FIlipe Amorim / Lusa

Presidente dos encarnados e Reinaldo Teixeira, candidato à liderança da Liga, mantinham relação empresarial e estiveram envolvidos na venda de 49 moradias no Algarve entre 2006 e 2016, no valor de mais de 6 milhões de euros.
As eleições para a presidência da Liga Portuguesa estão a criar uma guerra entre os presidentes do FC Porto e SL Benfica. Tudo por causa de um negócio imobiliário entre Rui Costa e Reinaldo Teixeira, atual coordenador dos delegados da Liga e candidato à liderança do organismo.
Os dois estiveram envolvidos na venda de 49 moradias no Algarve entre 2006 e 2016, no valor de mais de 6 milhões de euros, avança o Correio da Manhã, e André Villas-Boas considera que o negócio constitui um “conflito de interesses inaceitável” que levanta dúvidas sobre a “idoneidade” do candidato no contexto das funções que exerce desde 2015 na Liga.
A relação entre os dois remontará a 2004, quando ainda mantinham atividade empresarial conjunta através das empresas Garvetur, pertencente a Reinaldo Teixeira, e 10 Invest, associada a Rui Costa.
O primeiro empreendimento conjunto foi o “Costa de Cabanas”, localizado no concelho de Tavira. Mais tarde, em 2005, foi estabelecida uma nova parceria para o desenvolvimento do “Benagil Villas”, um projeto imobiliário de luxo junto à praia do Carvoeiro, em Lagoa. Com moradias de tipologia V2, o empreendimento oferecia acabamentos de alta qualidade, terraços, jardins, piscinas e parque privado. A comercialização decorreu entre 2006 e 2016, com a venda das tais 49 moradias.
A última unidade foi vendida em 2016, ano em que Reinaldo Teixeira já desempenhava funções como coordenador dos delegados e avaliadores da Liga — e Rui Costa já era administrador da SAD do Benfica.
Em resposta às acusações dos azuis e brancos, o Benfica acusa o FC Porto de mudar de opinião: diz que Villas-Boas já tinha mostrado “em diversas reuniões e conversas”, apoio a Reinaldo Teixeira. “Ficámos a saber que a palavra pouco ou nada vale para o presidente do FC Porto”, avançaram os encarnados, criticando que com “manifesta má-fé, se procure colocar em causa a integridade de pessoas e instituições”. Diz o Benfica que o negócio comercial foi “totalmente legítimo e transparente celebrado há 20 anos”.
Os dragões querem agora saber se Reinaldo Teixeira “está ou esteve em situação de incompatibilidade e/ou conflito de interesses no contexto da sua atividade enquanto coordenador dos delegados da Liga Portugal” e pede que a Liga “se pronuncie com caráter de urgência”, lê-se num segundo comunicado dos portistas, mas o organismo não o deve fazer para já, segundo o CM.
“O FC Porto subscreveu uma só candidatura” e “não emitiu qualquer juízo sobre a legitimidade dos negócios”, esclarecem os dragões.
Reinaldo Teixeira também se defendeu publicamente: “Eu tenho várias atividades empresariais… Não fiz nada que, de forma consciente, confira incompatibilidade. Atuo dentro dos princípios e dos valores pelos quais a vida deve ser conduzida”, disse o candidato esta quarta-feira. E diz que o referido negócio “foi iniciado em 2004 e formalizado em 2006, quando Rui Costa ainda era jogador de futebol”.
O candidato apresentou uma candidatura apoiada por 17 sociedades desportivas, alegando que teve, numa fase inicial, o apoio dos três grandes clubes e do Sp. Braga. Contudo, FC Porto e Braga acabaram por retirar o seu apoio. Reinaldo disse que o presidente da FPF, Pedro Proença, só o apoiará institucionalmente, caso venha a ser eleito.