A ordem de Putin é para avançar de acordo com os planos. Ucrânia com “linha da frente” mais fácil de defender

Alexei Danichev / Kremlin / EPA

Após a conquista de Luhansk, a ofensiva militar russa seguirá “os planos previamente aprovados” pelo Presidente Vladimir Putin, avançando para Donetsk, a outra região que compõe o Donbass, no leste da Ucrânia.

Segundo o Público, que cita a BBC, depois de os soldados ucranianos terem retirado de Lisichansk, Putin ordenou ao ministro da Defesa para prosseguir a ofensiva militar, pedindo a quem esteve na frente de campanha para “descansar e aumentar as suas capacidades de combate”.

Entretanto, o governador de Luhansk, Serhiy Haidal, disse à agência Reuters que o mais provável é que as forças russas se concentrem agora no bombardeamento das cidades de Sloviansk e Bakhmut, como já na segunda-feira foi avançado.

Ao Washington Post, Haidai referiu que os combates continuaram em Bilohorivka durante a noite. “Enquanto os pudermos aguentar e não os deixar passar, mesmo aqui na região de Luhansk, é positivo para a nossa tropa”, afirmou.

Já no Telegram, o responsável partilhou uma publicação em que chama a atenção para as “calúnias” relativas ao esforço de colaboradores pró-russia em restaurar a estabilidade nas áreas ucranianas recentemente ocupadas.

“Nos territórios recentemente ocupados, os russos estabelecem as suas próprias regras, dizem disparates sobre a abertura das escolas a partir de 01 de setembro, a rápida restauração das comunicações. Tudo isso é mentira, aconteceu a mesma coisa em Mariupol. A única coisa de que os Rashists [termo utilizado para designer fascistas russos] são capazes é de aterrorizar a população local”, referiu.

No domingo, o presidente da câmara de Sloviansk avançou que a cidade estava a ser atingida pelo “maior bombardeamento” das últimas semanas.

Com os avanços russos, começou também a circular a “informação” em vários canais do Telegram de que as autoridades ucranianas estariam a pensar em obrigar as mulheres a alistar-se, algo prontamente desmentido por Kiev. Os homens ucranianos dos 18 aos 60 anos estão impedidos de deixar o país.

Esta terça-feira, aliados da Ucrânia, instituições internacionais e setor privado concluem uma reunião de dois dias na Suíça para lançar um “Plano Marshall” para a reconstrução do país, esperando-se que seja assinada uma declaração comum que estabeleça as “prioridades, método e princípios” do projeto de recuperação.

Ucrânia com “linha da frente” mais fácil de defender

Depois de a Rússia ter conquistado Luhansk, as forças ucranianas podem agora voltar a ter uma linha de frente mais facilmente “defensável”, conclui o Ministério da Defesa do Reino Unido.

https://twitter.com/DefenceHQ/status/1544192250720227331?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1544192250720227331%7Ctwgr%5E%7Ctwcon%5Es1_&ref_url=https%3A%2F%2Fobservador.pt%2Fliveblogs%2Fdepois-de-captura-de-lysychansk-ucrania-volta-a-ter-linha-da-frente-mais-facil-de-defender%2F

O último relatório da inteligência britânica, divulgado esta terça-feira, confirma que a “captura relativamente rápida” de Lysychansk por parte das forças russas permitiu que o seu domínio se estendesse por quase todo o território de Luhansk, impedindo os progressos ucranianos para “libertar” a região de Donbas.

Governador de Odesa apela a tropas russas

“Os ucranianos estão prontos para defender as suas casas e entes queridos até o fim. Pensem nas vossas famílias também. Os vossos entes queridos precisam de pais, maridos e filhos saudáveis, eles precisam deles em casa”, escreveu no Telegram o governador da região de Odesa, Maksym Marchenko, citado pelo Guardian.

“A vida não vos é dada para cumprirem as ordens criminosas do regime de Putin. Salvem a vossa vida e o vosso futuro – recusem-se a participar na guerra sangrenta de Putin”, reforçou, apelando aos militares russos para baixarem “as armas”.

E lembrou: “os defensores internacionais dos direitos humanos e a proteção das Nações Unidas serão fornecidos aos que temem a perseguição pelas autoridades russas”, sublinhando que não se trata de “rendição”.

“Esta é uma demonstração da vossa recusa em participar de um crime contra a humanidade”, apontou, frisando: “tendo feito isso, não vão estar a trair o povo russo ou a vossa pátria. Pelo contrário, darão à Rússia a oportunidade de preservar a sua dignidade e dar esperança para o futuro”.

Protocolos da Finlândia e Suécia

Os embaixadores junto da NATO dos 30 países que atualmente integram a Aliança vão assinar esta terça-feira os protocolos de adesão da Finlândia e da Suécia, cujas negociações foram concluídas na segunda-feira, após a Turquia ter levantado o veto à entrada de Helsínquia e de Estocolmo na Aliança.

As negociações com ambos os países “confirmaram formalmente a sua vontade e capacidade de cumprir as obrigações e compromissos políticos, legais e militares da adesão à NATO”, referiu a Aliança, citada pela agência Lusa.

A Finlândia e a Suécia não devem assinar esses protocolos de adesão, mas os seus chefes de diplomacia estarão presentes esta terça-feira na sede da organização e darão uma conferência de imprensa conjunta com o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg.

Após a assinatura dos protocolos de adesão, estes deverão ser ratificados a nível nacional nos atuais países membros da organização transatlântica.

O princípio da defesa coletiva da NATO, segundo o qual um ataque contra um aliado equivale a um ataque contra todos, só se aplicará à Finlândia e à Suécia quando estes se tornarem membros de pleno direito, uma vez todo o processo de adesão tenha sido concluído.

  Taísa Pagno , ZAP //

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