Portugal pode receber mais de 300 afegãos. Há 840 famílias de acolhimento disponíveis

Mulheres refugiadas do Afeganistão

Além da lista prioritária de 166 afegãos, por terem trabalhado com as forças nacionais ou com a NATO e a UE no país, Portugal tem disponibilidade para receber mais de 300 cidadãos.

Portugal está disponível para receber muitos mais cidadãos afegãos do que o número inicialmente avançado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros Augusto Santos Silva, ou seja, 50 cidadãos.

Em resposta ao Diário de Notícias, os Ministérios da Presidência, da Administração Interna, dos Negócios Estrangeiros e da Defesa Nacional afirmaram que “estão a ser desenvolvidos todos os esforços para retirar as pessoas que constam da lista prioritária de Portugal, por terem trabalhado diretamente para as forças nacionais destacadas no Afeganistão”.



No total, segundo o jornal, são 116 cidadãos, entre colaboradores e respetivas famílias. Em segundo lugar, estão os cidadãos afegãos que colaboraram com a NATO e também com a União Europeia, por exemplo no apoio à embaixada em Cabul. Serão mais 50 pessoas. Posteriormente, escreve o DN, o país poderá acolher afegãos no quadro de operações de proteção conduzidas pelas Nações Unidas.

Nos últimos dias, o Alto Comissariado para as Migrações (ACM) apelou aos portugueses para receberem famílias, tendo já confirmado que a resposta tem sido “bastante positiva”.

“Dispomos, até ao momento, da confirmação de disponibilidade de acolhimento de mais de 300 cidadãos, distribuídos pelo país”, referiu.

Disponibilizaram alojamento imediato a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, as Câmaras de Sintra, Fundão e Lisboa, a Cruz Vermelha Portuguesa, o Conselho Português para os Refugiados e as organizações ADOLESCER, ENTREMUNDOS, Púcura de Barro, Fios e Desafios, FISOOT Lda. e o Centro Social Soutelo.

Segundo o semanário Expresso, entre 17 e 20 de agosto, responderam positivamente ao apelo 4429 pessoas, com 8806 ofertas de ajuda: 840 portugueses disponibilizaram-se como famílias de acolhimento, sendo que 350 estão dispostos a ceder alojamento, 4666 com bens essenciais, 1611 com apoio social, 941 com apoio psicológico, entre outras.

Além do formulário disponibilizado para os cidadãos, a ACM fez um outro para as organizações da sociedade civil, tendo recebido já 31 respostas.

“Até ao momento recebemos 31 respostas de organizações/entidades de acolhimento, demonstrando a sua disponibilidade para apoiar, em áreas tão distintas como o acolhimento/alojamento, criação de postos de trabalho ou disponibilização de bens essenciais”, revelou o Ministério dos Negócios Estrangeiros ao semanário.

Sampaio anuncia reforço de emergência de bolsas de estudos

O antigo Presidente da República anunciou, esta quinta-feira, que a Plataforma Global para os Estudantes Sírios, a que preside, está a preparar um reforço do programa de emergência de bolsas de estudos e oportunidades académicas para jovens afegãs.

Num artigo publicado esta quinta-feira no jornal Público, Jorge Sampaio faz um apelo a todos os parceiros da Plataforma, às entidades oficiais, às instituições do Ensino Superior, centros de estudos e investigação, bem como empresas, fundações, outras organizações e particulares, para que colaborem mais, disponibilizem apoios, oportunidades académicas e profissionais, estágios e vagas para as jovens afegãs.

O ex-chefe de Estado lembra que o programa de bolsas de estudo para estudantes sírios, com o objetivo de contribuir para dar resposta à emergência académica que o conflito na Síria criara, deixando milhares de jovens para trás sem acesso à educação, foi lançado em 2013 pela Plataforma Global para os Estudantes Sírios.

“Entretanto, a Plataforma foi alargando o seu âmbito de atuação para além da crise síria, e hoje trabalha na criação de um Mecanismo de Resposta Rápida para o Ensino Superior nas Emergências (RRM). Neste contexto, está agora a ser preparado, para além de um reforço do programa de bolsas para estudantes sírios, libaneses e outros, um programa de emergência de bolsas de estudo e de oportunidades académicas para jovens afegãs“, adianta.

No artigo, o antigo Presidente da República sublinha que não se pode responder às crises humanitárias “ao sabor de modas e ignorá-las por razões de cansaço, enfado ou indiferença”.

“A crise síria no Iémen, no Haiti, no Tigray, no Sudão, no Sudão do Sul, na Somália, em Cabo Delgado ou a atual situação no Afeganistão, para citar apenas alguns exemplos, atingem homens, mulheres, jovens e crianças com a mesma gravidade, igual força e idêntica desesperança“, salientou.

De acordo com Jorge Sampaio, importa intervir sempre no completo respeito pelos princípios da humanidade, neutralidade, independência e imparcialidade, subjacentes à atuação humanitária, seja em que domínio, setor ou local se trate.

O antigo Presidente lembra também que a experiência dos últimos sete anos com a integração de estudantes sírios tem mostrado ser duplamente benéfica para os estudantes e para as comunidades de acolhimento que desta forma se renovam, dinamizam e reforçam o seu potencial criativo e produtivo.

“E mesmo que assim não fosse, nunca seria demais recordar que a solidariedade não é facultativa, mas um dever que resulta do artigo 1.º da Declaração Universal dos Direitos Humanos — ‘Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade'”, refere.

  ZAP // Lusa

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3 COMENTÁRIOS

  1. Enquanto o Trump foi presidente dos EUA, esta situação nunca ocorreu. E ainda vêm aqui os de esquerda dizer que ele provocou esta revolta por parte dos afegãos. Tenham vergonha, carago!
    FOI O PRESIDENTE DORMINHOCO!

  2. MIGRAÇÂO – Portugal está se tornando o paraíso para os imigrantes do além-mar , do ultramar e das profundezas oceânicas. Vamos ter futuro enclaves de povos orientais, africanos, sul americanos. O interessante é que os lusitanos estão deixando a Pátria a procura de melhores condições de emprego. A Inglaterra possui times de futebol formado somente com jogadores portugueses; a Alemanha, Luxemburgo, França não demoram a abrigar mais portugueses do que o próprio Portugal. Isto tudo sem se falar nos que vieram para o Brasil. Num passado distante os Árabes deitaram e rolaram e saíram deixando rastros de pobreza e miséria. O que se ganhou ? Nada. A língua portuguesa cheia de AL….. É Portugal COVID-19 . É o que pensa joaoluizgondimaguiargondim [email protected]

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