Papa Francisco aconselhado a não dizer “rohingya” na visita a Myanmar

Mazur/catholicnews.org.uk / Flickr

O Papa Francisco chegou, esta segunda-feira, a Myanmar para uma viagem que se estenderá ao Bangladesh, onde pretende apoiar as comunidades católicas e promover o “diálogo e reconciliação” em pleno processo que atinge os rohingya.

Trata-se de uma das viagens mais sensíveis do ponto de vista diplomático devido à crise humanitária que atinge a minoria muçulmana rohingya pelas autoridades da antiga Birmânia. Milhares de pessoas foram obrigadas a refugiar-se nos países vizinhos, sobretudo no Bangladesh.

Na semana passada, os Governos de Myanmar e do Bangladesh assinaram um memorando de entendimento que pode abrir caminho ao regresso de 650 mil refugiados rohingya, mas sem especificar a forma de regresso ou as condições, até porque a antiga Birmânia não reconhece a cidadania à minoria muçulmana rohingya.

A situação já levou os membros da igreja católica locais a pedir ao Papa Francisco para não pronunciar a palavra rohingya para que sejam evitados problemas, apesar do chefe de Estado do Vaticano já ter denunciado a situação várias vezes.

Nesta visita a Myanmar, o Papa tem previstos encontros com o presidente Htion Kyaw e com a líder, de facto, do Governo, Aung San Suu Kyi.

As relações entre o Vaticano e Myanmar foram estabelecidas no passado mês de maio.
De acordo com o Vaticano, trata-se de uma viagem pastoral e, por isso, estão agendados encontros com a pequena comunidade cristã da Birmânia, composta por cerca de 650 mil pessoas em todo o país.

O Papa Francisco vai também reunir-se com o Conselho Superior Sangha dos monges budistas, o órgão que reúne os líderes máximos incluindo o ramo budista dominante.

Na quinta-feira, Francisco vai encontrar-se em privado com o chefe das Forças Armadas de Myanmar, Min Aung Hlaing, uma reunião que não estava inicialmente prevista mas que foi aconselhado pela Igreja do país.

Os media oficiais birmaneses são os únicos que têm autorização para efetuar a cobertura jornalística desses atos. As autoridades invocaram “razões de segurança” para justificar estas restrições.

A segunda parte da visita incluiu a deslocação ao Bangladesh, que se vai prolongar do dia 29 de novembro até ao dia 2 de dezembro.

A crise dos Rohingya começou a 25 de agosto, depois de um ataque de um grupo rebelde desta minoria muçulmana às instalações policiais e militares no estado ocidental birmanês de Rakhine, uma ação a que o exército respondeu com uma ofensiva violenta.

De acordo com testemunhas e organizações de direitos humanos, o exército birmanês arrasou povoações, incendiando-as e matando um número indeterminado de civis a tiro enquanto esvaziava essas localidades.

As Nações Unidas classificaram esta operação militar de “limpeza étnica”. Desde então, mais de 600 mil rohingya fugiram para o Bangladesh.

A comunidade internacional tem condenado as ações do exército birmanês, assim como a inação de Aung San Suu Kyi, Nobel da Paz em 1991, perante esta crise, começando a ser acusada de ignorar os direitos humanos.

ZAP // Lusa

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