos, que apresentou em junho um volume de negócios 23,4% mais alto do que o registado em igual mês de 2019.

As indústrias de madeira, cortiça e de equipamentos elétricos também registam taxas de crescimento positivas relevantes. Já os setores das indústrias alimentares ou metalúrgicas encontram-se, aproximadamente, ao mesmo nível registado em 2019.

Agências de viagens e operadores turísticos, alojamentos e transportes aéreos são os serviços cujo volume de negócios é ainda 50% mais baixo do que há dois anos. Muito longe de uma retoma está o setor da restauração, com uma perda de 44,2%, revela o diário.

Pela positiva, ainda no setor dos serviços, destacam-se as atividades imobiliárias, com um crescimento de 23,7% face a 2019, a consultoria e programação informática, a plantação e manutenção de jardins, a investigação científica, as telecomunicações e as atividades postais.

Estes ritmos distintos fazem com que seja um desafio de definir políticas económicas.

Se, em anteriores crises, as medidas de apoio poderiam ser adotadas de forma homogénea (uma vez que todos estavam a atravessar o mesmo tipo de dificuldades), atuar agora da mesma forma poderia significar uma ajuda desigual e injusta: apoiando-se muito setores que não precisam e pouco setores que continuam a necessitar de muita ajuda.

  ZAP //

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