“Se fue Donald Trump”, festejou Maduro. As reações dos líderes mundiais à posse de Biden

chavezcandanga / Flickr

O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro

No dia em que Joe Biden tomou posse como 46.º Presidente dos Estados Unidos, foram várias as reações dos restantes líderes mundiais, da Venezuela a Taiwan.

Na Venezuela, o Presidente Nicolás Maduro não escondeu a sua alegria pela saída do republicano Donald Trump da Casa Branca. “Hoje, 20 de janeiro, foi o dia em que Donald Trump se foi. Foi-se, foi-se, foi-se. Derrotámo-lo. Vitória para a Venezuela. Lá foi ele, sozinho, derrotado”, afirmou, num discurso que foi transmitido na rádio e na televisão.

“E chega um homem que no seu discurso de hoje, que vi três vezes, reconheceu os problemas do seu país, disse que estão a viver uma grande crise e apelou à união dos norte-americanos”, acrescentou.

Algumas horas após a tomada de posse de Joe Biden, o Presidente venezuelano pediu ao homólogo norte-americano que faça uma “profunda e completa retificação” da política externa dos Estados Unidos, que “tome as rédeas do comando sobre a política latino-americana e sobre a Venezuela” e que “abandone a demonização que fizeram de uma sociedade”.

“Apelo ao novo Governo dos EUA para superar a demonização que fizeram da revolução bolivariana (…) e virar a página sobre tanta mentira, tanta manipulação, tanto ódio após quatro anos de crueldade contra a Venezuela”, disse.

Maduro desejou ao novo Presidente sorte “no tratamento dos assuntos do seu país” e “uma nova política de paz no mundo“. “Espero, sem dúvida, que ele não assuma como seu o legado cruel do supremacista [em referência a Trump] contra a Venezuela e retifique as políticas sobre a Venezuela. Toda a Venezuela o aplaudiria”, frisou.

O líder venezuelano repetiu que está preparado para “estender a mão” à nova administração norte-americana e, nesse sentido, exortou a Comissão de Política Externa do Parlamento venezuelano, com uma grande maioria do Governo, a trabalhar para criar um “novo começo nas relações” entre os dois países.

Na Ásia, mais precisamente em Taiwan, o Governo de Taipé congratulou-se com o facto de o representante desta nação nos EUA ter sido formalmente convidado para a tomada de posse do novo Presidente, algo que não acontecia há décadas.

A enviada de Taiwan, Hsiao Bi-khim, partilhou uma fotografia sua na cerimónia, dizendo que tinha “a honra de representar o povo e o Governo de Taiwan na tomada de posse do Presidente Biden e da vice-Presidente Harris”.

“A democracia é a nossa linguagem comum, e a liberdade é o nosso objetivo comum“, acrescentou.

Recorde-se que esta ilha tem uma população de 23 milhões que desfrutam de um sistema democrático. Mas a China considera-a uma província chinesa e ameaça resgatá-la pela força no caso de uma declaração formal de independência ou de uma intervenção norte-americana.

Washington interrompeu as relações diplomáticas com Taipé, em 1979, para reconhecer Pequim como o único representante oficial da China. Mas os Estados Unidos continuam a ser o aliado mais poderoso de Taiwan e o seu fornecedor de armas “número um”.

Os Presidentes norte-americanos são extremamente cautelosos na sua política para com Taiwan. Mas a atitude mudou radicalmente sob o comando de Donald Trump, que fez uma aproximação a Taiwan.

E por falar em China, esta quinta-feira, Hua Chunying, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, já felicitou Biden pela tomada de posse.

“Constatei que o Presidente Biden insistiu repetidamente no seu discurso na palavra ‘unidade’. Acho que é exatamente disso que precisamos agora na relação sino/norte-americana”, disse aos jornalistas.

“Penso que tanto a China como os Estados Unidos devem ter coragem e mostrar sabedoria para se entenderem mutuamente”, disse a diretora do departamento de informações do ministério chinês.

“É obrigação da China e dos Estados Unidos, como duas grandes nações, e também é a esperança da comunidade internacional“, declarou a porta-voz, acrescentando: “Se os dois lados cooperarem, os anjos benevolentes prevalecerão sobre as forças do mal na relação China-EUA”.

A relação entre os dois países caiu ao nível mais baixo sob a Administração do ex-Presidente Trump, que travou uma guerra comercial e tecnológica com o gigante asiático.

