Primeiro-ministro de Malta não se demite

Joseph Muscat, primeiro-ministro maltês que está a ser pressionado para se demitir por alegadas ligações a morte de jornalista, disse que se mantém no cargo.

O primeiro-ministro de Malta, Joseph Muscat, não se vai demitir, apesar das pressões sofridas depois de se conhecerem ligações de membros do seu gabinete no âmbito da investigação sobre o assassínio da jornalista Daphne Caruana Galizia.

“Muscat continuará concentrado na prioridade de se encerrar um dos maiores casos criminais da história do país, como prometido, e esse será o momento de responder e falar sobre o caminho a seguir”, refere o comunicado do Governo.

Num Conselho de Ministros que se prolongou pela madrugada desta sexta-feira, os membros do Governo maltês discutiram o afastamento de Muscat e a concessão do perdão ao empresário Yorgen Fenech.

O primeiro-ministro rejeitou o pedido de imunidade para um dos suspeitos do assassínio da jornalista. “Tomei a decisão final com os meus colegas, que decidiram não ser apropriado conceder o perdão”, disse Muscat em conferência de imprensa, citado pelo Público.

Muscat, no poder desde 2013, argumentou que a decisão foi tomada com base nos conselhos do chefe da polícia e do procurador-geral.

Os meios de comunicação tinham adiantado que Joseph Muscat iria apresentar a sua demissão, depois de se ter encontrado com o Presidente maltês, George Vela, durante a manhã. O líder da oposição, Simon Busuttil, do Partido Nacionalista, defendeu que “a saída imediata de Muscat é inevitável e imperativa” para o país.

Daphne Caruana Galizia, de 53 anos, foi morta em 16 de outubro de 2017 com uma bomba colocada no seu automóvel em Bidnija, onde vivia.

A jornalista investigava, na altura, vários políticos malteses, incluindo o primeiro-ministro e a mulher, no âmbito dos Papéis do Panamá, que mostraram como centenas de políticos, empresários e celebridades utilizaram paraísos fiscais para evasão fiscal, lavagem de dinheiro e transações ilegais.

Na semana passada, as autoridades maltesas detiveram o empresário Yorgen Fenech, considerado pela família da jornalista e por alguns meios de comunicação social do país como o ou um dos mandatários do crime.

Yorgen Fenech é diretor e proprietário da Electrogas, que ganhou em 2013 um concurso de vários milhões de euros aberto pelo Estado de Malta para a construção de uma central elétrica de gás. O empresário foi detido a bordo do seu iate, dias depois de ter sido detido um alegado intermediário do crime, Melvin Theuma, a quem foi oferecida imunidade em troca de informação.

Ouvido pela polícia, o empresário Yorgen Fenech envolveu no caso o chefe de gabinete e amigo íntimo do primeiro-ministro Keith Schembri, entretanto detido e interrogado e libertado na noite de quinta-feira.

As alegadas ligações financeiras do dono da Electrogas aos ministros do Turismo, Konrad Mizzi, e da Economia, Chris Cardona, levou à também demissão do cargo dos dois membros do Governo maltês.

A pressão contra o Governo tem aumentado nas ruas da capital de Malta, La Valleta, com protestos contínuos em frente ao parlamento para exigir a saída de Muscat e a verdade sobre um crime que chocou a sociedade.

União Europeia preocupada

De acordo com o diário, o Parlamento Europeu aprovou esta semana o envio de uma “missão urgente” a Malta e a comissária europeia responsável pelo Estado de Direito na União Europeia, Vera Jourova, pediu uma reunião urgente ao Governo maltês.

“Não comentamos investigações nacionais em curso. Dito isto, a Comissão Europeia tem declarado que esperamos uma investigação minuciosa e independente sobre as pessoas responsáveis por este crime, para que sejam levadas à Justiça”, disse a responsável, citada pelo The Guardian.

Temos de enviar um claro sinal a todos os jornalistas: é seguro trabalharem na Europa. Se os jornalistas são silenciados, também o é a democracia. Liberdade de imprensa, pluralismo e a protecção dos jornalistas são a base para uma sociedade livre e democrática”, continuou.

ZAP // Lusa

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