OMS quer mudar nomes das variantes para não estigmatizar países ou lugares

unisgeneva / Flickr

Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS)

A Organização Mundial de Saúde (OMS) está a trabalhar na alteração dos nomes das variantes do novo coronavírus, de forma a garantir que estes não estigmatizam os países ou lugares onde foram detetadas.

Na conferência de imprensa desta terça-feira, Maria Van Kerkhove, coordenadora da gestão da pandemia da OMS, adiantou que a organização está a trabalhar há dois meses para alterar os nomes das variantes do novo coronavírus.

De uma forma geral, estas variantes estão a ser apelidadas de acordo com o local onde foram detetadas pela primeira vez: variante britânica (B.1.1.7), sul-africana (B.1.351) ou brasileira (P1).

“Há anos que temos dito que o local não deve ser o nome do agente patogénico”, começou por dizer Kerkhove, citada pelo semanário Expresso. No entanto, “continuamos a ver as pessoas chamarem às estirpes ‘variante do país X’ ou ‘variante do país Y’“, lamentou.

Desta forma, a OMS está a trabalhar para desenvolver uma nomenclatura para cada variante, de forma a garantir que estes países ou lugares, assim como as pessoas que aí vivem, não são “estigmatizadas”.

“Embora eu pensasse que ia ser fácil, estamos a trabalhar há dois meses para o conseguir. Esperamos anunciar os novos nomes muito em breve”, disse ainda.

Benefícios da AstraZeneca superam riscos

Esta terça-feira, na conferência de imprensa online, o diretor para os assuntos de regulação e pré-qualificação da OMS, Rogério Gaspar, disse que a informação atual não estabelece nenhum vínculo entre a vacina da AstraZeneca e certos tipos de trombose, mas acrescentou que há “dados a chegar todos os dias” e que a OMS está a analisá-los com a Agência Europeia do Medicamento (EMA).

Em causa estão as recentes declarações do responsável pela estratégia de vacinação da EMA, Marco Cavaleri, que confirmou a existência de uma relação entre a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford e o laboratório AstraZeneca e a ocorrência de coágulos de sangue raros em pessoas vacinadas.

Rogério Gaspar disse que a avaliação atual é a de que entre os riscos e os benefícios é positiva a utilização da vacina, referindo como “muito raros” os casos de trombose.

Afirmando que há uma redução da mortalidade por covid-19 nas pessoas que já receberam a vacina do laboratório anglo-sueco, o responsável da OMS disse que em breve deverá haver uma “avaliação mais conclusiva”.

Mariângela Simão, diretora-geral-assistente da OMS, afirmou também que as informações sobre essa possível relação proveem da Europa e disse que a organização está a recolher dados de todas a regiões, porque já foram administrados milhões de vacinas na América Latina, Ásia e África.

Entretanto, a EMA anunciou que vai pronunciar-se ainda esta quarta-feira sobre a possível relação entre a vacina da AstraZeneca e a formação de coágulos sanguíneos.

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A conferência de imprensa online está agendada para as 14h00 (15h00 em Lisboa) e terá como tema “a conclusão do exame ao alerta” lançado sobre esta vacina em relação aos “casos de trombose”, afirmou, em comunicado, o regulador europeu, citado pela agência France-Presse.

Vacinação já começou em 190 países

O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, anunciou também que a vacinação contra a covid-19 já começou em 190 países, mas avisou que é preciso mais produção e melhor distribuição de vacinas.

“No início do ano, fiz um apelo para que todos os países começassem a vacinar os trabalhadores da saúde e as pessoas mais idosas nos primeiros 100 dias de 2021. Esta semana marcará o centésimo dia e 190 países e economias iniciaram agora a vacinação”, disse.

Da OMS fazem parte 194 países, pelo que faltam apenas quatro países começarem a vacinação.

Ghebreyesus acrescentou que a COVAX (mecanismo que a OMS criou de distribuição mundial equitativa de vacinas contra a covid-19) já entregou 36 milhões de vacinas em 86 países.

“O aumento da produção e distribuição equitativa continua a ser a principal barreira para acabar com a fase aguda desta pandemia”, disse na conferência de imprensa, na qual alertou ainda para o aumento das desigualdades entre países e dentro dos próprios países.

O responsável máximo da OMS disse que o mundo precisa de fazer cinco mudanças vitais, uma delas a de investir na produção equitativa e no acesso a testes rápidos à covid-19, a oxigénio, a tratamentos e a vacinas.

Lamentando que em alguns países os profissionais de saúde e grupos de risco estejam por vacinar, apelando aos Governos para que continuem a partilhar vacinas e que contribuam para que a OMS possa fazer essa distribuição, Ghebreyesus defendeu um “investimento sério nos cuidados de saúde primários e na prestação de serviços de saúde a cada membro de cada comunidade”.

A pandemia, acrescentou, expôs as fragilidades dos sistemas de saúde, com metade da população mundial sem acesso aos serviços essenciais de saúde, pelo que os Governos não só não devem cortar na despesa publica em saúde como devem cumprir o objetivo recomendado pela OMS de gastar mais de 1% do PIB em cuidados de saúde primários.

“E devem reduzir o défice global de 18 milhões de profissionais de saúde necessários para alcançar a cobertura universal da saúde até 2030”, acrescentou.

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Os países devem dar prioridade à saúde e proteção social, construir bairros seguros, saudáveis e inclusivos, e melhorar os dados e informações sobre a saúde, disse.

Na conferência de imprensa o responsável pela área das emergências em saúde da OMS, Michael Ryan, considerou que a vacinação não deve ser uma exigência para viagens internacionais, quando questionado sobre a criação de um “passaporte de vacinação”, mas acrescentou que no dia 15 haverá uma reunião sobre a matéria e que OMS irá divulgar recomendações para os Estados.

  ZAP // Lusa

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