Este pôr-do-sol arroxeado foi causado por uma erupção do outro lado do mundo

NASA

Erupção do vulcão Raikoke, nas Ilhas Kuril

A erupção do vulcão Raikoke, em junho, fez com que o nascer e o pôr-do-sol no outro lado do mundo, mais concretamente nos Estados Unidos, ficassem anormalmente roxos.

Quando o outrora adormecido vulcão Raikoke, nas Ilhas Kuril, um arquipélago de picos vulcânicos entre a península russa de Kamchatka e a ilha japonesa de Hokkaido, entrou em erupção em junho, emitiu uma densa coluna de cinzas e gases que até foi vista do Espaço.

Mas, segundo o IFLScience, os seus efeitos duraram muito mais tempo do que se pensava. Dois meses depois da erupção, Glenn Randall, fotógrafo do Estado norte-americano do Colorado, estava a fotografar numa região montanhosa quando, mais tarde, se apercebeu que as suas imagens estavam a capturar um profundo reflexo violeta nas águas do lago, apesar do céu dourado.

E, pelos vistos, não tinha sido o único a reparar neste fenómeno. A Universidade do Colorado Boulder também avançou que muitos norte-americanos por todo o país tinham notado que o nascer e o pôr-do-sol estavam anormalmente roxos nos últimos meses. Por quê? A resposta pode estar do outro lado do mundo.

Os investigadores acreditam que a erupção do Raikoke pode ter sido o culpado. Em agosto, lançaram um balão meteorológico de grande altitude no Wyoming que mediu aerossóis naturais e outros materiais particulados 32 quilómetros acima do solo.

Os cientistas descobriram que as camadas de aerossol eram 20 vezes mais espessas do que o normal desde a erupção e provavelmente resultaram neste fenómeno único chamado “scattering” (“dispersão” em Português), através do qual as partículas na camada de ozono da Terra — como dióxido de enxofre e cinzas de uma erupção vulcânica — refletem ou refratam a luz solar, resultando em certas cores predominantes.

Isto mostra que mesmo uma erupção vulcânica relativamente pequena pode ter um impacto no outro lado do mundo. Embora a erupção do Raikoke não seja motivo de preocupação, os cientistas notam que é das erupções maiores que temos de ter cuidado.

É o caso do Monte Tambora, na Indonésia, cuja erupção em 1815 libertou cinzas e 60 megatons de dióxido de enxofre na atmosfera, sombreando o globo e perturbando os padrões climáticos (a temperatura média global desceu até 3ºC).

O ano posterior a esta erupção ficou conhecido como o “ano sem verão”, lembra num comunicado Lars Kalnajs, investigador do Laboratório de Física Atmosférica e Espacial (LASP). As colheitas foram más, resultado na morte de 80 mil pessoas que morreram de doenças associadas à fome e à falta de comida.

Na história mais recente, os cientistas destacam ainda quando o Monte Pinatubo, nas Filipinas, entrou em erupção em 1991, libertando nuvens de cinzas gigantes que continham 20 milhões de toneladas de dióxido de enxofre, diminuindo a temperatura global em cerca de 0,5°C nos dois anos seguintes à erupção.

Por isso, Kalnajs considera que erupções como a do Raikoke são um lembrete da razão pela qual a monitorização dos dados é essencial. Os resultados desta investigação vão ser publicados ainda este ano.

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