(dr) Ministério das Infraestruturas e da Habitação

Hugo Mendes, ex-secretário de Estado das Infraestruturas.
O braço direito de Pedro Nuno Santos na polémica da TAP é a surpresa na lista de candidatos a deputados. Não é uma escolha à toa.
Os estatutos do PS definem que é o secretário-geral que indica um terço do total de candidatos a deputados às eleições legislativas; o resto é da responsabilidade das comissões políticas federativas de cada círculo eleitoral.
Na lista de candidatos a deputados do PS por Lisboa vai estar Mariana Vieira da Silva. A ex-ministra encabeça a lista que já foi aprovada em reunião da Comissão Política da Federação da Área Urbana de Lisboa (FAUL) do PS.
Mais lá para baixo está Hugo Mendes. É a surpresa da lista, como salienta o Expresso.
Hugo Mendes era secretário de Estado quando se deu toda a polémica à volta da indemnização paga à antiga administradora da TAP, Alexandra Reis.
No fundo, era na altura o braço direito do então ministro Pedro Nuno Santos, que agora o recupera. Os dois já se conhecem há muitos anos: Pedro Nuno era deputado, Hugo assessor do PS; Pedro Nuno era secretário de Estado e Hugo Mendes seu adjunto.
Ao longo da comissão parlamentar de inquérito à TAP, Hugo Mendes – que admitiu erros no processo – foi um dos nomes mais ouvidos. Tinha dito à directora Christine Ourmière-Widener para, primeiro falar com ele, e só depois falar com outra pessoa do Governo; num famoso e-mail, sugeriu que a TAP concordasse com um pedido do presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, para o Governo não perder o “aliado” político.
Toda aquela “novela” terminou na demissão de ambos: primeiro Pedro Nuno Santos, logo a seguir Hugo Mendes.
O antigo secretário de Estado não ficou bem visto na história – mas não desistiu dela: quase um ano depois, publicou um livro chamado Patos desalinhados não voam — por dentro da viagem mais turbulenta da TAP. Não o escreveu sozinho: o outro co-autor é Frederico Pinheiro, o adjunto de João Galamba que ficou famoso pelo episódio do computador e das alegadas agressões no Ministério das Infraestruturas.
Mesmo com todo este contexto, Pedro Nuno Santos escolheu Hugo Mendes para ser deputado (ou algo mais) na próxima legislatura – Hugo vai ser eleito no círculo eleitoral de Lisboa, se se repetir o resultado do ano passado (está no 14.º lugar e o PS conseguiu 15 deputados em Lisboa).
Alexandra Leitão não dá muito valor a essa escolha: “Já houve uma comissão que escrutinou tudo o que havia para escrutinar. Está tudo transparente. Essa transparência faz com que as pessoas não tenham nenhuma diminuição na sua elegibilidade”, comentou na rádio Observador.
A RTP sublinha que esta foi uma escolha de um nome que é próximo ao líder do PS.
Pedro Nuno Santos confia mesmo em Hugo Mendes. A comentadora Raquel Abecasis acrescenta um motivo central para esta escolha: “Pedro Nuno Santos tem o partido consigo; mas o partido que está com Pedro Nuno Santos não está representado no Parlamento“.
“E esta é a oportunidade dele de meter lá as pessoas que confiam nele e em quem ele confia. Confia mais em Hugo Mendes do que naqueles quatro ou cinco deputados que estão ali na primeira fila da bancada parlamentar (Alexandra Leitão, Pedro Delgado Alves, Marina Gonçalves ou Mariana Vieira da Silva, normalmente) e em quem ele se apoiou – porque era quem tinha, mas não era quem ele escolheria”, explicou Raquel na rádio Observador.
As listas de deputados vão ser aprovadas mais logo, nesta quarta-feira, na Comissão Política Nacional do PS. Mas as escolhas já conhecidas criaram protestos internos no PS, adianta o Diário de Notícias.
Pedro Nuno é mal para o PS. Arrogante e inconsistente, ele não é o PS que o eleitorado quer. Vai ser um desastre.
Desespero do líder do PS. Está a arrebanhar os poucos que se alinham com ele, porque outros estão a desalinhar-se, como Fernando Medina e José Luís Carneiro… É a luta dentro do partido e que parece grave.