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Quase um ano depois de Floyd, morte de Victoria Salazar está a chocar o México e o mundo

Marvin Recinos / AFP

Quase um ano depois de o mundo ter assistido às imagens da morte de George Floyd, uma migrante oriunda de El Salvador foi morta durante uma detenção policial no México, de forma muito semelhante à do afro-americano.

A morte de Victoria Esperanza Salazar, uma migrante oriunda de El Salvador que faleceu no México depois de um agente da polícia da Direção Municipal de Segurança Pública de Tulum ter colocado o joelho em cima das suas costas durante vários minutos, está a indignar o país.

A AFP avança que a vítima mortal foi presa no sábado após uma discussão com o gerente de uma mercearia no balneário de Tulum, em Quintana Roo, e não estava armada quando foi detida.

Segundo a TSF, a autópsia concluiu que Victoria Salazar ficou com o pescoço partido devido à violência policial. Um dos agentes colocou o joelho em cima das costas da mulher, enquanto outros três agentes observavam, sem nada fazerem para o parar.

As imagens mostram que a migrante, de 36 anos, acaba por perder os sentidos. Depois, o corpo já imobilizado ainda algemado e colocado nas traseiras de uma carrinha da polícia.

De acordo com o Al Jazeera, as autoridades disseram que os quatro polícias – três homens e uma mulher – já foram demitidos, detidos e acusados ​​de feminicídio na justiça mexicana, por “uso de força excessiva e desproporcional”.

O diretor de Segurança Pública e Trânsito de Tulum, Nesguer Ignacio Vicencio Méndez, foi destituído do cargo e os agentes envolvidos transferidos para centros de detenção.

“Não haverá impunidade para aqueles que participaram na morte da vítima, e todas as forças da justiça serão chamadas a trazer os responsáveis a julgamento”, afirmou o gabinete do procurador-geral estatal.

Victoria Salazar, mãe solteira de duas filhas, estava a viver no México desde 2018, ao abrigo de um visto humanitário. Imigrou em busca de melhores oportunidades e condições de vida.

O feminicídio foi captado e divulgado nas redes sociais e está a gerar revolta no México e na comunidade internacional, um ano depois de o mundo ter assistido às imagens da morte de George Floyd.

Esta segunda-feira, a mãe de Victoria Salazar, Rosibel Arriaza, confessou sentir-se “indignada, impotente, frustrada“. “Devia ter estado lá como mãe.”

“Ela não merecia esta morte. As autoridades estão aí para proteger o ser humano, com todas as técnicas que têm para tentar dominar alguém. Mas isto foi um abuso de autoridade, por isso peço justiça”, acrescentou, em declarações aos jornalistas.

Andrés Manuel López Obrador, Presidente mexicano, já reagiu ao sucedido, descrevendo o incidente como um “assassinato brutal“.

“Ela foi tratada com brutalidade e morta: é um facto que nos enche de tristeza, dor e vergonha”, disse o governante, durante uma conferência de imprensa. “Aos familiares dela, às mulheres salvadorenhas e mexicanas, às mulheres do mundo, a todos, homens e mulheres, quero dizer que os responsáveis ​​serão punidos.”

O presidente de El Savador, Nayib Bukele, também reagiu, dizendo, no Twitter, estar confiante de que “o Governo mexicano aplicará todo o peso da lei aos responsáveis”. Além disso, deu a garantia de que o Governo do país irá ajudar as duas filhas que a mulher deixa.

https://twitter.com/nayibbukele/status/1376388645213585409

O governante ressalvou, no entanto, que a população mexicana não deve ser responsabilizada pela situação.

“Vejo milhares de mexicanos escandalizados, a exigir justiça pela nossa compatriota. Não nos esqueçamos de que não foi o povo mexicano quem cometeu este crime, foram alguns criminosos na polícia de Tulum”, afirmou.

O assassinato de Victoria Salazar tem motivado vários protestos no Estado mexicano de Quintana Roo. Na segunda-feira, alguns manifestantes colocaram um vaso de plantas e algumas velas no local onde Victoria foi morta e escreveram no chão: “Foi aqui que mataram Victoria“.

  Liliana Malainho, ZAP //

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