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Procurador argentino que denunciou presidente Kirchner encontrado morto

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secretaria_cultura / Flickr

Cristina Kirchner, Presidente da Argentina

Cristina Kirchner, Presidente da Argentina

O Procurador argentino Alberto Nisman, que denunciou a presidente Cristina Kirchner por alegado encobrimento do Irão num atentado contra um centro judaico foi encontrado morto na sua casa em Buenos Aires, revelaram fontes judiciais.

O procurador federal argentino Alberto Nismam foi encontrado morto em sua casa, no bairro de Puerto Madero, no dia em que iria apresentar as conclusões da sua denúncia contra a presidente. As causas da morte de Nisman não foram esclarecidas.

A semana passada, Nisman tinha apresentado um relatório de 300 páginas, com informações obtidas através de escutas telefónicas. O procurador pediu à Justiça a abertura de um inquérito para ouvir depoimentos da presidente Kirchner, do ministro Timerman e de alguns aliados políticos do governo.

No relatório, o procurador federal acusa a presidente Cristina Kirchner e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Héctor Timerman, de negociar com o Irão um “plano de impunidade” para encobrir o envolvimento dos iranianos no pior atentado fundamentalista na história da Argentina, ocorrido há 20 anos.

O atentado ocorreu em 1994, quando um carro-bomba explodiu à porta da Associação Mutual Israelita Argentina, AMIA, destruindo o prédio, no centro de Buenos Aires, e matando 85 pessoas.

infojusnoticias.gob.ar

Alberto Nisman, procurador federal da Argentina

Alberto Nisman, procurador federal da Argentina

Segundo o promotor, as pistas encontradas indicam que o ataque teria sido planeado pelo governo iraniano da altura e executado pelo grupo xiita Hezbollah, com ajuda local.

Foi Néstor Kirchner, presidente da Argentina de 2003 a 2007, que decidiu retomar as investigações do atentado à AMIA, tendo criado para o efeito uma procuradoria especial e colocado Nisman à frente do caso.

Todos os anos, a presidente Cristina Kirchner,  viúva e sucessora de Nestor Kirchner, ao participar da Assembleia Geral das Nações Unidas, lembrava o atentado terrorista e criticava a falta de colaboração do governo iraniano nas investigações.

Mas em 2012 a situação mudou, com a abertura de diálogo com o Irão.

A razão, segundo o procurador, seria de carácter comercial: a Argentina quer trocar os seus grãos por petróleo iraniano.

Além de Kirchner e Timerman, são mencionados no relatório de Nisman outros membros do governo e personalidades da argentina, como o deputado Andrés Larroque, o líder sindical Luis D’Elia e o activista Fernando Esteche.

ZAP / Lusa / ABr

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