”Não é sério”. Pedro Nuno Santos ataca Alfredo Casimiro dizendo que enganou o Estado e os trabalhadores

António Cotrim / Lusa

O ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, foi ouvido esta quarta-feira na comissão de Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação, que teve como principal tema o futuro da Groundforce.

Pedro Nuno Santos começou por dizer que o Governo “tem que defender os portugueses e os trabalhadores desta empresa”, referindo-se à Groundforce.

Neste sentido, criticou duramente a forma como Alfredo Casimiro, o acionista maioritário da Groundforce, atuou nas negociações com o Governo na tentativa para encontrar uma solução para salvar a empresa.

As críticas surgem depois de se saber que o empresário ocultou o facto de as ações que detinha na empresa de handling terem sido entregues como penhor de empréstimos no Montepio e no Novo Banco. “Estamos perante um empresário que enganou o Estado, os trabalhadores e o país”, sublinhou.

Segundo o governante, a revelação tardia de que as ações da empresa – que poderiam servir de garantia ao empréstimo da TAP – estavam penhoradas à banca foi o “primeiro momento infeliz em que um empresário decide enganar o estado e os trabalhadores. Mas não foi o único”.

O Ministro das Infraestruturas defendeu junto dos deputados que a responsabilidade pelo facto de não ter avançado o empréstimo de 30 milhões de euros à Groundforce não é sua, uma vez que o avanço do mesmo dependia dos Ministérios das Finanças e da Economia, e houve alguns documentos que não foram entregues.

O Estado não podia avançar com o empréstimo sem as devidas garantias. “Foi feito tudo o que podia ser feito”, sublinhou.

Pedro Nuno Santos apontou ainda o dedo ao PSD/CDS por ter decidido “pagar para entregar a Groundforce ao privado”.

Para o ministro este caso permite tirar “ilações sobre como se fazem privatizações e de como os empresários vivem nas costas do Estado”, sublinhando que o dono da Groundforce “provou que não é sério”.

Questionado pelo Bloco de Esquerda sobre o que vai acontecer nos próximos meses, Pedro Nuno Santos responde dizendo que a situação em que estão os trabalhadores da Groundforce é de angústia e de ansiedade e, por isso, “tivemos sempre preocupação para encontrar uma resposta estrutural e que resolvesse a situação dos salários”.

O ministro refere que a TAP pode ter 49,9% da empresa mas não controla a Groundforce e, “se controlasse, pode ter a certeza que as coisas seriam diferentes”, garante.

“Um dos principais problemas para a resolução da situação é o acionista privado da empresa”, terminou Pedro Nuno Santos.

Segundo o Expresso, o Montepio, o grande financiador da entrada de Alfredo Casimiro na Groundforce, deu início ao processo de execução do penhor das ações do empresário, detidas na empresa de handling através da Pasogal.

A companhia de handling é detida pela Pasogal (50,1%), de Alfredo Casimiro, e pelo grupo TAP (49,9%).

A audição de Pedro Nuno Santos acontece no âmbito de requerimentos apresentados pelo CDS-PP e pelo Bloco de Esquerda (BE) sobre a situação da empresa de handling, cuja situação de salários em atraso foi desbloqueada no imediato, mas que continua sem solução à vista.

Ana Isabel Moura, ZAP //

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19 COMENTÁRIOS

  1. A situação é bastante fácil de resolver e não compreendo todos estes problemas que o Exmo.Sr. Ministro levanta.

    Já que o montepio vai executar a garantia (as acções), para liquidar o financiamento e já que o Sr. ministro tanto quer o controle da empresa, que arranje dinheiro para as comprar ao montepio.

    O problema é que isso tera que ser feito com os nossos impostos e provavelmente, para depois encher a empresa de boys e amigos.

    Daqui a pouco tempo, será mais um prejuízo colossal a descambar as contas do estado, contas que todos nós pagamos.

    É apenas mais um prejuízo, igual ou pior ao que levou à venda da empresa. É apenas mais um buraco para nós todos pagarmos, a bem do “interesse Nacional”!

    • É o costume, não sei quanto é que foi emprestado pelo Montepio, em penhora das acções, ele tem amortizado o empréstimo? quanto é que valem as acções agora? quem é que as vai comprar? Responda quem tiver a certeza daquilo que diz.

  2. Esta é uma história típica de um vigarista que foi vigarizado com óbvio prejuízo de um terceiro, o Estado (o ministro também confunde o Estado com a administração do estado).
    Se por acaso não fosse a situação angustiosa dos trabalhadores que a todos deve revoltar, até seria hilariante.

  3. Com o devido respeito: se a empresa não dá lucro, nem gera receitas suficientes para, pelo menos, cumprir com os seus compromissos, tem de ser reestruturada ou, no limite, fechar.

    Quanto às privatizações: o governo PSD/CDS pagou para se livrar da Groundforce? E o governo PS/PCP/BE não pagou para se ver livre do Novo Banco e do BANIF?

