Partidos concordam em desconfinar. PSD diz “haver condições” para abrir “grande parte do território”

António Cotrim / Lusa

Vários especialistas estiveram reunidos com o Governo esta segunda-feira em mais uma reunião do Infarmed. O objetivo foi avaliar a situação epidemiológica e definir diretrizes para o desconfinamento, cujo plano será apresentado na quinta-feira. De uma forma geral, os partidos concordam que está na hora de começar a pensar em desconfinar.

Tendo em conta os indicadores epidemiológicos registados a nível nacional sobre a evolução da covid-19, o PS defende que estão reunidas as condições para que se inicie um plano de desconfinamento gradual, rigoroso e cauteloso.

A deputada Maria Antónia Almeida Santos referiu que “na reunião, ouvimos que a situação do país está em franca melhoria, com uma redução da incidência da covid-19 em todo o território, particularmente com uma descida dos internamentos em cuidados intensivos e em enfermaria”.

A dirigente do PS defendeu que “o Governo e a sociedade em geral podem começar a pensar em desconfinar”, porém realça que o “plano de desconfinamento terá der ser necessariamente cauteloso, rigoroso e gradual”.

Por sua vez, Mariana Silva, do Partido Ecologista Os Verdes (PEV) frisou que a reunião veio mostrar os portugueses estão a cumprir as regras, motivo pelo qual “é preciso desconfinar”, mas com planeamento e comunicação.

Por outro lado, o partido realça a importância de levantar questões como a saúde mental, aquando do desconfinamento, bem como ao distanciamento social.

Ricardo Batista Leite, deputado do PSD, considera que “o plano de desconfinamento devia ter sido discutido com mais tempo e o envolvimento dos especialistas devia ter sido mais precoce, para dar previsibilidade às pessoas”. Ainda assim, com a reunião de hoje, “começamos hoje a ver a possibilidade de se abrir um pouco a sociedade”.

Sugere ainda, com base nos indicadores apresentados pelos especialistas, que poderá haver condições para “abrir um pouco a sociedade” em grande parte do território, lamentando que o plano de desconfinamento não seja apresentado com mais antecedência.

“Qualquer desconfinamento deve dar tempo para a parte da sociedade envolvida se adaptar: estar a desconfinar a dia 15 quando se anuncia a 11 dá muito pouco tempo para seja qual for setor da sociedade – mesmo que sejam as creches e escolas primárias – se prepararem”, alertou.

Ainda assim, tal só poderá ser feito através uma abertura gradual, “numa lógica de balão de ensaio”, e “numa base regional” a partir de indicadores claros, de forma a que o país não volte a viver a situação de dezembro e janeiro.

Outra das questões apontadas foi a testagem, que na opinião do PSD deve ser feita a nível semanal, “em qualquer local do país“.

Já a Páscoa “deve ser limitada ao máximo à bolha familiar”.

Francisco Rodrigues dos Santos, presidente do CDS, defende “um plano de desconfinamento controlado e calendarizado”, que dê “previsibilidade aos trabalhadores e às famílias” quanto à recuperação “das suas vidas, dos seus negócios e das suas atividades”.

O líder do partido considerou que “o Governo deixou a vida de milhões de portugueses em suspenso e está a gerir esta pandemia ao sabor do improviso” e “não tem capacidade de planeamento, revela erros na antecipação dos acontecimentos e não tem evidenciado nenhuma visão de previsão daquilo que pode vir acontecer”.

Defendeu ainda que “as escolas deviam retomar o ensino presencial dos alunos até aos 12 anos“ e considera essencial retomar, com “regras objetivas”, as atividades como “cabeleireiros, barbeiros e esteticistas”.

O partido Iniciativa Liberal, representado por João Cotrim Figueiredo, considera que a reunião do Infarmed trouxe “boas e más notícias”. Como ponto positivo, o presidente do partido destaca a grande melhoria da situação pandémica, sendo necessário “enquadrar os impactos económicos e de saúde mental”, tudo com “base cientifica”.

Já do lado negativo critica o facto do plano estar a ser “feito em cima do joelho”. O político indica que na reunião de hoje foram apresentados “quatro planos de desconfinamento que nem sempre são compatíveis entre si”.

“Estamos a três dias e agora é que o Governo vai tentar compatibilizar as propostas? Há uma falta de noção de urgência”, considera.

Do lado do BE, Moisés Ferreira refere que “a primeira conclusão a tirar é que o sacrifício da população está a dar resultado, mas infelizmente o Governo está a desperdiçar o tempo do confinamento para planear o desconfinamento”, defende.

“O desconfinamento tem de ser preparado do ponto de vista de preparação no terreno. Falta massificação de testes, falta saber que planos o governo tem para, nas escolas e locais de trabalho, haver obrigatoriedade de medidas preventivas”, afirma sublinhado que “sobre isto não se sabe nada. É preciso que o governo deixe de perder tempo”, afirma.

O deputado considera que o principal problema está na realização de testes, que em vez de aumentar, como deveria acontecer, tem diminuído. “O Governo anunciou apenas uma proposta de criação de uma task force para preparar uma nova forma de testagem”, o que diz ser “insuficiente”.

A deputada do PAN, Inês Sousa Real, defende que existe uma falta de planeamento, sobretudo a nível regional. “Achamos que devia haver um maior planeamento e anunciadas as medidas com maior antecedência“, reitera.

“Compreendemos que há um maior desgaste, mas o que levou a exigir um sacrifício tão grande não pode ser deixado a perder, tem de ser gradual e adequado à realidade de cada região”, defendeu ainda a responsável, que considera também “importante apostar na rede de transportes”.

André Ventura, líder do Chega, considera que já não se justifica manter o confinamento pois os portugueses têm vindo a mostrar uma adesão cada vez menor. “Neste momento, somos os únicos na Europa a ter este regime de confinamento, e isso é porque sabemos que não fizemos o investimento que devia ter sido feito no setor da saúde”, considera.

Defende ainda um desconfinamento que seja “gradual”, sugerindo assim a reabertura do pequeno comércio, cabeleireiros, esplanadas da restauração e todos os serviços onde as restrições possam ser mantidas.

“Qual é a base científica para fecharmos tudo em Portugal?”, questiona, apelando a um “plano mais ambicioso” de desconfinamento.

O Governo já definiu um plano provisório que passará pela reabertura de Escolas e restaurantes só depois da Páscoa.

Ana Isabel Moura Ana Isabel Moura, ZAP // Lusa

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2 COMENTÁRIOS

  1. Já eu discordo…as variantes ainda vão variar…o povo vai continuar a comportar-se irresponsavelmente…vamos voltar a confinar. O melhor seria deixar o confinamento até tudo desaparecer.

  2. Antes do Natal, baixaram os números, abriram tudo, os números subiram, e voltaram a confinar. Agora que se fala em desconfinamento, estão a baixar os números, as galinhas vêm todas cá para fora, os números vão aumentar e, depois, vamos passar por MAIS um confinamento.
    Ninguém percebe que a DGS anda a martelar os dados da pandemia?!!!!

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