Rangers 2-2 Benfica | “Power” das águias chega para empatar

José Coelho / Lusa

Num último assomo, o Benfica conseguir empatar um jogo que parecia irremediavelmente perdido. No espaço de três minutos – dos 78 aos 81 -, um autogolo de Tavernier, com intervenção decisiva de Gonçalo Ramos, e Pizzi foram uma espécie de “Power Rangers” que ajudaram a equipa a amealhar um ponto que soube a ouro.

Na noite desta quinta-feira, o Rangers ainda esteve a vencer por 2-0 com os contributos de Arfield e de Roofe, porém, com este desfecho voltou a partilhar a liderança do Grupo D com os mesmos oito pontos dos “encarnados”. No outro embate, o Standard Liège derrotou o Lech Poznań por 2-1.

O jogo explicado em números

  • As presenças de Helton Leite e de Chiquinho foram as principais notas de destaque no XI “encarnado”. Em sentido inverso, Vlachodimos e Pizzi iniciaram o encontro no banco de suplentes. Recorde-se que os lisboetas chegaram a Glasgow com nove baixas: Otamendi (castigado), os indisponíveis físicos André Almeida, Todibo, Nuno Tavares e Pedrinho, Weigl, Taarabt e Darwin Núñez – trio infectado com o vírus da Covid – 19 – e Samaris que não foi inscrito na Liga Europa.
  • Num lance em que explorou os três corredores, o Rangers inaugurou o marcador à terceira tentativa, logo aos sete minutos, por Arfield, ficando expostas algumas das lacunas do processo defensivo das águias. Grimaldo foi passivo, falhou uma intercepção, Rafa foi pouco expedito na dobra a Gilberto, os homens do corredor central não conseguiram aliviar a bola com engenho e estava aberta a via até ao tiro certeiro. É o 20º duelo consecutivo, nas competições europeias, em que o conjunto da Luz sofre golos fora de casa.
  • A partida decorria a um bom ritmo. Na resposta, aos 12 minutos, Grimaldo e Everton combinaram, o brasileiro entrou na área, mas atirou por cima da baliza, e pouco depois Seferovic não conseguiu cabecear quando se encontra em boa posição. Neste período, o Rangers recuava as linhas, convidava o Benfica – que tinha 56% da posse, duas tentativas desenquadradas de visar o alvo mas com imensas dificuldades no ataque posicional – a assumir o controlo do jogo e tentava explorar o contragolpe, com o intuito de apanhar a defensiva portuguesa desposicionada.
  • À meia-hora, rezavam os dados que os escoceses tinha cinco remates, três dos quais enquadrados, contra dois dos benfiquistas, e no que concerne às acções na área adversária, ambos os conjuntos estavam empatados com seis tentativas e havia uma superioridade – estéril – dos forasteiros no que dizia respeito à posse de bola (55%). Arfield 5.4 e Grimaldo 5.0 eram os jogadores em maior destaque nesta fase. 
  • A melhor ocasião criada pelo Benfica apenas nasceu em cima do minuto 45, quando Everton descobriu Rafa que rematou, valendo ao Rangers o corte certeiro de Balogun para canto. Foi apenas o terceiro remate dos visitantes, sendo que nenhum foi na direcção da baliza defendida por Allan McGregor.
  • Ao descanso, a vantagem no marcador pertencia aos homens da antiga lenda do Liverpool, Steven Gerrard, graças a um golo de Scott Arfield na primeira vez que construíram um lance com principio, meio e fim. Os escoceses, depois, souberam gerir a vantagem e foram respondendo às poucas situações de perigo dos portugueses, que foram passivos a defender e pouco esclarecidos a atacar, com duas excepções: um remate sem direcção de Everton ao minuto 12 e um tiro de Rafa em cima do intervalo que foi interceptado. O melhor em campo nos primeiros 46 minutos era o autor do golo, Arfield, com um GoalPoint Rating de 6.6. Trinta e uma acções com a bola, três recuperações de bola, um desarme, uma intercepção e um golo eram os predicados do médio canadiano. Do lado contrário, Grimaldo, não obstante ter falhado no lance que fazia a diferença, tinha a melhor nota com GoalPoint Rating de 6.0. O espanhol esteve envolvido na criação de dois passes para finalização, sofreu uma falta e foi quem mais fez cruzamentos, no total quatro. A rever, as 12 perdas de bola que contabilizou.
  • Ao terceiro minuto da etapa complementar, Seferovic, de cabeça, assistiu Waldschmidt, mas o remate do alemão saiu a escassos centímetros do alvo. Foi a situação mais clara de golo dos vice-campeões nacionais até então. Com Rafa a assumir o risco, o Benfica finalmente começava a imprimir mais agressividade nas suas investidas. Aos 56 minutos, Jorge Jesus procedeu às primeiras duas alterações, retirando Waldschmidt – desinspirado – e Chiquinho – condicionado com um amarelo – e apostando nas entradas de Diogo Gonçalves e Pizzi.
  • O Rangers atacava pela certa, mas sempre que o fazia, criava perigo. Numa investida bem orientada, Roofe do meio da rua desferiu uma bomba e dilatou a vantagem dos líderes da Liga da Escócia à passagem do minuto 69. Dos sete remates dos anfitriões, cinco foram enquadrados e dois terminaram no fundo das redes de Helton Leite. Mais uma vez, a forma pouco acutilante como o Benfica reagiu no momento em que perdeu a bola evidenciou as diversas lacunas da equipa, mormente na zona central.
  • A 12 minutos dos 90, Gonçalo Ramos, que tinha sido lançado aos 69 para a vaga de Gilberto, apareceu no sítio certo e, no primeiro remate enquadrado das “águias” – após oito tentativas -, “obrigou” Tavernier a fazer autogolo.
  • E outro suplente deixou a marca no marcador. Num lance de envolvimento, a bola chegou a Pizzi, que já no interior da área adversária rematou com “violência” e decretou o 2-2. No espaço de apenas três minutos, o Benfica conseguia empatar o duelo, nos únicos dois remates direccionados ao alvo que fez.
  • Com outra atitude, o Benfica parecia revigorado, contrastando com a equipa amorfa, previsível e até aborrecido que “passeou” em grande parte do tempo pelo relvado do Ibrox. Gabriel, aos 87, ficou próximo da “remontada”.
  • No fecho de contas, o Rangers continua invicto a jogar em casa perante adversários portugueses, em dez partidas, soma sete vitórias e três empates. Nas deslocações a solo escocês, o Benfica passou a ter dois empates, uma vitória e quatro desaires. Os homens de Gerrard ainda não sabem o que é perder esta temporada, em 22 duelos contabilizam 18 triunfos e quatro empates. Por seu turno, o emblema da Luz apenas venceu um dos cinco encontros que realizou, na terceira eliminatória da Taça de Portugal ante o Paredes.