    • Foi mais uma privatização à Passos Coelho (e o resultado está à vista):
      “Alfredo Casimiro: O homem que comprou a Groundforce sem dinheiro”
      “Alfredo Casimiro comprou 50,1% da empresa em 2012 sem pôr dinheiro e só em março de 2018, após a execução de uma garantia bancária, acabou de pagar à TAP. Entretanto já recebera milhões em comissões de gestão, que chegou a levantar em “cash” no banco.”
      Correio da Manhã, 18 DE MARÇO DE 2021
      .
      O PCP e o BE nunca estiveram no governo e, o problema do NB e do Banif foram mais duas “prendas” deixadas pelo governo do Passos aos portugueses!!
      Quem não se lembra:
      “Passos sobre BES: «Não é dinheiro dos contribuintes»”
      “Caso Banif. Bruxelas arrasa atuação de governo de Passos Coelho”

      • Como sempre, misturam tudo sem analisar a questão fundamental. Um empresário pode sempre pedir empréstimo à banca para comprar uma empresa ou investir numa empresa. É obrigação do banco analisar e decidir se é uma operação viável. Uma vez dentro da empresa, os acionistas podem e devem decidir sobre a aplicação dos resultados da empresa. Muito estranho alguém com 49,9% não saber o que se passa na empresa. Não surpreende quando o acionista de 49.9% é uma empresa que raramente deu lucro nos últimos 15 anos e viveu sempre à custa do contribuinte.

        Sempre foi fácil neste país políticos tomarem decisões económico-financeiras com o dinheiro dos contribuintes e nunca serem julgados pelas decisões.

        • Certo, mas convém relembrar que a TAP também foi privatizada (mais uma privatização “daquelas”!!) e, por isso, tens que perguntar aos excelentes gestores privados da TAP o que tem a dizer sobre isso – porque a gestão da TAP só é estatal desde Setembro de 2020 – quando saiu o Antonoaldo e o Estado ficou com 72,5% das acções!
          O pior é que o A. Casimiro é tão “artista” que se preparava para tentar enganar mais uma vez o Estado/TAP, ao tentar entregar as suas acções da Groundforce como garantia, quando essas acções estão penhoradas ao Montepio!!
          Outro Berardo!…

          • A culpa, na minha opinião, não está com o Berardo mas sim pelas caras cinzentas que aprovaram e emprestaram. Porque não se “julga” os muito bem pagos gestores do banco público que aprovaram os financiamentos para compra de acções no BCP? Eles é que deviam ter ido ao parlamento explicar a essência da operação. Sendo funcionário público com boa reforma, porque não retirar metade da reforma como castigo? Decisões para agradar a políticos passageiros

            • Completamente de acordo.
              Claro que o Berardo também é culpado, mas mais culpados são mesmo os gestores que, deviam, no mínimo, responder criminalmente e pagar os prejuízos que causam com a sua gestão incompetente/criminosa com o seu património/rendimento!

        • Caro Senhor Carlos Vieira: contra factos, não há argumentos. Tem toda a razão! (e, sim, há mistura, mas deliberada, como se viu logo de seguida).
          No entanto, insisto: empresa que não é viável, não pode viver à custa do contribuinte.
          Uma coisa são as funções essenciais do Estado que necessariamente terão de ter um custo: (in)Justiça, Segurança (interna e externa), Educação, Saúde, Segurança Social.
          Outra, bem diferente, são as empresas. Se as gerisse bem, nada teria a opor. No entanto, é olhar a CGD, a RTP, a CP, Carris, Metropolitano, Transtejo, TAP, etc., etc.,

          • Já os 5 anos de gestão privada da TAP (e os 9 da Grounforce) foram exemplares!…
            .
            Além disso, eu concordo com o comentário do Carlos Vieira.

      • O BE e o PCP não estiveram no governo, mas foram tão cúmplices como se lá tivessem estado.
        Quanto às “prendas” do Passos Coelho: só uma mente muito desonesta pode dizer que há dinheiro dos contribuintes ali. Ou já se esqueceu dos CoCos ao BCP e do apoio ao BPI que deu lucro ao Estado? O Estado adianta os €€, mas irá buscá-los mais tarde, com juros.

        • São cúmplices de?!
          Isto (Groundforce) são negociatas feitas pelo governo do Passos!…
          .
          Então não há dinheiro dos contribuintes no NB nem no Banif?!
          Que brincalhão…
          O Estado vai buscar mais tarde, vai…

  4. Estranho!!! tanta guerra entre políticos e grande grupo económico, até parece que é o primeiro a enganar o estado. Será que o sr Casimiro esqueceu-se de seduzir determinadas pessoas com cargos de CEO ou outras regalias ??? ou será que outros grupos já o fizeram e querem este Sr fora do caminho???

  5. Não percebo este Casimiro.
    Deve ter um jogo muito especial na manga.
    Ele é especialista em negócios sem investimento.
    Já liquidou as acções da Groundforce.
    Se fôr nacionalizado, ele não perde nada. Até iria ser indemnizado, por fora.
    De onde vêm este tipo de empresário Português?
    Calculo que seja de uma zona com muita bar nocturno.
    Talvez Anadia?

  6. Este tipo não tem categoria para ser ministro e muito menos para ser futuro líder do PS (segundo dizem) e eventual primeiro-ministro. É um barraqueiro de primeira e arreia a giga à menor contrariedade, o que é péssimo para um cargo público.

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