População de Paredes reage como pode ao rasto de destruição do tornado

Ahodges7 / wikimedia

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A população de Paredes está a reagir como pode ao rasto de destruição deixado pelo tornado de sábado, algo nunca visto naquelas paragens.

Telhados de casas, fábricas e de uma igreja levados pelo vento, centenas de sepulturas de um cemitério devastadas, carros amachucados e árvores e postes de eletricidade derrubados são os sinais da intempérie que, na noite, de sábado assustaram quatro freguesias do concelho. Sem teto ficaram 60 pessoas.

Mário Neto, morador de Vilela, contou à Lusa o que aconteceu numa das zonas mais afetadas.

“O tornado apanhou aquelas casas, desviou-se para aqui e bateu contra aquela fábrica. Aqui existiam um pinheiro e um eucalipto, que tombaram e ajudaram a destruir duas fábricas”, afirmou, apontando para duas empresas que sofreram avultados prejuízos.

Fernando Castelo, proprietário de uma delas, contou, por entre os destroços de mobiliário: “Isto foi tudo destruído. Tinha móveis prontos para entregar. Estava tudo cheio de móveis, mas eles voaram todos. Noventa por cento deles não têm recuperação”.

O empresário, apontando para as coberturas que desapareceram, estima que os prejuízos sejam superiores a 100.000 euros. Apesar de chocado, disse ser capaz de recuperar.

“Acho que vou voltar a pôr isto a funcionar, porque sinto muito apoio de familiares, amigos e clientes. Espero que haja apoio das entidades oficiais. Essa é uma das minhas esperanças. A outra é que a seguradora não me deixe ficar mal”, declarou, com os olhos húmidos.

Ao lado, outra fábrica, esta de confeções, onde trabalham 50 pessoas, também sofreu avultados prejuízos. De manhã, fazia-se o relatório dos estragos.

A poucas centenas de metros, já em Sobrosa, outra empresa foi varrida pelo tornado. As instalações ficaram completamente destruídas e a cobertura da habitação do empresário também foi levada pelo vento.

Olhando os destroços espalhados por dezenas de metros e uma carrinha da firma que capotou impelida pelo vento, Roberto Neves, o dono da casa, disse à Lusa que foi tudo muito rápido: “Aquilo foi um segundo. Foi tipo uma bomba. Apercebi-me dos vidros a cair. Quando saí cá fora é que vi os estragos. Ficou tudo completamente destruído”.

O empresário, cabisbaixo, admitiu não ter seguro e, por isso, “não dá para fazer nada”.

“Retomar a atividade ficou fora de questão”, admitiu, recordando que do negócio dependiam também a mulher, os filhos e a mãe.

“Trabalhavam todos aqui. Isto era do meu pai, que faleceu. Vou ter de arranjar um emprego”, conclui.

José Moura, outro morador, lembrou o “muito vento e granizo que, em pouco tempo, destruiu casas e oficinas.

“Foram momentos maus para muita população humilde que teve de recorrer a familiares para passar a noite. Vai demorar anos a recuperar”, previu.

A poucas centenas de metros dali, já em Duas Igrejas, muitas pessoas, amontoadas junto ao presidente da junta, estão ainda incrédulas com os estragos causados no cemitério onde mais de 350 sepulturas ficaram danificadas, num cenário impressionante.

Hoje de manhã, muitas famílias, com expressões carregadas, foram ao local. Uma idosa, Maria de Sousa Carvalho, ajeitava o que restava da sepultura de familiares, enquanto lamentava o sucedido e murmurava o terror da noite de sábado.

“Está tudo partido. Ver isto assim é difícil. Daquela noite, só me lembro de ouvir tanto vento. Eu rezei a Santa Bárbara para tudo acalmar”, contou.

Os bombeiros de Lordelo foram o braço armado da proteção civil. Foram eles que socorreram as vítimas e deixaram as primeiras palavras de conforto, como salientou o comandante Pedro Alves: “Temos de ser um braço amigo das famílias e dar-lhes um pouco de apoio moral, porque as pessoas estavam muito constrangidas com a situação”.

/Lusa

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