Responsabilidade é a característica mais importante para alcançar bons resultados escolares

Manuel de Almeida / Lusa

Cerca de 300 estudantes do concelho de Sintra participaram no estudo internacional que teve como objetivo correlacionar o desempenho escolar com as competências sociais e emocionais dos mesmos.

A responsabilidade é uma das características mais importantes e que mais influencia o bom desempenho escolar dos melhores alunos do concelho de Sintra, independentemente da sua idade ou da disciplina em que estão a ser avaliados. Esta é uma das constatações de um estudo pioneiro, realizado a nível global pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), que tentou estabelecer uma relação entre o desempenho escolar e as competências sociais e emocionais dos estudantes, com 10 e 15 anos, e provenientes de dez cidades diferentes.

Para efeitos de estudo, foi feito um levantamento das notas dos participantes em três áreas de conhecimento — Matemática, Leitura e Artes — e aplicado um “breve teste de capacidade cognitiva aos alunos, descreve o jornal Público. Entre as características consideradas para efeito de análise estão o auto-controlo, a confiança, a empatia ou a sociabilidade.

Um dos resultados a que se chegou foi que “as competências sociais e emocionais dos alunos são preditores significativos das notas escolares em todas idades e disciplinas”, pode ler-se no relatório.

No caso específico dos alunos de Sintra, que representaram Portugal na pesquisa, cerca de 3000, a responsabilidade é a característica mais associada aos bons resultados nos dois grupos etários e nas três disciplinas avaliadas.

Para além da responsabilidade, outras características ficaram evidenciadas nos testes feitos aos estudantes sintrenses. Por exemplo, um jovem de 15 anos com um bom perfil no que respeita à responsabilidade e à assertividade deverá conseguir melhores resultados na Leitura, ao passo que no caso dos seus colegas mais novos, com 10 anos, as características mais relevantes para se ser bem-sucedidos nesta área são a persistência e a curiosidade.

Já no que respeita à Matemática, vista, muitas vezes, como o bicho papão dos estudantes portugueses, a característica mais determinante, no quadro dos estudantes com 15 anos, é a persistência, mas também a confiança. Nos estudantes mais novos, as boas notas à disciplina atribuem-se, com mais frequência, à criatividade.

Esta é, de resto, uma característica que tende a diminuir com a idade — algo visível quando se analisa a evolução dos perfis dos estudantes com 10 e 15 anos. Segundo os especialistas responsáveis pelo estudo, tal pode acontecer devido ao “facto de que os sistemas educacionais muitas vezes esperam conformidade dos alunos, com a consequência potencial de afastar o pensamento criativo e divergente à medida que os alunos envelhecem e permanecem mais tempo no sistema educativo”.

Tal como destaca o Público, este tipo de estudo foca-se, regra geral, em países e não em cidades. No entanto, na presente pesquisa participaram alunos de dez territórios, de quatro continentes — não havendo nenhuma cidade africana representada.

Apesar dos 3000 estudantes do concelho de Sintra que participaram na pesquisa, os dados recolhidos não foram considerados para as médias internacionais, uma vez que a taxa de resposta foi inferior a 80% da amostra.

No grupo de conclusões mais gerais, o relatório evidencia a existência de duas características dos alunos que sobressaem em relação às demais na correlação com as notas escolares: “curiosidade intelectual” e “persistência” — o que é válido para os dois grupos etários e nas três áreas de conhecimento em análise.

“Cultivar a curiosidade intelectual por uma ampla gama de tópicos é importante, assim como a ânsia de explorar e aprender coisas novas”, explicou o organismo no documento. Outra das conclusões que constam do estudo é a importância, para além das competências sociais e emocionais, do contexto socioeconómico.

O relatório aponta ainda para uma relação entre as competências sociais e emocionais e as aspirações de carreira dos alunos, com os estudantes que aspiram seguir a área da saúde a mostrar-se mais “curiosos” e “cooperativos”, enquanto os que pretendem fazer carreira nas forças de segurança ou na área militar são mais “energéticos”.

  ZAP //

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