Putin enviou tropas para a fronteira com a Ucrânia (e deixou o ocidente em alerta)

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O presidente da Rússia, Vladimir Putin

Vladimir Putin enviou milhares de soldados para a fronteira. Os confrontos no leste da Ucrânia, que até agora atraíam pouca atenção internacional, estão a revelar-se perigosos e alertam o ocidente.

Os últimos dias têm sido de enorme tensão entre Moscovo e Kiev, e, entre ameaças e acusações, levantam-se dúvidas quanto às reais intenções de Putin ao enviar milhares de soldados e tanques militares para vários pontos da fronteira da Rússia com a Ucrânia.

Alguns analistas internacionais defendem que está iminente uma intervenção militar no leste ucraniano, outros sugerem que as manobras representam apenas uma demonstração de força do Kremlin.

Enquanto os líderes europeus, os Estados Unidos e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) manifestam apoio ao Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e deixam avisos ao Kremlin, em Moscovo há a garantia de que as movimentações militares não constituem ameaça e que uma escalada do conflito apenas depende do Ocidente.

Apesar de um acordo de paz assinado em 2015, com mediação da União Europeia (UE), os dois lados continuam a defrontar-se na fronteira dos territórios disputados.

Perante este contexto, a tensão começou a subir no final de março e no início de abril, com o aumento dos confrontos e do número de vítimas, sendo que pelo menos 23 soldados ucranianos já morreram este ano.

Segundo o New York Times, a morte dos soldados, juntamente com o aumento das forças russas na fronteira, chamou a atenção de altos funcionários americanos na Europa e em Washington.

“A escalada com a mobilização [de tropas] está a criar sérias preocupações de que isto é mais do que uma demonstração de força. Há sinais de que a Rússia pode estar a preparar uma ação significativa”, afirmou Nigel Gould-Davies, antigo embaixador do Reino Unido na Bielorrússia, ao Observador.

Maria Raquel Freire, professora da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC), considera que “as movimentações militares russas pretendem uma demonstração de força clara, num contexto onde as relações com o Ocidente permanecem difíceis”.

A especialista acrescenta: “Não podemos excluir uma nova escalada de violência, mas (…) não me parece que os ganhos deste conflito armado superassem as implicações negativas para a Rússia em termos políticos e económicos, e mesmo de segurança”.

Apoio “inabalável”

Nos últimos meses, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, tem estado mais perto do ocidente, e numa chamada telefónica na semana passada com o seu homólogo norte-americano, Joe Biden, ouviu a promessa de um apoio “inabalável” dos Estados Unidos à soberania da Ucrânia.

O apoio também surgiu vindo do secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, do chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, e do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, que também têm manifestado preocupação com as manobras militares da Rússia junto à fronteira ucraniana.

Esta maior aproximação da Ucrânia ao Ocidente – com quem tem acordos de cooperação, mas não de adesão, seja à NATO ou à UE – coincide com a cada vez mais distante relação entre Zelensky e Putin.

No entanto, apesar de o país não fazer parte da aliança, a NATO já anunciou a realização de exercícios militares conjuntos com a Ucrânia.

A escalada de tensão entre Rússia e Ucrânia surge também numa altura em que as relações entre o Kremlin e o Ocidente atravessam uma fase muito conturbada, em parte devido ao envenenamento e condenação a pena de prisão do opositor russo Alexei Navalny.

Contudo, uma ofensiva militar russa na Ucrânia teria consequências imprevisíveis, e em último caso poderia levar a uma guerra aberta entre Ocidente e Rússia. Cenário que Maria Raquel Freire considera pouco provável.

Ana Isabel Moura, ZAP //

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19 COMENTÁRIOS

    • Putin já conseguiu vingar o seu grande mentor espiritual, o autocrata Nicolau I, ocupando a Crimeia. Vamos ver o que se seguirá.

