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Pegasus. Advogado que luta para libertar a princesa Latifa do Dubai também foi espiado

O ativista de direitos humanos David Haigh — envolvido na libertação da princesa Latifa — é a primeira vítima britânica de espionagem confirmada através do software israelita Pegasus.

O advogado britânico e ativista de direitos humanos David Haigh, que luta pela libertação da princesa Latifa, filha do emir do Dubai, o xeque Mohammed, juntou-se à longa lista de pessoas que foram espiadas pela rede de spyware Pegasus.

De acordo com o jornal britânico The Guardian, que cita uma análise forense levada a cabo pela Amnistia Internacional, o telefone de Haigh terá estado comprometido e os seus telefonemas foram intercetados pela rede de spyware nos dias 3 e 4 de agosto do ano passado.

O advogado passa, assim, a ser a primeira vítima britânica confirmada daquele software e pediu ao governo de Boris Johnson que seja feita uma investigação em solo do Reino Unido, uma vez que este ataque equivale a “assédio patrocinado pelo Estado”.

Segundo a mesma publicação, suspeita-se que o ataque tenha sido ordenado pelo Dubai, por Haigh estar ligado ao movimento “Free Latifa” (“Libertem Lafifa”, em tradução livre) e à própria princesa de 35 anos.

O advogado britânico disse ter ficado “horrorizado” ao perceber que o seu telemóvel foi ‘apanhado’ na rede de espionagem, após um ano e meio de chamadas secretas com Latifa, que permanece presa por ordem do seu pai.

Além disso, o telemóvel tinha dezenas de mensagens e vídeos da princesa Latifa, que tinha obtido um telefone e feito algumas gravações na casa de banho, o único local onde pode permanecer à porta fechada no sítio onde se encontra enclausurada, contou Haigh.

“A polícia ameaçou-me de que ficarei na prisão toda a minha vida e nunca mais voltarei a ver o sol”, disse a princesa Latifa, num desses vídeos, que foram divulgados pela BBC em fevereiro, por iniciativa da campanha “Free Latifa”.

O advogado britânico contou ainda ao The Guardian que perdeu subitamente o contacto com Latifa, precisamente na altura em que o seu telemóvel foi intercetado.

Em 2019, Latifa escreveu à polícia britânica pedindo que investigasse o caso da sua irmã Shamsa, raptada em Inglaterra há mais de vinte anos.

David Haigh também estava a apoiar a equipa jurídica da princesa Haya, mulher do xeque Mohammed, na batalha jurídica contra o emir do Dubai pela custódia dos filhos menores, que continua a decorrer nos tribunais ingleses.

Entretanto, os Emirados Árabes Unidos já reagiram às acusações, alegando que todas as notícias que davam conta de que aquele governo era responsável pelo ataque de hacking eram falsas.

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“As alegações feitas em reportagens recentes na imprensa afirmando que os Emirados Árabes Unidos estão entre vários países acusados ​​de suposta vigilância contra jornalistas e indivíduos não têm base probatória e são categoricamente falsas“, sublinhou o governo dos Emirados Árabes num comunicado emitido na semana passada.

Fabricado pelo Grupo NSO, de Israel, o Pegasus é um poderoso sistema de spyware de vigilância que está licenciado apenas para os governos, no objetivo de combater o terrorismo ou o crime organizado, com capacidade para intercetar todos os conteúdos de um telemóvel e funcionar como um dispositivo de vigilância.

  Sofia Teixeira Santos, ZAP //

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