Porto 0-0 Man City | Pragmatismo portista garante “oitavos”

O FC Porto está nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões. Os “azuis-e-brancos” precisavam apenas de um empate, ou que o Olympiacos não vencesse em França, em casa do Marselha, e ambos os pressupostos aconteceram – a equipa de André Villas-Boas bateu a de Pedro Martins por 2-1.

No Dragão, os portistas defenderam muito, tiveram felicidade em alguns lances e conseguiram um nulo, perante ingleses muito pressionantes e perdulários. Após 66 jogos sempre a marcar no seu estádio, o Porto ficou finalmente em branco.

 

O jogo explicado em números

  • Para esta partida, Sérgio Conceição apostou no reforço defensivo, com três centrais, Malang Sarr, Diogo Leite e Chancel Mbemba, e dois alas, Zaidu na esquerda e Manafá na direita. O meio-campo um tridente composto por Uribe, Sérgio Oliveira e Otávio, com Corona a fazer companhia a Marega como homens mais adiantados.
  • Primeiro quarto-de-hora difícil para o Porto, completamente empurrado para o seu meio-campo pelo City. Foram 66% de posse de bola nesta fase da partida para a formação visitante, embora, dos dois lados, nenhuma das equipas tenha ensaiado qualquer remate. Destaque para os 90% de eficácia de passe do City nesta altura. Mas aos poucos, o “dragão” começou a sacudir a pressão.
  • Mas a verdade é que o jogo chegou à meia-hora sem quaisquer remates. Este um dado que reflectia um encontro com o Porto recuado, na expectativa, e os ingleses a aplicarem o seu jogo habitual de posse e muitos passes, mas sem profundidade para causar perigo. Nesta fase, aliás, o melhor rating pertencia a Sarr, o central do Porto que registava 5.9, em parte devido aos sete alívios já realizados.
  • Aos 37 minutos, Zaidu, bem colocado, tirou em cima da linha de golo um remate de Sterling da esquerda e que ninguém conseguiu afastar, numa altura em que os “citizens” voltavam a empurrar os portistas para a sua grande área, com 68% de posse e muita segurança nas trocas de bola. Este foi, aliás, o primeiro remate do encontro. E o primeiro do Porto surgiu aos 39 minutos, por Sérgio Oliveira, para fora.
  • Primeira parte de muitas cautelas do FC Porto, que preferiu povoar o sector defensivo e tapar os caminhos para a sua baliza, empurrando o Manchester City para as faixas laterais e obrigando os visitantes a apostar nos cruzamentos.
  • E na área, a defesa dos “dragões” não davam veleidades aos atacantes contrários. Assim não espanta que o primeiro remate do jogo tenha surgido apenas aos 37 minutos.
  • Ao descanso, as estatísticas mostravam superioridade completa dos ingleses, menos em termos individuais, pois Malang Sarr, central portista, era o melhor em campo, com um GoalPoint Rating de 6.4. O central francês registava nada menos que nove alívios e um corte decisivo.
  • Aos 58 minutos, Sterling isolou-se, mas não conseguiu bater Marchesín, que se mostrava seguro. Isto numa fase do encontro ligeiramente mais dividida, com os “citizens” a chegarem à hora de jogo com 59% de posse de bola desde o intervalo, e com três remates, dois enquadrados, contra apenas uma tímida tentativa dos “dragões”.
  • Aos 69 minutos o melhor lance do jogo. Sterling desviou ao primeiro poste, a bola não ia entrar, mas surgiu Rúben Dias na linha a marcar… não, afinal acabou por tocar a bola para fora (!), quando toda a gente no banco do City gritava golo. E na recarga, Marchesín voltou a fazer grande defesa.

Estela Silva / Lusa

  • Só dava City aos 70 minutos, com os ingleses a terem 65% de posse de bola e sete remates no segundo tempo, três enquadrados, contra um disparo do Porto. O golo parecia sempre mais perto para os visitantes, que registavam nesta fase 27 acções com bola na área do “dragão”, contra apenas quatro do lado oposto.
  • O golo acabou mesmo por aparecer. Aos 80 minutos, Gabriel Jesus rematou de cabeça, Marchesín fez mais uma extraordinária defesa, mas para a barra, e a bola sobrou para o brasileiro, que marcou… contudo, após consulta do VAR, o tento foi anulado, por fora de jogo de um jogador do City uns segundos antes.
  • Até final, o Porto aguentou muito bem a pressão do City em busca do golo, abdicando mesmo de atacar. O objectivo, esse, estava mais do que alcançado.

 

O melhor em campo GoalPoint

A equipa lusa não venceu, mas passou à fase seguinte e o melhor em campo foi português. Mas do lado visitante.

João Cancelo terminou com um GoalPoint Rating de 6.8, ele que foi o mais consistente na partida do Dragão, com dois passes para finalização, 90 acções com bola, oito recuperações de posse, quatro acções defensivas no meio-campo contrário e seis desarmes.

Um pouco ao contrário do que lhe é habitual, foi nos momentos defensivos que mostrou maior competência, apesar de o Porto pouco ter atacado.

Jogadores em foco

  • Agustín Marchesín 6.3 – Exibição vistosa do argentino, que não tem melhor nota porque algumas das suas intervenções não foram contabilizadas, por terem sido na sequência de lances anulados pela equipa de arbitragem. Ainda assim foi um dos melhor dos “azuis-e-brancos”, com cinco defesas, quatro a remates na sua grande área, três delas em disparos a menos de oito metros.
  • Chancel Mbemba 6.4 – O melhor “dragão” foi mesmo um defesa-central, o que bate certo com a tendência geral do jogo. Mbemba realizou uma prestação de grande nível, marcada por dois duelos aéreos ganhos em quatro e impressionantes 13 alívios, o valor mais alto da noite.
  • Fernandinho 6.6 – O brasileiro foi o pêndulo do meio-campo do City. Não só criou uma ocasião flagrante em três passes para finalização como completou 84% dos passes, , realizou quatro acções defensivas no meio-campo portista e somou três intercepções.
  • Malang Sarr 6.0 – Bela partida do francês, ele que foi a melhor unidade no primeiro tempo. Sem cerimónias, afastou todos os lances de perigo da sua zona, terminando com 11 alívios, dois bloqueios de remate e um corte decisivo.
  • Bernardo Silva 5.8 – O criativo luso tento criar desequilíbrios, mas teve sempre muitos jogadores do Porto à sua volta. Terminou com um rating modesto, mas com alguns apontamentos interessantes, como seis passes valiosos (máximo da noite), 83% de eficácia de passe, seis acções com bola na área contrária e sucesso nas três tentativas de drible.
  • Moussa Marega 4.3 – O pior rating da noite. Este não era propriamente o jogo ideal para o maliano brilhar, dado o recuo dos portistas, por isso, o atacante não rematou, não fez passes para finalização, não driblou, mas acabou o jogo com quatro recuperações de posse, três alívios e dois bloqueios de passe/cruzamento.

 

Resumo

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2 COMENTÁRIOS

  1. Foi um jogo parecido com o Portugal Vs França em que nos sagrámos campeões europeus. Não jogámos nada, só defendemos e ao FC PORTO só faltou um Éder para ser totalmente igual.

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