Pó de talco para bebés tem amianto (e a Johnson & Johnson sabia há décadas)

O conhecido pó de talco para bebés da marca Johnson & Johnson contém vestígios de amianto, substância considerada cancerígena, há várias décadas, de acordo com uma investigação da Reuters que garante que a empresa tinha conhecimento deste dado.

Uma grande investigação da agência de notícias Reuters  assegura que a Johnson & Johnson esteve a par, durante vários anos, de que o seu pó de talco para bebés continha vestígios de amianto.

Esta substância é considerada cancerígena e poderá estar associada a vários casos de cancro nos ovários.

A Johnson & Johnson já veio contestar a investigação da Reuters, considerando que é “desinformação” e “só para distrair” as atenções dos milhares de estudos que atestam que não há quaisquer vestígios de amianto.

Mas a Reuters avança que teve acesso a documentos internos e a testemunhos que indicam que administradores, médicos e advogados da empresa tinham conhecimento de que os testes efectuados ao pó de talco para bebés revelavam a presença de pequenas quantidades de amianto.

Estes vestígios terão sido detectados entre 1971 e o início dos anos 2000, mas a empresa terá ocultado a informação.

A Reuters nota que quando a Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA) avaliava a presença de amianto em talcos, em 1976, a Johnson & Johnson garantiu à entidade supervisora que nem sinal da substância tinha sido encontrado nos produtos produzidos entre 1972 e 1973.

Todavia, segundo a agência de notícias, três testes realizados em três laboratórios diferentes, entre os anos de 1972 e 1975, terão revelado a presença de vestígios de amianto. Nalguns dos casos a que a Reuters teve acesso, assinalava-se a presença da substância em níveis “bastante elevados”.

Em reacção à investigação da Reuters, a Johnson & Johnson assegura que o conteúdo é “falso” e “inflamatório”, concluindo que se trata de “uma teoria da conspiração absurda, que aparentemente abrange mais de 40 anos e que terá sido orquestrada por várias gerações de cientistas e reguladores das universidades mais importantes do mundo”.

A Johnson & Johnson tem estado envolvida em vários casos judiciais, nomeadamente por ser acusado de provocar cancro do ovário a inúmeras mulheres.

Em Julho deste ano, a empresa foi condenada a pagar mais de quatro mil milhões de euros a 22 mulheres que alegaram terem contraído cancro do ovário após vários anos de utilização de pó de talco da marca.

“Isto é só para distrair do facto de que milhares de testes independentes provam precisamente que o nosso pó de talco não contém amianto, nem causa cancro”, notou à Reuters o vice-presidente da Johnson & Johnson, Ernie Knewitz.

ZAP //

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