PSD e CDS ficam na oposição “se não tiverem cabecinha”

Carlos Barroso / Lusa

Luís Marques Mendes

O ex-líder social-democrata Luís Marques Mendes avisou sexta-feira PSD e CDS que “se não tiverem cabecinha” vão continuar na oposição por mais cinco anos e serão derrotados nas eleições de 2019.

Luís Marques Mendes, antigo presidente do PSD e atual conselheiro de Estado avisou,  num jantar-debate, com o dirigente centrista e ex-eurodeputado Diogo Feio, integrado na escola de quadros da Juventude Popular (JP), a decorrer em Peniche, Leiria, até domingo, que “se os dois partidos não tiverem cabecinha, passam mais cinco anos na oposição”.

Para Marques Mendes, o PSD e o CDS estão “condenados” a entenderem-se no futuro, como já aconteceu no passado, e alertou que o país, governando pelo PS com o apoio do PCP e BE “vive anestesiado”.

“A oposição tem que fazer mais do que anda a fazer”, aconselhou, repetindo a frase por duas vezes, embora não tenha dito o quê, em concreto. E acrescentou que o “dr. António Costa esfrega as mãos de contente porque tem uma nova vitória pela frente“.

O antigo presidente dos sociais-democratas afirmou que o PS, que “não tem uma ADN reformista”, “anda à boleia do crescimento mundial, que é jeitosinho, do crescimento europeu, que é jeitosinho”.

O resultado, admitiu, pode não ser ser “o regresso à bancarrota” de 2011, mas o pais “vai voltar atrás” e hoje “já está na cauda” da Europa em termos de crescimento. “O país vive num clima de anestesia; parece que está tudo bem, mas não está”, afirmou ainda.

Continuando a usar metáforas médicas, Mendes disse que “basta que haja uma pequena constipação na Europa” e Portugal apanhar “uma pneumonia cá dentro” porque não está a aproveitar para fazer reformas neste tempo de “vacas gordas”. E até deteta “sinais de nervosismo nas bolsas” nos Estados Unidos, na Ásia por a Europa, incluindo Portugal, não estar a fazer essas reformas.

Marques Mendes lembrou ainda que, em 2015, foi o primeiro a admitir que PSD e CDS poderia ganhar as eleições, mas poder formar-se um “Governo de sinal contrário”, do PS com a esquerda.

Olhando para o passado recente, e perante uma plateia de jovens militantes centristas em silêncio, também considerou que, “se PSD e CDS tivessem gerido o último ano de governação de forma diferente, teriam ganho a maioria absoluta“.

No início da sua intervenção, Luís Marques Mendes advertiu que Portugal “tem que ter uma estratégia de crescimento económico diferente” e “crescer acima da média europeia e, idealmente, acima de 3%”. “Se não, não ganha o desafio europeu”, acrescentou, criticando depois de o Governo de fazer a “festa, deitar foguetes e apanhar as canas” com um crescimento de 2%, um dos mais baixos na União Europeia.

Como “pistas” para o futuro, defendeu “mais competitividade fiscal“, uma aposta na internacionalização da economia, aproveitando para elogiar o trabalho do ex-líder do CDS Paulo Portas no Governo, e controlar a “dívida pública”. Essa dívida é uma “bomba ao retardador” e pode contagiar o país com uma pneumonia se a Europa tiver uma constipação, acrescentou.

Mendes voltou a usar a imagem da fábula para dizer que é necessária “uma politica que não seja só da cigarra, mas também da formiga” e que não se pode “só distribuir, é preciso criar riqueza”.

Diogo Feio, diretor da escola de quadros da JP e do CDS, que se apresentou como um centrista e um europeísta convicto, respondeu ao desafio de Mendes, dizendo que o CDS “não se deixa acantonar” e “tem de falar para todo o eleitorado”

E, sem se referir ao debate interno na disputa pela liderança no PSD, no início do ano, em que se discutiram muito eventuais entendimentos com os socialistas, Feio recordou a posição do seu partido de “não se aliará nunca ao PS”.

O CDS, sublinhou, quer ser “alternativa ao PS” e “nunca será seu parceiro”.

// Lusa

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