Pela primeira vez, um país europeu envia refugiados de volta para a Síria. Damasco já é “segura”

Tolga Bozoglu / EPA

A Dinamarca retirou a 94 refugiados sírios as suas autorizações de residência após decidir que Damasco e as suas regiões vizinhas são agora seguras para as pessoas voltarem às suas casas.

De acordo com o jornal britânico The Telegraph, a Dinamarca tornou-se o primeiro país europeu a retirar as autorizações de residência a 94 refugiados sírios comuns, alegando que Damasco e regiões vizinhas voltaram a ser seguras para viver.

No mês passado, o ministro da Imigração, Mattias Tesfaye, insistiu que a Dinamarca foi “aberta e honesta desde o início” com os refugiados vindos da Síria.



“Deixámos claro aos refugiados sírios que a sua autorização de residência é temporária. Pode ser retirada se a proteção já não for necessária”, disse. “Devemos dar proteção às pessoas pelo tempo que for necessário. Mas quando as condições no país de origem melhorarem, um ex-refugiado deve voltar para casa e restabelecer uma vida lá.”

A Alemanha decidiu que os criminosos podem ser deportados para a Síria, mas a Dinamarca é o primeiro país europeu a enviar refugiados comuns de volta.

O governo da Dinamarca adotou uma postura anti-migração feroz numa tentativa de afastar os desafios da direita. A primeira-ministra Mette Frederiksen prometeu ter como objetivo ter zero requerentes de asilo no país.

A decisão sobre a área de Rif Dimashq na Síria significará que a Dinamarca vai avaliar as licenças de proteção de mais 350 sírios residentes no país, além dos cerca de 900 em torno de Damasco, cujos casos foram reabertos no ano passado.

O Refugee Appeals Board da Dinamarca decidiu, em dezembro de 2019, que as condições em Damasco já não eram suficientemente perigosas para justificar a proteção temporária, sem qualquer razão pessoal adicional para asilo.

Michala Bendixen, do grupo de direitos Refugees Welcome, disse que os sírios na Dinamarca enfrentam agora “uma situação muito, muito trágica”, forçados a deixar as suas casas, empregos ou estudos para ir para os campos de deportação do país, onde enfrentam anos de limbo.

“Não serão forçados a embarcar num avião. Isso significa que terão de ficar num dos campos de deportação, onde não se tem acesso a educação ou trabalho, e têm de ficar no centro todas as noites. O Governo espera que partam voluntariamente, que simplesmente desistam e sigam por conta própria”, denunciou Bendixen.

O partido de oposição Liberal, um grupo de direita, pediu que os regressos sejam acelerados através de um acordo de retorno com o regime brutal de Bashar al-Assad, o governante autoritário da Síria.

“Consigo imaginar um acordo que se estenda apenas à estrutura para o envio de pessoas de volta, com algumas garantias de que pode regressar sem ser perseguido”, disse Mads Fuglede, o porta-voz estrangeiro do Partido Liberal de oposição, em declarações ao jornal Jyllands-Posten.

Mais tarde, Fuglede enfatizou numa publicação no Facebook que, ao defender tal acordo, não estava a sugerir o reconhecimento da “ditadura criminosa” liderada por Assad.

Maria Campos, ZAP //

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4 COMENTÁRIOS

  1. A Dinamarca está a ser um bom exemplo na forma como tem gerido a questão dos refugiados.
    Um governo de esquerda está a tomar posições que, noutras bandas, seriam consideradas “xenófobas”.

  2. Talvez alguém devesse chamar a atenção da Dinamarca e dos outros países europeus que se Damasco é segura é porque é controlada pelo governo de Bashar al-Assad. E se em tempos não era segura foi porque os EUA e vários países europeus armaram e incentivaram os ataques armados de terroristas. Tudo para derrubar o governo de Bashar al-Assad. Era bom que se deixassem de hipocrisias…

  3. Isto quando nao se sabe governar a nossa casa e vamos criticar o visinho e complicado.
    Os refugiado de guerra estao ser rotulados de emigrantes, e de asilados, a muita especulacao, muita emocao a mistura para piorar coisa, falta de logica clara na definicao dos termos, tudo isto para confudir as pessoas a ficarem atordoadas e confusas… ate muitos govornos e instituicoes nao entenderm como abordar o problema porque exestiu muito ruido a volta desta questao.
    Os partidos com suas ideologias mostraram que nao estao altura para resolver nada muito menos questoes desta natureza.
    Os paises quando dao uma ajuda devem repensar como ajudar e nao oferecer todas as regalias de mao beijada tudo sem contrapartidas a qualquer cidadao mesmo com expremidade e gravidade dos caso. Vejamos alguns paises do norte da europa, emigrantes que nao trabalham so veem dar problemas sao reportados a origem…. em portugal poem num pedestal… no norte da europa ajudam arranjar trabalho para mesmos nao querem trabalhar nao representam qualquer forma de rendimento reportados em portugal oferecem mais rendimentos da seguranca social…
    no norte da europa trabalham e valorizam os as ideias as iniciativas, as inovacoes para criar riqueza… no sul ainda vivem na idade atrasada onde burguesia faz-se de nobres e ricos e nao o sao e apresentam riquesas a custa dos roubos e desvios da sociedade e manipulacao das regras, mais nao cumprem com leis. Os paises com intersses na exploracao dos seus recursos apoiam uma fraccao dos protogonistas…. mas nao querem receber ou nao receberam refugiados, mas estao na mesa para comer os recursos… é bom que pesem com cabeca e nao com emocao….

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