Quase 80 pessoas foram detidas (duas delas em Portugal) no âmbito de uma operação internacional que desmantelou uma plataforma online de pornografia infantil e que tinha mais de 1,8 milhões de utilizadores em todo o mundo.
Foi desmantelada, esta terça-feira, uma rede internacional com dois milhões de pessoas, naquela que foi “a maior operação de sempre” contra a pornografia infantil, desde a criação da agência europeia de polícia (Europol)
A “Operação Stream” que levou ao desmantelamento da “KidFlix”, cujos servidores foram encerrados, envolveu buscas em 35 países.
Segundo a Deutsche Welle, 79 pessoas foram detidas na operação, que começou em 2022, por suspeitas de terem visto ou descarregado vídeos, mas também de abuso sexual de menores.
Foram retirados da plataforma no início de março mais de 70.000 vídeos, mas as autoridades apreenderam mais de 91.000, identificando mais de 1.400 suspeitos em todo o mundo.
A Kidflix foi criada em 2021 e, adiantou a PJ, “rapidamente se tornou uma das plataformas mais populares deste tipo de conteúdos”, registando a adesão de cerca de 1,8 milhões de utilizadores entre abril de 2022 e março de 2025.
Segundo a Europol, esta plataforma era uma das mais utilizadas entre pedófilos e permitia os utilizadores descarregar ou assistir a vídeos mediante o pagamento de uma taxa, assemelhando-se a uma plataforma de streaming.
Dois detidos em Portugal
À margem desta megaoperação, a Polícia Judiciária (PJ) deteve dois suspeitos em flagrante delito, tendo um deles ficado em prisão preventiva.
A operação foi coordenada pela a Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e Criminalidade Técnológica (UNC3T) da PJ, que deteve, “em flagrante delito, dois cidadãos, de 28 e 35 anos, ao que tudo indica sem antecedentes criminais”.
“No decurso das várias diligências encetadas por esta Unidade, foi possível recolher relevantes elementos de prova, nomeadamente equipamentos informáticos com conteúdos de abuso e exploração sexual de crianças. Após presença às autoridades judiciárias um dos suspeitos ficou em prisão preventiva”, adiantou a PJ em comunicado.
Segundo a PJ, foram partilhados 91 mil vídeos, “compatíveis com conteúdos de abuso e exploração sexual de crianças, correspondendo a cerca de 6.288 horas de reprodução”.
A nível internacional a Operação ‘Stream’ foi liderada pela Polícia Criminal do Estado da Baviera e pelo Gabinete Central para o Cibercrime da Baviera (ZCB), tendo contado com a participação de agências congéneres de 35 países.
39 crianças resgatadas
A Operação ‘Stream’ decorreu entre 10 e 23 de março e identificou 1.393 suspeitos. Foram “resgatadas da situação de abuso e exploração sexual 39 crianças”, tendo ainda sido apreendidos mais de três mil dispositivos eletrónicos.
Ainda este ano, a Europol realizou outra investigação que levou à detenção de pelo menos 25 pessoas por distribuírem através da internet conteúdos de pornografia infantil gerados por Inteligência Artificial (IA).
Em 28 de fevereiro, a agência europeia revelou que essa operação “foi um dos primeiros casos que envolveu conteúdos de pornografia infantil gerados por Inteligência Artificial, o que torna a tarefa dos investigadores particularmente difícil devido à falta de legislação relativa a estes crimes”.
À semelhança desta mais recente operação, esta investigação em fevereiro também envolveu um esforço de forças policiais de 18 países.
Sob pressão para combater a criminalidade organizada, a Comissão Europeia propôs na terça-feira o reforço da agência de coordenação policial Europol, duplicando o seu pessoal.
Com mais de 1.400 funcionários, a Europol é uma agência conhecida pela sua ação contra o crime organizado, a cibercriminalidade e o terrorismo.
Nos últimos anos, tem participado em operações de desmantelamento de redes de traficantes de seres humanos e de piratas informáticos.
No entanto, o executivo europeu quer reforçar o seu papel para a tornar uma agência policial verdadeiramente operacional.
A Comissão pretende igualmente um plano de ação para proteger as crianças e combater a pedofilia, bem como uma estratégia para combater melhor o tráfico de armas de fogo e o branqueamento de capitais.
A sua proposta será submetida à aprovação do Parlamento Europeu e dos Estados-membros.
ZAP // Lusa