Pentágono admite não ter provas de que Soleimani planeava ataques a embaixadas

O secretário da Defesa norte-americano admitiu hoje não ter visto qualquer “prova” concreta de que o general iraniano Qassem Soleimani, morto numa ação militar ordenada por Washington, estaria a planear ataques contra embaixadas norte-americanas, como avançou Donald Trump.

“O Presidente [norte-americano Donald Trump] não referiu uma prova em concreto e eu não vi nenhuma, no que diz respeito às quatro embaixadas”, admitiu Mark Esper, numa entrevista ao canal norte-americano CBS News.

O chefe do Pentágono (Departamento de Defesa) esclareceu, no entanto, que apoia as declarações de Trump, concordando na probabilidade de os iranianos atacarem embaixadas “porque são um ponto de destaque da presença dos Estados Unidos num país”.

Esta entrevista a Mark Esper vem acrescentar mais dúvidas sobre as declarações feitas por Donald Trump na passada sexta-feira a um outro canal de televisão norte-americano.

Numa entrevista ao canal Fox News, Trump tentou justificar a ação militar contra o general iraniano, tendo afirmado que acreditava que o Irão pretendia atacar, a par da embaixada norte-americana em Bagdad, outras três representações diplomáticas dos Estados Unidos.

Inicialmente, o governante disse que o general iraniano planeava ataques indefinidos contra alvos norte-americanos, tendo posteriormente especificado que o alvo era a representação diplomática dos Estados Unidos em Bagdad.

Mais tarde, Trump voltou a acrescentar informações e falou em ataques contras outras missões diplomáticas.

O importante general Qassem Soleimani, emissário da República Islâmica no Iraque, foi morto em 3 de janeiro num ataque em Bagdad ordenado por Washington. Em retaliação, o Irão lançou uma salva de mísseis sobre bases com militares norte-americanos no Iraque.

“NÃO MATEM OS VOSSOS MANIFESTANTES”

Donald Trump voltou este domingo a dirigir avisos aos líderes do Irão, pedindo às autoridades de Teerão para que não matem os manifestantes que participam nos protestos por causa do abate de um avião ucraniano.

“Aos líderes do Irão – NÃO MATEM OS VOSSOS MANIFESTANTES”, escreveu Trump na rede social Twitter, recorrendo a letras maiúsculas para acentuar o conteúdo da mensagem.

“O mundo está a olhar. E, mais importante, os Estados Unidos estão a olhar”, prosseguiu o governante, reiterando o teor de uma outra mensagem, divulgada no sábado, na qual alertou o regime da República Islâmica de que “não poderia acontecer outro massacre de manifestantes pacíficos”.

Donald Trump referia-se às manifestações contra o aumento do preço da gasolina que aconteceram em meados de novembro no Irão e que foram fortemente reprimidas pelas autoridades iranianas. Mais de 300 pessoas terão morrido durante os protestos de novembro, segundo denunciou a Amnistia Internacional.

No sábado, as agências internacionais relataram que centenas de iranianos estavam a manifestar-se em Teerão, gritando frases de ordem contra o sistema da República Islâmica e a Guarda Revolucionária do Irão por causa do abate de um avião civil ucraniano, um Boeing 737 da companhia Ukraine International Airlines (UIA).

Todas as 176 pessoas, incluindo 82 iranianos, que seguiam a bordo do aparelho morreram no incidente.

Os manifestantes concentraram-se inicialmente junto à porta da Universidade de Tecnologia Amir Kabir, na capital iraniana, para acender velas em homenagem às vítimas, mas a vigília acabou por degenerar num protesto contra as autoridades iranianas.

Esta manifestação ficou também marcada pela detenção, durante um curto período, do embaixador britânico no Irão, Rob Macaire, por alegada participação nos protestos. O representante diplomático britânico negou hoje ter participado em qualquer manifestação contra as autoridades.

O protesto aconteceu após o Irão ter admitido, no sábado, responsabilidades no derrube do aparelho da UIA na quarta-feira passada.

Teerão admitiu que o avião civil ucraniano tinha sido abatido inadvertidamente por militares iranianos que o confundiram com um míssil de cruzeiro devido ao estado de alerta decretado por causa da recente escalada de tensão entre Washington e Teerão.

A declaração de Teerão surgiu depois de informações avançadas por alguns países, nomeadamente os Estados Unidos e o Canadá, terem indicado, na quinta-feira, que o aparelho poderia ter sido abatido, inadvertidamente, pelo sistema de defesa antiaéreo iraniano.

// Lusa

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4 COMENTÁRIOS

  1. pois, se os americanos nada tivece feito contra o general, talvez nenhum avião teria sido abatido.. se os americanos brinca-se com outra coisa muito que tem acontecido não o teria, é como no Iraque, muito armamento havia la e depois nada tinha, os americanos quando algo não é do interesso deles toca a tratar d’isso

  2. ou seja, nem seguindo a enorme aldrabice que é a doutrina Bethlehem, havia qq legitimidade para assassinar um general de um país soberano ainda por cima em território de outro país supostamente soberano ainda por cima sem informar as autoridades desse mesmo país.

    isto é uma ilegalidade de uma ponta a outra que depois levou ao triste desfecho de quase 200 pessoas inocentes serem mortas por um engano estúpido.

  3. Se tivesse sido o oposto, o Irão ter abatido um general americano nos EUA, podem ter a certeza de que eles iriam declarar guerra contra Irão. Os americanos acima de tudo e de todos.

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