Portuguesa que escreveu a “Dieta de Auschwitz” volta a causar revolta

H. L. Clyn Hughes / Wikimedia

Libertação do Campo de Concentração Nazi de Berger-Belsen, em 17 de Abril de 1945.

O campo de concentração de Auschwitz, localizado no sul da Polónia, é um dos grandes símbolos do Holocausto, perpetrado pelos nazis, durante a Segunda Guerra Mundial. E, por isso, um livro que pretende exaltar a suposta eficácia da “dieta de Auschwitz” volta a causar polémica.

Intitulado “A Dieta de Auschwitz vs O Pão Nosso de Cada Dia”, o livro de Emília Pinheiro foi lançado em Portugal em 2011 mas volta agora a dar que falar nas redes sociais.

Auschwitz ficou conhecido por ser um dos mais cruéis campos de concentração do regime nazi, onde milhares de judeus, ciganos, homossexuais e elementos de minorias religiosas foram submetidos a tortura, trabalhos forçados extenuantes, experiências médicas desumanas, a muita fome – e finalmente mortos nas câmaras de gás.

Assim, só o facto de Emília O.G. Pinheiro realçar “a dieta de Auschwitz” no título do seu livro já suscita revolta. Mas a forma como o tema é apresentado, contribui, ainda mais, para a polémica.

Como se não bastasse, a obra da autora portuguesa foi lançada pela Editora Ariana, que aparentemente por coincidência partilha o nome com o termo usado para a apologia da “raça pura”, ou “raça ariana”, um dos grandes lemas do regime nazi.

Nos comentários que surgem no Facebook, a consternação é geral, estranhando-se o absurdo de se relacionar um campo de concentração, onde a fome não era opcional, com uma dieta, onde existe opção.

“Afinal, vivemos para comer ou comemos para viver?”, é a pergunta que surge na contracapa do livro, onde se explica que a obra faz um paralelismo entre “a fome e a destruição” da era nazi, em que as “rações” mal chegavam “a 10% da alimentação que seria necessária para alimentar os milhares de bocas famintas”, e as dietas dos tempos modernos e, ainda, a “desenfreada comilança” de quem come como se temesse que “toda a comida do planeta tivesse a capacidade de se esgotar”.

Entre as muitas reacções críticas que surgem ao livro nas redes sociais, estão as do ex-diplomata português Francisco Seixas da Costa e do humorista João Quadros.

Emília O.G. Pinheiro nasceu nos Açores, na Ilha Terceira, mas está radicada no Brasil desde Outubro de 1979.

Apresentando-se como especialista em terapêutica ortomolecular e em dieta pelo tipo sanguíneo, a escritora justificava, em 2016, em entrevista à revista Sábado, que a sua obra pretende realçar que “o acto de nos alimentarmos de forma correcta é soberano e essencial à vida, para que não sejamos passivamente aprisionados e exterminados, aqui, pelos nossos próprios vícios”.

A autora notava também que é descendente de judeus, por parte da mãe, e realçava que sente um “orgulho enorme” pela sua história de família, bem como “uma profunda tristeza e revolta por todas as atrocidades cometidas” pelos nazis.

Emília O.G. Pinheiro ainda referia que escrever o livro foi uma forma de “trazer à lembrança aqueles milhares de prisioneiros exterminados sumariamente, sem direito a qualquer tipo de julgamento e de justiça”.

ZAP // HiperFM

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9 COMENTÁRIOS

  1. era melhor escrever” a dieta de maduro”.. muito mais actual e mais facil de comprovar….claro que se a sra tivesse usado este titulo.. provavelmente os comentarios dos seixas e dos quadros fossem talvez mais rebuscados….
    nao me identifico minimamente com qualquer das partes interessadas no assunto….so nao percebo muito bem que odio sera esse às dietas e a liberdade de expressao?.. terao o mesmo odio aos versos satanicos ? ou escreveram algo em defesa de uma dezena de cristaos catolicos condenados a morte pelas hordes talibans ontem?

  2. Estamos na era do ofendidismo e da indignação fáceis!

    Se bem que se possa criticar a designação “Dieta de Auschwitz”, o que a autora diz é cientificamente correcto: quase todos os habitantes de países ricos ou equiparáveis (como Portugal) ingerem calorias em excesso e isso tem consequências negativas a vários níveis, saúde incluída. Está cientificamente provado que pessoas que passaram por restrições alimentares, vivem mais tempo.

    E a autora foi bastante clara quanto à sua demarcação das atrocidades cometidas na Segunda Grande Guerra.

    • concerteza….mais que obvio…. toda a gente percebeu qual o radicalismo dessa dieta….. so que ha muita gente que gosta de protagonismo e nao sabe bem como alcança-lo entao deita se a fazer comentarios aberrantes e que denotam apenas falta de etica e responsabilidade social.
      gostei do seu post….ainda bem que consegue explicar a certos cretinos o que significa bom senso.. eu ja nao conseguia faze-lo “tal se me enrrolam as tripas”, com certas pseudo ideias de certas pseudo figuras!!!.

  3. amen….tanta gente neste momento a ser morta , violada, torturada, fuzilada…..a morrer a fome e as maos dos sanguinarios marxistas…e certas figuras caricatas preocupadas com a dieta……. se ainda fosse a dieta do maduro, ainda tinha a ver com portugal e com muitos portugueses a terem que fugir da fome e da miseria….
    mas será que essas figuras caricatas ja saltaram a terreiro a condenar essas barbaridades???

  4. Pelos vistos um livro escrito por quem se julgará competente para tal e depois acaba numa barracada sem pés nem cabeça, é o que deduzo de tudo isto, mas como estamos em tempo de loucuras é apenas mais uma.

  5. Numa sociedade onde tudo orbita à volta da comida, tudo se festeja com comida bem “regada”, chora-se a mastigar, onde se está sempre à espera da próxima dentada-sensação, e pior, onde em cada cesto de compras que se trás para casa a disparidade da percentagem entre os produtos “bem” empacotados cheios de estimulantes do apetite, conservantes que os fazem perdurar até à próxima geração e ludibriantes visuais e os que deveriam ser consumidos, infelizmente é inglória para o primeiro e muita gente acha óptimo, é difícil mudar mentalidades que não entendem a mensagem que o livro tenta transmitir, mas só olham ao cenário de terror que o livro referencia.
    https://zap.aeiou.pt/morreu-aos-113-anos-yisrael-kristal-homem-velho-do-mundo-170157

  6. É um assunto delicado e é muito estúpido usá-lo sem um bom e muito sério motivo.

    É também claro que é origem de (muita) publicidade imediata e gratuita, o que me leva imediatamente a questionar duplamente o respectivo uso e repudiar o que e quem tão vilmente se aproveita – ou tenta aproveitar-se.

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