Portugueses compram genéricos mais caros porque desconfiam dos baratos

massdistraction / Flickr

A maioria dos portugueses está a comprar os genéricos mais caros por culpa própria mas também por imposição das farmácias, que perdem dinheiro com a venda dos mais baratos.

A notícia é adiantada pelo Jornal de Notícias, que revela que só um terço dos genéricos vendidos em Portugal estão entre os mais baratos e os utentes poupariam 18 milhões de euros por ano se essa percentagem subisse de 33% para 43%.

Segundo o Infarmed – Autoridade Nacional do Medicamento, os utentes desconfiam dos genéricos mais baratos apesar de os testes laboratoriais comprovarem que a qualidade dos medicamentos é a mesma.

Há utentes que associam erradamente que o baixo preço é sinónimo de má qualidade de um genérico e preferem pagar mais, convencidos que estão a comprar melhor.

No entanto, também há farmácias que só vendem os genéricos mais caros porque perdem dinheiro com os mais baratos.

De acordo com dados da Associação Nacional de Farmácias, divulgados pelo JN, as farmácias perdiam, em média, 39 cêntimos por cada genérico vendido.

Agora, o Ministério da Saúde já está a pagar uma comparticipação de 35 cêntimos às farmácias por cada genérico vendido dos mais baratos.

“Se estimularmos as farmácias a dispensarem um dos quatro genéricos mais baratos, sempre que possível, haverá mais competição no próprio mercado”, explicou Hélder Mota Filipe, membro do conselho directivo do Infarmed.

ZAP //

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6 COMENTÁRIOS

  1. Isto é sem dúvida um grande problema.
    Num exemplo recente, necessitei comprar um medicamento na farmácia, com receita, e pediram-me 12€. Referi que na receita tinha a mensagem comum “este medicamento não deve custar mais do que 3€”. A farmacêutica respondeu que esses valores nem sempre estão atualizados e referiu ainda que aquele medicamento que me estava a vender era dos mais baratos, era genérico, e que se quisesse tinha outra marca disponível por 25€. Respondi que ia pensar melhor e fui para casa pesquisar na internet.
    Procurei o meu medicamento no infarmed e encontrei a tabela com todos os fabricantes e respetivos preços para os vários tipos de caixas disponíveis. Para as gramas e nº de comprimidos que procurava o preço na lista variava entre 2€ e 25€ (meu deus!).
    Fui a uma farmácia diferente, pedi o medicamento genérico mais barato que tivessem e vendiam-me uma caixa por 5,50€. Comprei porque não ia estar a perder mais tempo à procura do tal genérico de 2€ que podia nem sequer encontrar.

    Mas resumindo, este medicamento em questão, o qual necessito comprar uma caixa por mês, pode custar no meu orçamento 2€ ou 12€ ou 25€, só depende da farmácia que visito. E as farmácias são um negócio e não têm interesse em vender-me o mais barato. A senhora da primeira farmácia claramente tentou ocultar informação e foi desonesta.
    É triste que em questões de saúde aconteçam este tipo de situações, mas enfim.

    • Por causa de situação semelhante – a Farmácia dizia que não havia genérico para o meu remédio – passei a levar uma lista dos genéricos que pretendo aviar.
      Na presença da lista do Infarmed, consigo “forçar” o fornecimento do genérico da Farmacêutica que me é financeiramente mais vantajoso.
      Mas acabo, quase sempre, por esperar 1 a 2 dias para que o dito genérico seja encomendado à distribuidora.

  2. A frase “por culpa própria” acaba por não se adaptar corretamente à situação.

    O doente necessita medicamentos e não tem um diploma em farmácia ou medicina, logo necessita de ajuda dos especialistas. Cabe ao médico e ao farmacêutico ajudar o doente. Infelizmente ambos têm interesse em vender o máximo de produtos ao maior preço possível, e logo, em vez de avisar o doente “temos este medicamento mais barato” ou “procure este genérico mais barato”, nada dizem, calam-se, e tentam impingir os produtos que mais lucro lhes dá.
    Assim sendo, a culpa pode ser um pouquinho do cidadão, mas é muitíssimo mais do capitalismo e da ganância.

  3. A minha experiência como utente é a de que, com raríssimas excepções, as farmácias não têm os genéricos mais baratos e tentam ‘impingir’ outros, mais caros, ao cliente.
    Por outro lado, os genéricos não são todos iguais, nem são todos igualmente eficazes. Há mesmo genéricos (por exemplo os de furosemida), cuja eficácia é claramente inferior ao do medicamento de marca.
    Apesar de o princípio activo ser o mesmo, a verdade é que há tantos passos no fabrico dos medicamentos, que nem sempre a eficácia do produto final não é igual à do original.
    Isso passa-se, aliás, noutros aspectos do dia-a-dia. Por exemplo, os ingredientes do caldo verde são sempre os mesmos, mas o sabor pode ser muito diferente de restaurante para restaurante…

    • Não há duvida que a saúde é um negócio, tal como todos os outros setores. Se é “grande”, situando-nos na esfera da industria farmacêutica, tenho serias duvidas que o seja neste tempo. Trata-se de um mercado em profunda contracção, desde, pelo menos, 2002/2003, que aliás é visivel, por quem conheça o setor, atraves da drástica diminuição de profissionais (DIM), o aparecimento de condições de contratação impensáveis há uns anos, muitas delas quase roçam o degradante., o encerramento de farmäcias, algo impensável há um par de anos, como todos sabemos, etc, etc.
      Parto daqui para concluir que, sendo as farmácias um negócio, com todas as obrigações legais a que estão sujeitos, lutam também elas pela sobrevivência porém, nem sempre se pode interpretar como “enganar” os consumidores pelo facto da farmácia ter vendido um produto mais caro. Muito provavelmente prestou um bom trabalho e o doente foi mais bem servido (não me estou a referir a MNSRM ou OTC’s).

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