ONU alerta para “atrocidades” contra civis na ofensiva final em Aleppo

Zouhir Al Shimale / EPA

Bombardeamento em Aleppo, Síria

Bombardeamento em Aleppo, Síria

As forças sírias estão a preparar a ofensiva final contra os redutos rebeldes em Aleppo oriental, enquanto a comunidade internacional e as organizações de socorro clamam pelas vidas de milhares de civis que não têm por onde fugir.

Os apelos dramáticos surgem um dia depois de o exército sírio anunciar que controla agora 99% dos bairros de Aleppo antes dominados pelos rebeldes, antecipando o fim iminente do controlo rebelde sobre partes da cidade.

A reconquista de Aleppo, que desde 2012 está dividida entre zonas controladas pelo governo e outras por rebeldes, seria a maior vitória do presidente Bashar al-Assad desde que começou a guerra civil.

Aleppo é considerada o maior ponto de passagem entre a Síria e a Turquia, mas uma vitória do governo não significa o fim do conflito, já que partes significativas da Síria estão ainda fora do controlo governamental e grandes partes do país estão devastadas pela guerra.

Num comunicado emitido segunda-feira, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, manifestou-se alarmado com os relatos de atrocidades cometidas contra numerosos civis, incluindo mulheres e crianças, em Aleppo nas últimas horas.

Ban afirmou que as Nações Unidas sublinham a obrigação, por parte de todos no terreno, de proteger os civis e cumprir a legislação humanitária internacional e os direitos humanos.

Forças pró-sírias executaram pelo menos 82 civis no leste de Aleppo

As forças que apoiam o regime sírio executaram pelo menos 82 civis, entre os quais mulheres e crianças, nos bairros de Aleppo que recuperaram aos rebeldes, anunciou esta terça-feira a ONU.

Numa conferência de imprensa em Genebra, o porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, Rupert Colville, indicou que aquelas vítimas, que incluem 11 mulheres e 13 crianças, foram mortos “provavelmente nas últimas 48 horas” em quatro bairros de Aleppo, a cidade mártir do norte da Síria.

“Fomos informados que forças pró-governamentais entraram em casas e mataram os civis que lá se encontravam, incluindo as mulheres e as crianças”, disse, falando de um total de “pelo menos 82 civis, incluindo 11 mulheres e 13 crianças, nos bairros de Bustane al-Qasr, Ferdus, Kallasé e Salhine”.

Colville indicou que, segundo informações de várias fontes, “dezenas de civis foram abatidos a tiro na praça al-Ahrar no bairro de Kallasé e também no bairro de Bustane al-Qasr, por forças governamentais e seus aliados, incluindo, aparentemente, o grupo armado iraquiano al-Nujabaa”.

O porta-voz indicou que alguns civis conseguiram fugir antes da chegada das forças pró-governamentais, mas outros terão sido detidos e mortos.

“Pensamos que, nos bairros que até recentemente eram controlados pela oposição, estão ainda milhares de civis, entre os quais ativistas e membros da defesa civil que se arriscam a serem detidos, torturados e mortos”, alertou.

Os rebeldes já só dominam uma pequena parte do leste de Aleppo, que podem perder a qualquer momento, o que constituirá uma importante vitória para o regime de Damasco.

Mais de 300.000 pessoas foram mortas e milhões obrigadas a fugir desde o início da guerra na Síria, há quase seis anos.

ZAP / Lusa

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