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Centenas de ativistas pelo clima do grupo Extinction Rebellion invadiram esta segunda-feira o centro financeiro de Londres para manifestarem repúdio por as grandes corporações financiarem os combustíveis fósseis.
Muitos manifestantes, protegidos da intensa chuva com lonas verdes e guarda-chuvas, envergaram bandeiras nas quais se via o logótipo do Extinction Rebellion, outros tocavam tambores e alguns distribuíam folhetos em que se lia “sinto muito”, explicando por que se manifestavam, noticiou a agência Lusa.
Exibiram também cartazes com mensagens contra as instituições financeiras e grandes empresas, nos quais pediam para que se deixe de “custear a crise climática”. Durante a semana passada, quando se iniciaram as ações, os ativistas bloquearam o parlamento britânico e ocuparam o aeroporto de London City.
Com os protestos desta segunda-feira nas imediações do Banco de Inglaterra, o grupo pretende mostrar a sua revolta face ao financiamento dos combustíveis fósseis que prejudicam o ambiente.
A Polícia Metropolitana de Londres efetuou várias detenções em torno da entidade financeira, onde foi bloqueado um movimentado cruzamento de trânsito. Espera-se que esta semana dezenas de ativistas compareçam em tribunal, alguns devido à implicação em protestos realizados em abril.
Polícia fornece refeições vegetarianas a detidos
Com a segunda fase dos protestos do movimento ambientalista Extinction Rebellion em Londres a entrar na semana final, Trafalgar Square encontra-se completamente ocupada por tendas e a polícia interveio em força para impedir que os manifestantes bloqueiem algumas das ruas que lá confluem, noticiou o Expresso.
Até sábado, ocorreram mais de mil detenções. Para prover às necessidades alimentares de muitos dos detidos, a polícia encomendou uma grande quantidade de refeições vegetarianas e bebidas sem lactose. Isto apesar de a sua chefe, a Comissária Cressida Dick, se queixar do esforço suplementar a que as manifestações obrigam, levando ao desvio de agentes do combate ao crime violento em Londres.
Janos Marjai / EPA

Entrevistado pelo Sun, um palhaço profissional brasileiro que foi preso nas manifestações admitiu ter sentido medo mas disse que os polícias lhe forneceram “boa comida vegetariana quente, um café e mesmo livros para ler”.
Para muitos ambientalistas, a opção por uma dieta vegetariana é uma questão ética. Dado que o consumo de carne tem custos relativamente elevados para o ambiente e é um dos fatores importantes nas alterações climáticas, praticá-lo deixou de fazer sentido para eles. Com a medida agora aplicada, as autoridades parecem ter conciliado a necessidade de manter a ordem pública com o respeito pelos manifestantes.
A exigência principal do movimento Extinction Rebellion, que usa como símbolo uma ampulheta rodeada por um círculo (para representar o tempo a esgotar-se) parece ser que o governo declare uma emergência climática e se comprometa a reduzir a zero o balanço das emissões de carbono até 2025.
O governo comprometeu-se a fazê-lo, mas até 2050, o que os ambientalistas consideram demasiado tarde. Em Trafalgar Square, quem quiser informação mais técnica sobre o assunto pode dirigir-se a um ponto onde se encontram cientistas. O ator Benedict Cumberbatch foi uma das celebridades que também marcaram presença.
Além de Trafalgar Square, os manifestantes têm alargado a sua ação a outros locais em Londres, incluindo o ministério das Finanças e a BBC, a quem acusam de ocultar o que se está a passar. Entretanto, o primeiro-ministro Boris Johnson chamou aos manifestantes “crusties”, um termo depreciativo que designa jovens sem abrigo ou com aspeto sujo. Acrescentou que deixavam para trás tendas a cheirar a erva.
Em resposta a essa afirmação, o pai do primeiro-ministro, o antigo deputado europeu e quadro do Banco Mundial Stanley Johnson, falando num palco instalado em Trafalgar Square, apoiou os esforços manifestantes para salvar o planeta e disse que ele próprio tinha orgulho em ser um “crusty” não colaborante.
O movimento Extinction Rebellion foi estabelecido em 2018. Em abril passado, já tinha promovido ações em Londres que levaram a centenas de detenções. Um das suas imagens mais distintivas são as procissões lentas e silenciosas de pessoas vestidas com mantos vermelhos (ou verdes) e as caras pintadas de braco, sugerindo algo de ominoso.
