Este é o primeiro chocolate “desperdício zero” do mundo (e até a embalagem tem surpresas)

Tem a forma de uma tablete de chocolate normal, mas tem variados sabores curiosos. Porém, o elemento mais intrigante do doce da Índia é ser o primeiro chocolate com zero desperdício do mundo.

A empresa indiana, Cocoatrait, usa uma combinação de várias tecnologias e ingredientes naturais para produzir uma tablete que tem um impacto mínimo no ambiente – desde a produção, passando pelo consumo, até à embalagem, que é 100% reutilizável.

A ideia de criar a Cocoatrait surgiu após uma viagem à Bélgica em 2013. Nitin Chordia, fundador da empresa, tinha deixado o seu emprego como consultor e queria “investir em algo próprio”, segundo contou, em declarações ao OZY.

Na Bélgica, Chordia conheceu Martin Christy, uma voz líder na indústria de chocolates refinados. Algumas semanas depois, Christy convidou Chordia para um curso de apreciação de chocolate de um dia no Reino Unido. Quando voltou, voltou convencido de que tinha encontrado a sua vocação.

Chordia juntou-se ao programa de acreditação de provadores de chocolate de nível 1 do Instituto Internacional de Degustação de Chocolate e Cacau no Reino Unido, tornando-se o primeiro indiano a ser certificado globalmente como provador de chocolate.

Em casa, em Chennai, Chordia começou com pequenos lotes de grãos de cacau locais. Chordia e a sua esposa, Poonam, deram aulas de degustação de chocolate e cursos de certificação. Em 2018, os seus alunos começaram a perguntar por que não tinham a sua própria marca de chocolate. E foi aí que o casal decidiu avançar nesse sentido.

Porém, o casal eco-consciente estava a entrar num setor notório pelas suas práticas insustentáveis. Em 2018, investigadores da Universidade de Manchester descobriram que uma barra de chocolate precisa de 1.000 litros de água para ser produzida e que a indústria de chocolate no Reino Unido gera 2,1 toneladas de emissões de carbono anualmente.

Assim, o casal decidiu que faria as coisas de forma diferente. Tudo começou com a busca de um invólucro mais sustentável e ecológico.

“Eu queria ter certeza de que a embalagem externa do chocolate não tinha plástico ou papel”, disse Chordia. Foi quando aí que se deparou com a ideia de algodão recuperado e cascas de grãos de cacau. A combinação não só é biodegradável, como também é ultrafina, por isso a barra ocupa menos espaço nas prateleiras das lojas e é mais leve de transportar, reduzindo a sua pegada de carbono.

Esta é uma revelação na indústria do chocolate. Mas há mais: virando a embalagem de dentro para fora, é possível encontrar arte mandala – padrões geométricos que, nas religiões asiáticas, representam a beleza e agem como ferramentas espirituais e auxiliares de meditação. Os invólucros também têm rastreadores de hábitos.

A ideia desta embalagem tem como objetivo tornar o invólucro em algo que vale a pena preservar, para que os consumidores não o coloquem automaticamente no lixo. “Pode ser usado novamente como um cartão de felicitações”, explicou Chordia.

O chocolate é feito com açúcar não refinado e ingredientes naturais cultivados organicamente. Está disponível em 11 sabores – café sukku, rosa, negro, açúcar de palmeira, erva-limão, café creme irlandês, lavanda, coco e canela, banana, masala chai e rosa vermelha. Muitos dos sabores são indianos, mas todos os ingredientes são provenientes de comunidades locais.

Cada tablete custa entre três e quatro dólares (equivalente a entre 2,74 e 3,65 euros). A demanda está a crescer: os chocolates já estão disponíveis na maioria das lojas de alimentos sustentáveis da Índia e podem ser encomendados online no site da Cocoatrait. Chordia também começou a receber pedidos de lojas sustentáveis e orgânicas noutros países.

Estes não são os únicos chocolates que se dizem sustentáveis e ecológicos. As embalagens dos chocolates de sementes e feijões no Reino Unido, por exemplo, são desperdício zero – são feitos de um filme flexível de celulose construído com polpa de madeira de eucalipto. Porém, os ingredientes do chocolate viajam milhares de quilómetros desde a República Dominicana.

“Embora tenham sido feitas tentativas para tornar o chocolate mais ecológico e sustentável, não houve uma tentativa de torná-lo 100% desperdício zero”, disse Chordia.

ZAP //

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