Logo depois da posse de Biden, Pequim anunciou sanções contra 28 ex-funcionários do Governo cessante, incluindo o secretário de Estado Mike Pompeo, que será proibido de entrar na China e em Hong Kong.

Governo mexicano saudou o fim do muro

O Governo mexicano saudou os decretos já assinados pelo novo Presidente norte-americano, que incluem o fim da construção do muro com o México e a proteção do programa DACA, contra a deportação dos chamados “dreamers”.

Como prometido, Biden enviou ainda ao Congresso uma lei que promete um caminho para a cidadania de 11 milhões de residentes indocumentados e a administração do novo Presidente já anunciou também que irá suspender o programa “Stay in Mexico”, que permitiu ao Governo antecessor devolver os requerentes de asilo ao país vizinho.

Biden acabou ainda com a proibição de cidadãos de sete países maioritariamente muçulmanos entrarem no país e suspendeu por 100 dias deportações de imigrantes, embora com algumas exceções.

O México saúda o fim da construção do muro, a iniciativa de migração a favor do DACA e um caminho para a dupla cidadania”, disse o ministro das Negócios Estrangeiros mexicano, Marcelo Ebrard, em nome do Governo do seu país numa mensagem divulgada no Twitter.

“Como o Presidente (Andrés Manuel) Lopez Obrador escreveu há alguns anos ao atual Presidente Joe Biden, as pontes abrem o caminho para a cooperação e compreensão“, acrescentou.

Esta quarta-feira, o Presidente do Irão, Hassan Rohani, já se tinha congratulado com o “fim” da era do “tirano”, numa referência a Trump. Agora, passou a “batata quente” do futuro do acordo nuclear para as mãos de Biden.

“A bola está agora do lado dos Estados Unidos. Se cumprirem os seus compromissos, também cumpriremos”, sublinhou Rohani, pedindo a Biden que volte à “legalidade”.

O Presidente iraniano afirmou ainda que “Trump está morto e que sua vida política terminou, mas o acordo nuclear sobreviveu”.

O acordo nuclear, assinado em 2015 entre o Irão e seis grandes potências (EUA, China, Rússia, Alemanha, França e Reino Unido) para limitar o programa nuclear iraniano em troca do levantamento de algumas das sanções internacionais, foi abandonado unilateralmente pelos Estados Unidos em 2018.

Em resposta à decisão norte-americana e ao fracasso dos outros signatários em se oporem a sanções unilaterais dos Estados Unidos, o Irão foi gradualmente deixando de cumprir o acordo, incluindo o limite que tinha ao enriquecimento de urânio. No discurso desta quarta-feira, Rohani defendeu que “cabe agora aos 5+1 cumprirem as suas obrigações”.

O Presidente iraniano voltou a expressar a sua alegria pelo fim do mandato de Trump. “Hoje encerra-se para sempre o negro serviço de Trump, um exemplo da queda dos opressores”, sublinhou, descrevendo as políticas internas e externas adotadas pelo republicano como “inadequadas e autoritárias” e o próprio Donald Trump como um “tirano estúpido e terrorista”.

Segundo o Presidente iraniano, “o legado de Trump ao seu país foi a criação de uma sociedade bipolar” o que levou “Washington a tornar-se num quartel-general militar” para a posse de Biden.

rouhani.ir

O presidente do Irão, Hassan Rohani (Rouhani)

Por cá, em Portugal, o Presidente da República e atual candidato a um segundo mandato, Marcelo Rebelo de Sousa, felicitou o seu homólogo norte-americano e sublinhou “a importância da cooperação multilateral” para encontrar “soluções para os problemas globais”.

Num comunicado divulgado na página oficial da Presidência da República, o chefe de Estado informou que felicitou Biden “no seguimento da cerimónia de tomada de posse que se realizou em Washington”.

Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou “a importância da cooperação multilateral na procura de soluções para os problemas globais”, nomeadamente, ao nível da Organização das Nações Unidas (ONU), assim como “do reforço do relacionamento transatlântico”.

O Presidente da República também refere a presidência portuguesa do Conselho da União Europeia (UE), que decorre durante os primeiros seis meses deste ano, prossegue a nota.

Filipa Mesquita Filipa Mesquita, ZAP // Lusa

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2 COMENTÁRIOS

  1. “Se fue Trump!” graças à democracia que, como dizia Churchill, é “o pior dos regimes, excetuando todos os outros”, é o único regime onde de forma pacífica se podem substituir os maus dirigentes e os maus governos, mas presumo que Maduro também não saiba lá muito bem o que isso é.

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