Há duas razões que podem explicar como algumas pessoas transmitem covid-19 mais facilmente

Os “super-espalhadores” são um dos grandes problemas da expansão da pandemia de covid-19. Vários estudos mostraram que a maioria das pessoas com o vírus não transmite a infeção a muitas pessoas, mas em casos extremos, um único infetado pode espalhar o vírus por dezenas de pessoas.

Num novo estudo, investigadores da University of Central Florida identificaram algumas características que parecem tornar as pessoas mais propensas a ser um “super-espalhador” de infeções virais, como é o caso da covid-19.

Conforme é relatado no estudo publicado em novembro na revista Physics of Fluids, a equipa usou um processo de modelagem 3D e simulações de computador para mostrar que os espirros de pessoas que têm o nariz obstruído e uma dentição completa viajam cerca de 60% para mais longe do que aqueles que não têm.

(a) passagem nasal aberta com dentes, (b) passagem nasal aberta sem dentes, (c) passagem nasal bloqueada sem dentes e (d) passagem nasal bloqueada com dentes

Os especialistas explicam que esta hipótese sugere que algumas pessoas parecem transmitir infeções respiratórias mais rapidamente do que outras.

“O corpo humano tem influenciadores, como um sistema associado ao fluxo nasal que interrompe o jato da boca e impede que este se espalhe por longas distâncias”, explica em comunicado, Michael Kinzel, coautor do estudo.

Segundo o cientista, também “os dentes criam um efeito de estreitamento no jato o que o torna mais forte e turbulento. Os dentes parecem conduzir a transmissão, por isso se estivermos perante alguém sem dentes, podemos esperar um jato mais fraco do espirro deles”.

De acordo com o novo estudo, estes dois fatores parece ser cruciais no momento de espalhar o vírus em reuniões onde estão presentes várias pessoas.

Contudo, avança o ISL Science, outras pesquisas – algumas realizadas antes do surgimento da covid-19 – refletiram sobre o que torna certas pessoas mais infecciosas do que outras.

No início de 2019, um estudo publicado na Scientific Reports sugeriu que falar alto pode ser um fator. As experiências da pesquisa mostraram que quanto mais alto uma pessoa fala, mais saliva, muco e aerossóis são expelidos da boca. No entanto, os estudos também descobriram que algumas pessoas produzem mais aerossóis do que outras, mesmo quando falam no mesmo volume.

Uma outra pesquisa indica que algumas pessoas infetadas podem ter uma carga viral mais alta nos seus corpos e por isso libertam mais o vírus. Isto significa que a saliva e os aerossóis provavelmente contêm uma concentração maior de partículas virais, tornando essa pessoa mais infecciosa.

O ambiente circundante também é um fator importante na criação de um momento que o vírus é espalhado por várias pessoas. O estudo indica que uma sala abafada e mal ventilada é um local mais perigoso do que um lugar ao ar livre onde todos mantêm uma distância de pelo menos 2 metros e usam máscara facial.

Ambientes com luz ultravioleta mais forte, temperaturas mais elevadas e níveis mais altos de humidade também são conhecidos por reduzir a taxa de sobrevivência do vírus covid-19 no ar e nas superfícies, reduzindo o risco de disseminação da infeção.

ZAP //

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7 COMENTÁRIOS

  1. Os Super Espalhadores. Tudo isto vai dando vontade de rir.
    As informações contraditórias sucedem-se umas atrás das outras.
    A verdade é que anda tudo com máscara e com confinamentos mas os contágios continuam. Felizmente a maioria das pessoas não é sequer infectada. Alguns apregoam o fim do mundo, outros dizem que o Covid até nem é assim tão mau.
    Uma coisa é certa, as medidas adoptadas até agora não servem para parar os contágios mas sim para alimentar esse grande lobby internacional chamado Covid-19. Reinam sobretudo os fins económicos parece-me.

    • “A verdade é que anda tudo com máscara e com confinamentos mas os contágios continuam.” – Se assim fosse, os contágios não continuavam. O problema aqui é que basta meia dúzia não cumprir as medidas para afectar umas dezenas ou centenas de pessoas…

  2. Se a razão for esta, isso só é possível porque as pessoas não utilizam a máscara.
    Se a razão for esta, isso só é possível porque as pessoas não querem utilizar a máscara.
    Se isto for verdade, a transmissão do vírus só ocorre porque as pessoas não têm máscaras em casa.
    Se isto não for verdadeiro, a transmissão do vírus ocorre porque as pessoas não se lembram de comprar máscaras.

  3. A vacina nem sequer obrigatória vai ser o que revela bem que o vírus não é tido como perigoso o suficiente.
    O importante mesmo é continuar a alimentar os grandes lobbys internacionais que se alimentam de um vírus com aspirações comerciais a pandemia.
    Só o PIB da Pfizer é maior que o de Portugal por exemplo.

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