Pais ajudaram a PJ a apanhar Rui Pinto na Hungria (onde desapareceram 2 sacos de provas)

Mário Cruz / EPA/Lusa

Rui Pinto no arranque do julgamento do chamado caso “Football Leaks” que envolve o Fundo de Investimentos Doyen.

A Polícia Judiciária (PJ) perseguia Rui Pinto desde 2015, mas só conseguiu apanhá-lo na Hungria em 2019, após ter seguido os seus pais. Um dado revelado em tribunal no julgamento do caso Football Leaks, onde se ficou também a saber que faltam dois sacos de provas.

Na quinta sessão do julgamento que decorre no Tribunal Central Criminal de Lisboa, o inspector da PJ José Amador reconheceu que foi a polícia húngara quem reuniu o material apreendido a Rui Pinto em 26 sacos aquando da detenção, mas que apenas 24 chegaram a Portugal dois meses depois.

Os dois sacos em falta conteriam “documentos e cabos de ligação”, segundo o inspector.

“Quando o saco foi aberto, verificava-se a ausência de dois sacos. Liguei para a Hungria para perceber, consegui chegar à fala com o colega húngaro e naquele momento ele não conseguia explicar a falta dos sacos. Foi necessário ele transmitir a informação aos superiores e no dia seguinte foi-me dito que os sacos teriam estado no cofre [da esquadra] e que na sequência de outra solicitação os sacos teriam sido levados para outro local e que tinham sido alvo de uma intervenção“, afirmou José Amador em tribunal.

Admitindo “alguma estupefacção” com este procedimento, o inspector revelou que “os sacos denotavam ter sido abertos e os selos [rubricados pelo arguido] recolocados”.

José Amador confirmou também que não esteve “presente” na detenção realizada em 16 de Janeiro de 2019, uma vez que as forças de autoridade húngaras não permitiram a intervenção na operação de elementos das autoridades portuguesas.

Essa detenção ocorreu depois de a PJ ter interceptado comunicações da família de Rui Pinto, descobrindo que iam viajar para a Hungria.

Os pais do hacker foram seguidos pela polícia numa viagem a Budapeste, em 2019, que permitiu chegar à sua localização.

Depois de terem apurado que Rui Pinto estaria a morar na capital húngara, onde tinha feito o programa Erasmus, contactaram as autoridades daquele país, acabando a detê-lo.

Sobre a demora em chegar ao local onde Rui Pinto se encontrava, José Amador referiu que “as respostas [das entidades internacionais] não eram imediatas“. “Passavam-se vários meses até que fosse obtida uma resposta”, disse em tribunal.

Enquanto isso, Rui Pinto ia abanando a cabeça. Desde que foi detido, o hacker sempre alegou que se colocou ao dispor das autoridades portuguesas, lamentando que nunca foi contactado por elas.

Rui Pinto assegura que denunciou vários dos crimes revelados pelo Football Leaks e pelos Luanda Leaks, que tiveram também origem no hacker, às autoridades, mas que foi ignorado.

PJ desconhecia acesso das autoridades francesas às provas

A PJ não teve conhecimento do acesso das autoridades francesas às provas apreendidas a Rui Pinto durante a detenção.

José Amador referiu no julgamento que chegou ao seu conhecimento que “o arguido já teria prestado declarações às autoridades francesas enquanto estava detido” e que lhe foi explicado que “os dispositivos [de prova recolhidos] seriam intervencionados”.

Quando questionado pela juíza se a PJ fez diligências para apurar a situação junto das autoridades francesas, o inspector respondeu que isso “não ocorreu”, segundo o seu conhecimento, e que “as autoridades portuguesas não tinham sequer a capacidade de se opor”.

No entanto, José Amador reiterou a ideia de que os dispositivos apreendidos e entretanto intervencionados por elementos franceses e húngaros não foram alvo de manipulação, devido à existência de um resumo digital realizado pela PJ em Portugal, após a extradição de Rui Pinto, e que era idêntico ao efectuado anteriormente pela polícia húngara.

“O resumo digital é um ponto fundamental na aferição da integridade. Estamos perante o mesmo conteúdo digital, essa é a metodologia universal utilizada”, concluiu o inspector.

Rui Pinto, de 31 anos, responde por um total de 90 crimes, incluindo acesso indevido e violação de correspondência, visando entidades como o Sporting, a Doyen, a sociedade de advogados PLMJ, a Federação Portuguesa de Futebol e a Procuradoria-Geral da República.

O hacker também responde por sabotagem informática à SAD do Sporting e por extorsão à Doyen, na forma tentada.

ZAP ZAP // Lusa

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