Ativistas estarão a ser pagos para protestar
Na última semana, Londres encheu-se de ativistas pelo clima numa operação de protestos encabeçada pelo Extinction Rebellion. Houve quem protestasse em cima de aviões a fazer vídeos em direto, quem bebesse gasolina à frente da conferência sobre petróleo e até quem colasse a mão ao passeio para evitar ser retirado, noticiou o Observador.
No final, cerca de 1300 protestantes foram detidos. Agora, o Daily Mail avançou que o grupo conhecido por este tipo de protestos mais extremos pagou cerca de 400 libras (cerca de 458 euros) por semana a pelo menos 168 ativistas mais influentes – incluindo a neta de um aristocrata – para protestar e utiliza táticas de propaganda para ter mais crianças e “membros da classe trabalhadora” para mudar “a diversidade sócio-económica do grupo”.
O jornal teve acesso a documentos do grupo Extinction Rebellion que mostram que foram gastas mais de 70 mil libras (cerca de 80 mil euros) só em pagamentos. Como este montante foi declarado como despesas gerais, e não pagamento de salários, o grupo pode ter pagar mais de uma centena de milhar de libras em impostos. Por causa disso, um deputado do partido conservador já pediu à autoridade tributária do país para investigar.
Um documento do Extinction Rebellion, designado por “Política e Processos Financeiros”, refere que os voluntários podem pedir ajudas de custo para despesas de deslocação até 400 libras (cerca de 458 euros) – metade se se tratar de protestos em ‘part-time’. O mesmo documento refere que o voluntário “não deve reivindicar mais do que precisa para cobrir as despesas básicas de vida”.
Entre os manifestantes que viram reveladas as folhas de despesas que apresentaram ao grupo, há nomes como o de Tamsin Omond, uma atriz neta de um baronete (um título nobiliárquico da monarquia britânica), que recebeu 1340 libras (cerca de 1535 euros) no final de 2018 para participar nos protestos.
Segundo sua a folha de despesas, o pagamento do montante prende-se com o facto de ter deixado de trabalhar para outros clientes de relações públicas para poder protestar.
Outros manifestantes voluntários pagos, como o realizador Joel Scott-Halkes, recebem cerca de 800 libras mensais para estarem nos protestos. Já os cofundadores do grupo Gail Bradbrook e Roger Hallam terão recebido 600 e 1200 libras mensais, respetivamente, para cobrir despesas de deslocação e comida.
Num outro documento a que o jornal teve acesso, o Extinction Rebellion assume temer ter de pagar centenas de libras por problemas com a forma como declarou os montantes.
Atualmente, a empresa Compassionate Revolution, que é a utilizada pelo grupo Extinction Rebellion para gerir os fundos recebidos, tem cerca de 371 mil libras no banco. Desde 2018, que o grupo já angariou mais de 2,5 milhões de libras em ‘crowdfunding’.
Os maiores doadores foram a banda Radiohead e até a neta de um magnata do petróleo, John Paul Getty. Com este dinheiro, o grupo ativista pró-clima tem financiado projetos como uma viagem pela Europa para “acampar e conectar-se à natureza”.
Além destas medidas, o grupo quer atrair mais “diversidade”, de forma a desconetar-se de uma imagem de um grupo apenas com pessoas “brancas, britânicas, de meia-idade ou pensionista, de classe média, com estudos superiores e provavelmente leitores de esquerda do The Guardian”, como revela um dos documentos.
Num dos documentos a que o jornal teve acesso é possível ler uma das propagandas enviadas: “É da classe trabalhadora? Precisamos de si! Estamos extremamente interessados em aumentar a diversidade sócio-económica do Extinction Rebellion. Se é pobre ou da classe trabalhadora e já é membro, entre em contacto connosco”.
Numa das últimas reuniões do grupo, um dos líderes manifestou preocupação pela falta de representação de “pessoas com deficiências ou pessoas de cor”. Além disso, no mesmo documento sobre a imagem estereotipada dos manifestantes do grupo, é referido que as crianças são um público-alvo deste tipo de organizações para conseguirem apoio.
Em Portugal, o grupo Extinction Rebellion está também representado e já promoveu manifestações mais inusitadas em prole de melhores políticas para melhorar o ambiente.
No final de setembro, ativistas portugueses sentaram-se na Avenida Almirante Reis, junto ao Banco de Portugal, montaram tendas e ameaçaram não sair dali, preparados para ficar toda a noite. O protesto pacífico acabou pelas 21:30 de 27 de setembro, mas elementos da PSP tiveram de retirar os manifestantes à força e uma pessoa foi detida.
A primeira imagem nada tem a ver com a noticia e é claramente na França – basta olhar para o fardamento do policia (que nem sequer é anti-motim)!