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Compras: quem fornece os produtos de “marca branca”?

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As marcas próprias de cada supermercado já ocupam quase metade das compras dos portugueses. Há um “secretismo comercial”.

Cada vez mais portugueses preferem comprar produtos da chamada “marca branca”, a marca própria do supermercado onde estão.

A lei de defesa do consumidor exige que cada empresa deve “informar o consumidor de forma clara, objectiva e adequada” sobre “as características principais dos bens”, bem como “a identidade do fornecedor e o preço total do bem”.

No entanto, isso não se concretiza.

O portal ECO tentou saber, junto de sete grandes retalhistas do país, quem lhes fornece os produtos das duas marcas. Só um respondeu: a Mercadona.

Mas a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) não vê nesta omissão um “processo obscuro”. É uma questão “de posicionamento” e de “secretismo comercial“, disse o director-geral Gonçalo Lobo Xavier lembra.

Os vendedores não querem que os concorrentes saibam de onde vêm os produtos de marca própria.

Além disso, “quem beneficia desta concorrência entre retalhistas é o consumidor porque tem uma maior variedade de produtos, uma maior liberdade de escolha e, sobretudo, preços mais competitivos para fazer as suas compras”.

E Gonçalo Lobo Xavier ainda lembra que estes produtos de marca própria não são grande fonte de lucro para os supermercados: a margem é mais baixa e os custos associados são, muitas vezes, suportados pelo próprio fabricante.

A Mercadona é a excepção porque, explicou a própria, quer reforçar a sua “política de transparência”. Tem cerca de 1.000 fornecedores portugueses de marca própria: Quinta de Jugais, a Casa Relvas ou a Lactifeita, entre outros. Sempre com o número de telefone de apoio ao cliente da empresa em todos os rótulos.

Mesmo o número de fornecedores é “segredo” para mais de metade. O Continente tem mais de 400 fornecedores em Portugal, o Lidl tem 400. As outras empresas – Pingo Doce, Intermarché, Auchan e Minipreço não partilharam essa contabilidade.

Refira-se que os produtos de marca própria chegaram a Portugal em 1984 através da Auchan.

Em Portugal, a “marca branca” ultrapassa os 40% da quota de mercado nacional. É quase metade das compras. Portugal é o quarto país onde se compram mais destes produtos, na Europa.

Os produtos de alimentação são os que têm maior “fatia” na marca própria: 51,3% da quota de mercado; 39,2% na higiene do lar e pessoal e 22,7% nas bebidas.

ZAP //

7 Comments

  1. Quem sabe o que de facto lá metem dentro, sobretudo ao nível da qualidade….

    Mas se há uma lei, não percebo como o “secretismo” comercial possa sobrepor-se à própria lei… e as autoridades comem e calam”?…..
    Já sebemos a resposta ($$$$$$$$)……

  2. Ja forneci produto de marca branca , neste caso tintas, e posso garantir que os padrões de qualidade são acima da média.

  3. Ha produtos brancos bons e mais. É preciso experimentar e escolher. Mas não são iguais às marcas e normalmente são mais pobres nutricionalmente, com mais açúcar ou menos nutrientes saudáveis. Só assim podem ser mais baratos. Convém olhar para os rótulos, comparar e perceber as diferenças. Muitas, mas muitas vezes, também aqui, o barato sai caro.

  4. “Os vendedores não querem que os concorrentes saibam de onde vêm os produtos de marca própria”.
    Nem os concorrentes, nem os consumidores.
    Porque será?

  5. Ler o número de fabricante ajuda a saber qual é a empresa que o produz. O rótulo tem de constar um código ( ex: ILT39) e também a letra PT que nos informa que é em Portugal. … estes códigos podem ser consultados na página da agricultura. O código que escrevi pertence a Gelgurte, fabricante de iogurtes na Guarda!

  6. Os fornecedores/produtores/fabricantes de marca branca, são na sua maioria os mesmos que fornecem/ fabricam as marcas premium. Este comportamento de um produtor se posicionar nas duas linhas é condição necessária para não serem excluídos como fornecedores … O fabricante passa por diminuir as vendas na marca premium, e tem a recompensa de vender um produto por preços muito mais baixos, preços com margens esmagadas, tudo isto para não se ver excluído como fornecedor habitual. É um jogo desigual, entre o cliente e o fornecedor com perdas significativas para este último.

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