Portugal está mais apto no combate aos incêndios. Bombeiros desconfiam

Paulo Novais / Lusa

O secretário de Estado da Proteção Civil afirmou, esta segunda-feira, que Portugal está “mais limpo e capaz” de defender dos incêndios a vida de quem mora no interior, com novas capacidades de comunicações de emergência e limpeza de material combustível.

No encerramento do congresso da Associação Nacional de Bombeiros Profissionais (ANBP), em Dafundo, José Artur Neves anunciou que entre as novidades está um sistema que permitirá aos comandantes saber exatamente onde estão todos os bombeiros a combater um incêndio, uma função nova do SIRESP.

O sistema está a ser instalado em todos os postos de bombeiros e usa georreferenciação para permitir “fazer o desenho do desenvolvimento dos fogos”, referiu o secretário de Estado, que indicou que estão a ser instalados “sistemas de redundância” na rede SIRESP, para evitar “no período crítico” os “lapsos que já vêm de há vários anos”. No terreno estarão mais de dez mil bombeiros, haverá 39 meios aéreos e estruturas de ataque ao fogo aplicadas.

Aos bombeiros profissionais, José Artur Neves afirmou que, a curto prazo, o Governo criará novas carreiras para os diversos ramos do setor, juntando sapadores e bombeiros municipais numa única carreira de sapador bombeiro e criando uma nova carreira para integrar, numa Força Especial de Proteção Civil, os membros da Força Especial de Bombeiros.

O presidente da ANBP, Fernando Curto afirmou que são “passos na direção certa”, mas que os profissionais querem um estatuto e carreira única, promessa reivindicada há dez anos. Fernando Curto criticou o que considera ser uma excessiva militarização dos comandos dentro da Autoridade Nacional de Proteção Civil e alertou para a média de idades dos bombeiros profissionais, que está entre os 45 e os 50 anos.

À frente de bombeiros profissionais são colocados “militares, GNR, doutores, PSP”, o que a classe entende como “uma desvalorização muito grande“.

Os bombeiros profissionais continuam à espera de ser ouvidos para a nova lei orgânica da Proteção Civil e Fernando Curto não acredita que se consiga criar “legislação suficiente para mover o setor” até ao início do período crítico dos fogos.

Além disso, alerta, a campanha de limpeza de material combustível, que o Governo iniciou chamando a atenção para as multas que esperariam os proprietários que não limpassem os terrenos, não é suficiente. “Pode-se cortar hectares de tudo, mas corre-se o risco de haver em julho e agosto uma nova manta seca que é o arvoredo que vai crescer e secar rapidamente. Aí, quem vai fazer prevenção?”, questionou.

Em relação ao dispositivo para este ano, considera que “não está muito diferente mas está organizado de outra maneira, o que nos cria expectativa”, apontando que como era antes, “com horas certas e períodos, era uma anedota” e destacando que agora todos os meios estão sempre disponíveis. Fernando Curto espera que essa disponibilidade de meios chegue às equipas de primeira intervenção e à Força Especial de Bombeiros.

O ano de 2017 não se pode reperir“, alerta.

// Lusa

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