Referendo na Macedónia para mudança de nome sem efeito por fraca participação

Valdrin Xhemaj / EPA

Mais de 90% dos eleitores que participaram no referendo, realizado este domingo, aceitaram a mudança de nome do país. No entanto, a participação foi muito fraca, estando abaixo dos 50% necessários para que fosse vinculativa.

Mais de 90% dos eleitores que participaram no referendo aceitaram que o país passe a ser a “República da Macedónia do Norte”, segundo resultados da comissão eleitora, respondendo positivamente à pergunta: “Apoia a integração na União Europeia e na NATO ao aceitar o Acordo entre a República da Macedónia e a República da Grécia?”.

Segundo os últimos números disponíveis relativos à participação do eleitorado, a abstenção foi elevada e não permite que a mudança de nome se torne vinculativa. As previsões são de que a participação fique abaixo dos 50%. Segundo a Constituição, o resultado só seria válido se reunisse 50% do eleitorado, o que se traduz em cerca de 903 mil votos.

Apesar de a votação só ter um caráter consultivo, o Governo terá agora uma tarefa difícil para convencer o Parlamento a aprovar a emenda constitucional, para mudar o nome do país.

O principal partido da oposição, a aliança conservadora VMRO-DPMNE, informou que o seu líder, Hristijan Mickoski, se absteve de votar, porque considera a pergunta do referendo “manipuladora”.

A pergunta em consulta não aludia diretamente ao nome final que adotará esta antiga república jugoslava, ou seja, República da Macedónia do Norte, mas pedia aos votantes que digam se apoiam ou não a integração na UE e na NATO, assim como se aceitam o acordo entre a República da Macedónia e a Grécia.

O partido da oposição VMRO-DPMNE considera a integração na NATO e UE como “um objetivo estratégico”, mas insiste que o acordo com a Grécia é prejudicial para o país.

“Portas da NATO estão abertas”

Após quase 30 anos de diferendo com a Grécia, Atenas e Skopje assinaram em 17 de junho um acordo histórico para rebatizar o pequeno país, de 2,1 milhões de habitantes e maioria de população eslava, com o nome de “República da Macedónia do Norte”.

Desde a independência, em 1991, e devido ao prolongado litígio com Atenas, esta ex-república jugoslava foi admitida na ONU dois anos depois, sob a designação de Antiga República Jugoslava da Macedónia (FYROM, na sigla inglesa). No entanto, numerosos países, incluindo os EUA e a Rússia, reconheceram o pequeno país como “Macedónia”.

O acesso de Skopje a diversas instâncias internacionais (em particular UE e NATO) permanecia bloqueado pela Grécia, que considera o nome Macedónia como parte exclusiva do seu património histórico.

Alexandre o Grande nasceu em Pella, uma cidade da província fronteiriça grega também designada Macedónia. Atenas considerava que a utilização do mesmo nome por Skopje denunciava ambições territoriais.

O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, o ministro da Defesa dos Estados Unidos, Jim Mattis, a chanceler alemã, Angela Merkel, ou o comissário europeu para o Alargamento, Johannes Hahn, visitaram Skopje nas últimas semanas e envolveram-se na campanha para exortarem a população a votar numa perspetiva de “futuro”.

O secretário-geral da NATO afirmou que o referendo é “uma oportunidade histórica” para encerrar as disputas com a Grécia, acrescentando que “as portas da NATO estão abertas”.

“Peço a todos os líderes políticos e aos partidos que aproveitem esta oportunidade histórica de maneira construtiva e responsável. As portas da NATO estão abertas“, escreveu no Twitter.

ZAP // Lusa

PARTILHAR

RESPONDER

Morreu a primeira mulher portuguesa a integrar um Governo

Maria Teresa Cárcomo Lobo foi nomeada subsecretária de Estado da Saúde em agosto de 1970 por Marcelo Caetano. Morreu este mês no Rio de Janeiro, no Brasil, aos 89 anos. A notícia da morte de Maria …

Putin, o espião soviético, tinha cartão de identificação da secreta alemã

Quando era membro do KGB, o Presidente russo estava colocado em Dresden, na Alemanha. Agora, descobriu-se nos arquivos que tinha também identidade da Stasi. Foi encontrado nos arquivos da polícia secreta, em Dresden, um cartão de …

Ataque em Estrasburgo. Número de vítimas mortais sobe para quatro

Um dos feridos do atentado de terça-feira em Estrasburgo morreu esta sexta-feira, elevando para quatro o número total de vítimas mortais, anunciou a Procuradoria de Paris. Duas pessoas morreram no próprio dia do ataque, depois de …

Preço do pão pode aumentar no próximo ano

O preço do pão poderá subir em 2019, acompanhando o aumento do salário mínimo e do valor da matéria-prima, disse à agência Lusa o presidente da Associação dos Industriais da Panificação, Pastelaria e Similares do …

Auditorias sobre fogos de 2017 ainda não estão prontas

Quase um ano e meio depois dos incêndios que assolaram o país em 2017, as inspeções e processos disciplinares destinados a apurar responsabilidades que correm na Inspeção Geral da Administração Interna (IGAI) não estão ainda …

PJ detém suspeito de 160 crimes informáticos por tentar clonar cartões multibanco

A Polícia Judiciária (PJ) deteve um homem suspeito de 160 crimes de burla informática e associação criminosa por ter instalado dispositivos em máquinas multibanco para capturar dados das bandas magnéticas e códigos de acesso para …

Falhas do piloto na origem da queda de avioneta na praia da Caparica

Falhas na gestão da emergência e quebra de procedimentos pelo piloto instrutor levaram à aterragem do Cessna 152 numa praia da Costa de Caparica, Almada, em agosto de 2017, causando a morte a duas pessoas, …

Greve do Metro do Porto desconvocada após acordo

A greve na Metro do Porto, marcada para os dias 17 e 31 de dezembro, foi desconvocada depois de a empresa ter chegado a acordo com o Sindicato dos Maquinistas de Caminho-de-Ferro. A greve dos profissionais …

Parlamento aprova benefícios fiscais para arrendamento de longa duração

O parlamento aprovou esta quinta-feira, na generalidade, quatro dos dez projetos de lei do PSD sobre arrendamento, destacando-se a atribuição de benefícios fiscais a contratos a partir de dois anos e o aperfeiçoamento do Balcão …

Moção de censura contra governo francês foi rejeitada

A Assembleia Nacional francesa rejeitou a moção de censura das esquerdas contra o governo de Édouard Philippe, pela gestão da crise dos "coletes amarelos", votada apenas por 70 deputados. Com esta moção, os três grupos de …