  1. Há paises que vivem à margem da comunidade internacional, quer em termos de democracia interna, de convivencia com outros povos e deveriam ser excluidos da comunidade internacional em todo o tipo de negócios, uma vez que pouco mais se pode fazer . A Russia é um deles, pelo que fez na Crimeia e faz no Leste da Ucrania, A China pelo que está a fazer nos mares tentando criar novas ilhas e avançar “militarmente” mas discretamente conquistando assim novos territorios, por enquanto sobretudo aguas territoriais, para além de roubo de patentes e outras tropelias. Mas estes paises sem os negocios com a comunidade internacional, não poderiam crescer e começar a coloca-los de lado seria uma forma de pressão. Depois temos outros casos não preocupantes para a comunidade internacional, mas sim para o seu proprio povo, como a Venezuela e Coreia do Norte .. mas esses por serem mais pequenos estão a receber o tratamento que os outros também deviam receber

    • Caro amigo está completamente correto no seu raciocino, aliás faço das suas palavras as minhas. China e Rússia deviam ser completamente excluídos completamente de negócios com os países mundiais desenvolvidos, não entraria mais mais dinheiro e no final d contas quais os países que têm cash para lhes dar com os negócios”NÒS”

    • Seria mais assertivo dizer-se que a NATO (diga-se a América) anuncia intervenção na fronteira da Ucrânia com a Rússia em apoio do Governo fascista de Kiev e alerta Putin.

  2. Os americanos e os ingleses empurram a Ucrânia para um confronto armado com a Rússia e depois dizem estar muito admirados com o facto da Rússia se preparar para responder às provocações. Já parece a Geórgia a atacar a Ossécia do Sul, confiada na ajuda americana, para depois levar uma rápida lição militar por parte das tropas russas…

    • Quer dizer os russo roubam território e fazem ameaças diárias e a culpa é dois ingleses e americanos! Olhe4 aconselho-o a mudar a maraca do que fuma! Anda afazer-lhe muito mal à moleirinha.

  3. O Putin é fruto do comunismo soviético e custa-lhe roer o fim da União Soviética, por eles russos, imposta a vários países do leste europeu, as suas intenções não são amistosas certamente, basta reparar a nível interno como lida com opositores e como altera leis para se perpetuar no poder, um ditador nato vindo do KGB que russos e não só terão que suportar por longos anos.

    • Os russos parecem “suportar” Putin muito bem, continuando a apoiá-lo e a votar nele. E se Putin tem defeitos, o problema não é nosso, é apenas dos russos.

      • Quanto a voto tenho muitas dúvidas, quanto ao problema não ser nosso, poderá não ser bem assim, Hitler era alemão ou coisa parecida e o problema foi mundial, Estaline era russo e o problema foi de toda a Europa de Leste com mais ramificações mundiais. Quando se é ditador e se imagina ser o maior do mundo a situação poderá ser grave para todos.

      • Sim, sim… normalmente as eleições russas são isentas e exemplares e, os opositores ao regime não costumam morrer de forma repentina ou ir parar à prisões remotas por crimes inventados….
        Um autêntico paraíso democrático!…

  4. porque ninguém fala num menino de 4 anos que foi morto? dum homem de 71 anos que ia ao galinheiro? porque só falam nos soldados mortos? sabem quantos civis já morreram? as crianças com 6 anos que não sabem o que viver um dia sem guerra? as tropas ucranianas utilizam armamento que foi proibido no acordo do Minsk, porque ninguém fala disso? aldeias dizimadas…. porque ninguém fala das pessoas que vivem lá? e mais uma a noticia começou com tropas russas juntas à fronteira , …. e sabem onde estão tropas ucranianas? todas? estão prontas para atacar como eles chamam “separatistas” , o próprio povo, já foram deslocados junto aos territórios que estão ser atacados há mais de 7 anos… porque em Portugal podem existir regiões autonomas e na Ucrânia não ? Porque alguém precisa deste conflito? porque estão provocar Russia? É que vivem neste território mais de 500 000 russos.

      • Oh m’Eu! tens que comer a papa também do outro lado, ou ainda acreditas que há armas de destruição maciça no Iraque?!

        • Tu “andas a papar gelados com a testa” e tentar misturar situações completamente incomparáveis…
          A Rússia/Putin além de armas destruição maciça, tem a mania que é tudo dele e faz o que lhe apetece – incluindo invadir e anexar territórios de outros países!…

    • E por que razão várias regiões russas não são autónomas ou independentes indo ao encontro do desejo dos seus naturais? O caso ucraniano vem derivado do comunismo russo que açambarcou, invadiu toda a Europa de Leste contra a vontade dos seus naturais, hoje os russos que se encontram no território ucraniano só terão de escolher uma das duas situações, ou aceitam e respeitam a integridade da nação ucraniana, ou pegam nas malas, atravessam a fronteira e instalam-se no seu país.

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