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O PSD “não está refém” do Chega. Ventura representa “o pior na política portuguesa”, diz David Justino

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ppdpsd / Flickr

David Justino, vice-presidente do PSD

David Justino, vice-presidente do PSD, afasta conversações com o Chega de André Ventura, considerando que o seu partido “não está refém”.

No seu discurso final da noite eleitoral, André Ventura, líder do Chega, mandou um recado claro ao PSD: depois de ter obtido um resultado de 11,9% nas presidenciais, Ventura avisou o partido de Rui Rio de que “não haverá Governo sem o Chega”.

À TSF, David Justino, vice-presidente do PSD, reagiu a estas declarações e afastou um cenário de dependência por parte dos sociais-democratas. “Não me sinto nada refém, nem o PSD está refém. André Ventura representa o pior do que há na política portuguesa.”

“Com este Chega é impossível conversar, entendermo-nos sobre seja o que for”, disse o social-democrata.

Justino realçou ainda que não se pode “diabolizar nem empolar” o Chega. Sobre o discurso de Ventura, disse que o candidato “prometeu ir à segunda volta e perdeu, prometeu ter mais votos do que a esquerda e perdeu, prometeu ter mais votos do que Ana Gomes e perdeu”. Ainda assim, no discurso, “parecia que tinha sido o eleito para Presidente”.

Francisco Rodrigues dos Santos também reagiu ao resultado obtido por André Ventura, afirmando que se trata de “uma questão séria” quer para o CDS-PP, quer para a direita. Nesse sentido, o líder centrista propôs uma “visão moderada e sensata” para problemas que preocupam os portugueses.

Paulo Portas tinha apontado, domingo à noite, o facto de haver um partido populista a obter “dois dígitos” numa eleição e que “não se deve desvalorizar e que representa para o PSD, e ainda mais para o CDS, uma questão séria”.

Para Francisco Rodrigues dos Santos, os 500 mil votos alcançados pelo líder do Chega mostram que “há muita gente que está descontente com a situação que o país vive e não se sente realizada com a vida que tem” e que não se sente representada ou ouvida nos seus medos e anseios.

“Um partido como o CDS tem que ter uma lupa para perceber que há um conjunto de temas que não estão a ser discutidos por nenhum outro partido em Portugal, e que deixam uma determinada parte do eleitorado órfão e sem voz”, atirou, dando como exemplos a corrupção, reforma do sistema político, coesão territorial, abandono do interior, falta de oportunidades, precariedade ou a segurança.

Alertando que “no silêncio dos moderados haverá o ruído dos fanáticos e dos extremistas”, o presidente do CDS-PP defendeu que o partido deve “centrar o discurso” nestas temáticas, apresentado “uma visão moderada, sensata e racional das coisas”, para “impedir que haja essa ascensão” do Chega.

Para o centrista, “todos os partidos têm que daqui retirar as suas ilações e dirigir o discurso para quem está órfão de uma voz que as represente”, devendo “abordar determinado tipo de assuntos com seriedade, com humanidade, com preocupação e apresentar soluções razoáveis”, por forma a evitar “entregar esses mesmos problemas a franjas radicais que, por muito estapafúrdias e absurdas que sejam as respostas que apresentam, são as únicas, portanto ficam com o monopólio de uma determinada parte do eleitorado”.

O dirigente defendeu que “a história ensina” que os resultados das “eleições presidenciais esgotam-se no próprio dia” e não podem ser transpostas para umas legislativas, por exemplo, e que “quem perdeu estas eleições verdadeiramente foi o Partido Socialista”, que não apoiou qualquer candidato.

“E o CDS fê-lo e o seu candidato ganhou” à primeira volta, destacou, apontando que “a vitória foi de Marcelo Rebelo de Sousa”, mas o CDS, tendo apoiado o atual Presidente da República e tendo contribuído “para a formação da maioria presidencial”, tem razões para celebrar a sua reeleição.

Questionado sobre as razões para o partido não ter apoiado um candidato próprio, o presidente do CDS disse que “todos os ex-presidentes” do partido acompanharam esta decisão, bem como os órgãos próprios, nomeadamente o Conselho Nacional (órgão máximo entre congressos).

Realçando que Marcelo Rebelo de Sousa é “a melhor pessoa” para exercer o cargo e “apresenta um programa no qual o CDS se revê”, Francisco Rodrigues dos Santos frisou que apoiar a recandidatura do antigo líder do PSD foi uma decisão “lúcida e racional” e considerou que “a esmagadora maioria” do eleitorado centrista “apostou em Marcelo Rebelo de Sousa nestas eleições”.

  Liliana Malainho, ZAP // Lusa

15 Comments

  1. O ventura é apenas oportunista. Este tipo de comentários vindo de políticos tendo em conta o nível de corrupção existente em Portugal é que lhe dão ainda mais força.

    • O Ventura não é oportunista. Antes pelo contrário, é um tipo inteligentíssimo. Ele vê que a classe política e governantes não dão respostas ao povo e que a corrupção anda descaradamente por aí. Ventura criou o partido Chega para capitalizar todos os descontentamentos do povo que não consegue melhorar a sua vida e que as promessas dos governantes foram só para ganhar eleições. Ventura, é a voz desse descontentamento de milhares e milhares de portugueses. É um fenómeno que carece de reflexão urgente e de tomada de um novo rumo para o país. Não sei até se não seria necessário mais do que um Ventura para abanar com este rumo de pobreza que o país leva, desde Sócrates até hoje.

  2. o PIOR que há em PT é a “Democracia” SOcialista, bem plasmada no Caso do Guerra.
    E, o PSD também faz parte do circulo de Vilões que se apoderaram do Estado de Direito, e cuspiram em cima!

  3. Quando é que certas pessoas aprendem que os dinossauros já desapareceram há 60 milhões de anos?? E quando é que aprendem a diferença entre SPD e PSD?? Vergonha!!

  4. O senhor Rui Rio estudou no Colégio Alemão sito na rua Guerra Junqueiro… Mas pelos vistos não aprendeu a língua dos Alemães… Será que ele sabe como se diz Alemanha em Alemão??

  5. Este David Justino diz que o Ventura é pior na política portuguesa, mas nos Açores o PPD aliou-se a ele, o quer dizer que quando nos convém são bons quando não nos convém passam a ser o diabo, assim se vê a qualidade de políticos que temos, não são políticos são oportunistas.

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