Regresso da Força Aérea ao combate aos fogos é “inevitável”

Força Aérea Portuguesa / Facebook

Aeronaves EH-101 Merlin e C-295M da Força Aérea Portuguesa.

Aeronaves EH-101 Merlin e C-295M da Força Aérea Portuguesa.

O ministro da Defesa disse que considera “inevitável” o regresso da Força Aérea ao combate aos incêndios florestais.

“A Força Aérea não dispõe, neste momento, de capacidades instaladas para participar ativamente no combate aos incêndios. E essa descontinuação do papel da FAP é já antiga. Mas tenho como inevitável que a FAP venha a ser dotada dessa capacidade e o primeiro-ministro coincide nessa abordagem”, afirmou Azeredo Lopes em entrevista ao Jornal de Notícias.

Para o ministro da Defesa, o regresso da FAP é inevitável porque se está agora num “momento crítico de reequipamento”.

“Através da Lei de Programação Militar (LPM) ou de outros meios, estamos perante dois desafios categóricos – mais em relação ao combate aos incêndios“, sublinhou.

Segundo o ministro, é necessário, em primeiro lugar, fazer a substituição dos helicópteros Alouette III da FAP, que desempenham funções de treino para a FAP e a Marinha e que serão descontinuados em 2018.

“Há uma necessidade imperiosa e que passará, com toda a certeza, pela antecipação da substituição. Tanto mais que o tempo de entrega de um novo helicóptero é no mínimo de 12 meses”, avaliou.

“Uma das características desses helicópteros é poderem ser dotados de meios para combate a incêndios. Ou seja, com um custo suplementar mínimo, dota-se o novo helicóptero de uma capacidade que lhe permitirá matar dois coelhos de uma cajadada. E é esse pensamento estratégico que tenho pena que já não tenha sido validado nos últimos anos”, acrescentou.

Sobre as estimativas de custos para os aparelhos, Azeredo Lopes afirmou, que “para os helicópteros, há uma estimativa que resulta da LPM: 20 milhões de euros, mais IVA”.

Questionado sobre se haveria uma esquadra específica para esta participação no combate aos incêndios, o ministro da Defesa declarou que “não é um modelo organizacional específico”.

“Há, sim, meios da Força Aérea e esses meios, na gestão da FAP, implicam um patamar de utilização e eficiência muito superiores”, comentou.

Azeredo Lopes indicou que será preciso “otimizar a utilização dos pilotos”, com a devida capacitação e, se for preciso, colocá-los “diretamente no combate aos incêndios”.

Sobre os custos dessa operação da FAP nos fogos, o ministro disse que serão “custos públicos”.

Já a eventual utilização dos helicópteros do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) “é uma questão que pode vir a colocar-se”.

“Ao contrário do que se pensa, não é revolução nenhuma. As forças armadas já têm um papel importantíssimo nas missões de interesse público, na busca e salvamento, no transporte de doentes […]”, referiu ainda.

A ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, também já demonstrou o seu apoio à possibilidade da Força Aérea vir a ter capacidade para fazer o combate a incêndios.

No dia 13 de agosto, a ministra sublinhou que será preciso formar os pilotos e também equipar os meios aéreos.

A 14 de agosto, a Força Aérea esclareceu que “não possui meios aéreos que permitam a realização de missões de combate a incêndios”, mas admitiu que a capacidade para realização destas missões poderá “vir a materializar-se faseadamente, num futuro próximo”.

/Lusa

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4 COMENTÁRIOS

  1. Devia ser antes de comprar submarinos. Tambem fazem falta metralhadoras automáticas com sensores de movimento a volta do mato, e alias se “senhores” de industria de madeira ou de agricultura levarem uns tiros
    nos cornos não precisava nada disto

  2. O ministro da defesa tem toda a razão mas não vai conseguir opor-se aos lobbies do fogo. Está envolvido muito peixe graúdo e muitos milhões de euros.
    O ministro que espere um pouco que logo logo alguém o faz esquecer de “ideias parvas” com umas luvas recheadas.

  3. Deviam era comprar estes… !permitirá matar dois, três ou quatro coelhos de uma cajadada (Salvamento, Combate, Vigia de costa com aterragem rápida.
    “Sino Boeing V-22 Osprey “

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