O melhor em campo GoalPoint

Roofe foi um dos motores do Rangers, registou um GoalPoint Rating de 6.7 e foi uma constante dor de cabeça para o Benfica. Enquadrou os dois remates feitos, marcou um golaço, conseguiu 44 acções com a bola, sendo que três foram no interior da área adversária, contabilizou seis recuperações de bola, três desarmes e conquistou dois dos três duelos aéreos em que interveio. Como nota negativa, realce para os sete maus controlos de bola que registou e foi driblado em três ocasiões.

Jogadores em foco

  • Gabriel 6.4 – Voltou a assumir a vaga de médio mais defensivo. A primeira metade foi má – parte das 24 perdas da posse e dos três desarmes consentidos ocorreram nesse período -, nunca conseguiu travar os ataques contrários e “mastigou” muito jogo com demasiados toques na bola. Tal como toda a equipa, subiu de produção na etapa complementar, terminando o jogo com dois passes para finalização, quatro cruzamentos, acertou 68 dos 85 passes realizados (80%), gizando, ainda, oito passes progressivos, quatro variações de flanco, liderando no número de acções com a bola e também em termos de recuperações do esférico.
  • Pizzi 6.3 – Alvo de muitas críticas, voltou a demonstrar que é um elemento importante. Suplente utilizado, precisou de apenas 35 minutos para fazer a diferença. Além do golo decisivo, realizou quatro passes valiosos (acção certa feita a menos de 25 metros da baliza) e um cruzamento.
  • Grimaldo 6.2 – Esteve mal no lance que originou o primeiro golo do Rangers, mas teve o mérito de nunca ter desistido, ajudando a equipa a chegar ao empate. Foi o jogador com mais passes valiosos feitos no encontro, no total cinco, teve 107 acções com o esférico, três desarmes e duas intercepções. Em sentido inverso, falhou quatro passes de risco e averbou 28 perdas de posse.
  • Arfield 6.2 – Inaugurou o marcador e durante muito minutos teve o título de MVP, mas caiu de produção nos últimos 15 minutos e o Benfica aproveitou… para empatar.
  • Helton Leite 6.0 – Pelo segundo jogo seguido, relegou Vlachodimos para o banco. Não teve culpas nos dois golos sofridos, mas demonstrou alguma insegurança. Ainda assim realizou quatro defesas, três das quais em remates feitos já dentro da área do Benfica.
  • Gonçalo Ramos 4.9 – Mexeu com o ataque em apenas 23 minutos e foi importante na resposta na fase final da equipa, com três acções com bola na área contrária. Com a aparente falta de soluções na linha da frente, poderá “reclamar” mais oportunidades e minutos de qualidade. A nota baixa deve-se a uma ocasião flagrante falhada.

Resumo

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