Planeta de extremos. Morre-se de calor na Austrália e de frio nos EUA

Esta semana, a Terra está a viver situações extremas. Enquanto nalguns sítios dos EUA se alcançaram temperaturas mínimas de cerca de -40ºC, na Austrália as temperaturas ultrapassaram os 40ºC.

Nos Estados Unidos, 14 estados do Centro-Oeste e do Leste do país estão em alerta devido ao vórtice polar que lançou um manto de frio, com as temperaturas a chegarem aos -40ºC. Contudo, em algumas zonas do Dacota do Norte e do Sul, de Wisconsin e Minnesota, a sensação térmica pode alcançar mesmo os -56ºC.

Este frio extremo já causou pelo menos 12 mortes. Essas mortes estão relacionadas com acidentes de carros ou outro tipo de exposição a este frio. Além disso, houve ainda centenas de outros acidentes rodoviários, incluindo uma colisão em cadeia com cerca de 12 carros em Grand Rapids, em Michigan.

Mais de 2.500 voos já foram cancelados ao longo do país e mais de 3.500 estavam atrasados na quinta-feira. Várias escolas, serviços públicos, estações de correios têm estado encerrados. Têm sido divulgados vídeos que mostram que o gelo nas intersecções dos carris dos comboios tem de ser derretido com as chamas de aquecedores a gás.

Na quarta-feira, mais de 83 milhões de pessoas nos Estados Unidos sentiram temperaturas negativas. Em toda a região Centro-Oeste dos EUA foram quebrados 30 recordes de temperatura. A mais baixa, também na quarta-feira, chegou aos -40ºC em International Falls, no Minnesota.

O frio extremo tem sido causado por um vórtice polar no Ártico, uma grande área de baixa pressão que rodeia o Polo Norte do planeta e que enfraquece no verão e se intensifica no inverno.

“Em muitas ocasiões, durante o Inverno do hemisfério Norte, o vórtice polar expande-se e envia o seu ar frio para sul”, explica-se no site do NWS. “Isto acontece regularmente durante o inverno e está sobretudo associado a ondas de frio extremo provenientes do Ártico para os EUA.” Alguns exemplos são as ondas de frio extremo de 1977, 1982, 1985, 1989 e 2014.

Os efeitos do vórtice polar do Ártico parecem estar a tornar-se mais frequentes e severos e isso está relacionado, sublinha o físico Filipe Duarte Santos ao Público, com as alterações climáticas – ao contrário do que é sugerido nos tweets de Donald Trump. “As alterações climáticas intervêm porque a zona do Ártico está a aquecer”, diz Filipe Duarte Santos.

Há uns anos, o oceano Ártico estava todo coberto de gelo – o que refletia a radiação solar e permitia que esta zona não aquecesse. Mas agora a maior parte desse gelo transformou-se em água em estado líquido.

Calor extremo na Austrália

Por outro lado, na costa Oeste da Austrália, faz-se sentir um calor abrasador. Há cerca de uma semana, em Adelaide, no sul da Austrália, as temperaturas chegaram mesmo aos 46ºC. Já no sudeste do país, as temperaturas durante a noite chegaram aos 35ºC, fazendo destas as noites mais quentes no mundo em janeiro.

A situação parece que não vai melhorar: as previsões para a maior parte do território australiano apontam que, entre 1 de fevereiro e 30 de abril, a probabilidade de as temperaturas ficarem acima da média é de 70%, segundo o Gabinete Australiano de Meteorologia.

Além de provocar seca, esta onda de calor extremo tem causado vários incêndios florestais, o que já devastou milhares de hectares. Na Austrália Ocidental – a região onde se produz mais trigo do país –, os agricultores estão preocupados. “Há um grande risco de a produção cair”, disse Phin Ziebell, analista do Banco Nacional Australiano.

Os animais também têm sofrido com tanto calor no território australiano. Na segunda-feira, centenas de milhares de peixes estavam mortos numa barragem e nos seus canais em Menindee, no Oeste da Austrália. Há relatos de que até cobras se têm refugiado em casas-de-banho públicas para se refrescarem.

No início de janeiro, a Austrália já tinha tido uma onda de calor no sudeste do país, que originou falhas de energias nalgumas áreas. No estado de Vitória, 200 mil pessoas ficaram sem energia elétrica. Na Tasmânia, os incêndios também destruíram casas e agora estão a consumir os parques naturais.

A situação na Austrália “tem a ver com o facto de a temperatura média na atmosfera à superfície da Terra estar a aumentar”, realça Filipe Duarte Santos. Ainda que em pontos distantes da Terra, os fenómenos extremos de frio nos EUA e calor na Austrália têm ambos um contributo das alterações climáticas.

“Tanto a fragmentação do vórtice polar como as ondas de calor são fenómenos que sempre existiram, mas agora tanto um como outro são mais frequentes.”

ZAP //

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1 COMENTÁRIO

  1. 12 mortos derivados acidentes , Essas mortes estão relacionadas com acidentes de carros ou outro tipo de exposição a este frio??
    quer dizer enos outros paises não se morre de despistes do gelo nas estradas nem da chuva?

    Já no sudeste do país, as temperaturas durante a noite chegaram aos 35ºC, fazendo destas as noites mais quentes no mundo em janeiro.
    e Então??è um continente que esta no maximo do verão em Janeiro quando sabemos que a Australia esta num ponto do globo mundial que outros não estão,,ou seja è praticamente o oposto do norte!

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