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Barack Obama: “Taxem os ricos, como eu,” para financiar proposta de Biden

Pete Souza / White House

O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama

Apelo está relacionado com a aprovação de um grande plano legislativo proposto por Joe Biden e que deverá ser negociado nas duas câmaras do Congresso norte-americano ao longo das próximas semanas.

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Numa semana decisiva da governação de Joe Biden, um dos seus antecessores — e patrão — no cargo, Barack Obama, veio apelar a uma medida controversa no panorama político e social norte-americano: a subida de impostos para as classes mais altas e para empresas com maiores rendimentos.

As declarações foram feitas numa entrevista que o 44.º presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama, concedeu a um dos mais famosos programas matinais do país, o Good Morning America, onde Obama partiu do próprio exemplo.

“Eu acho que eles [os mais ricos] conseguem aguentar [o aumento de impostos]. Nós conseguimos aguentar. Eu incluo-me nesta categoria atualmente“, afirmou.

Segundo o The Guardian, a fortuna de Obama está avaliada em 70 milhões de euros, já que, desde que abandonou a Casa Branca, assinou contratos milionários com uma editora para a publicação das suas memórias e com a Netflix, para a produção de uma série de conteúdos.

A medida seria um grande contributo para financiar o Build Back Better Act, uma proposta legislativa da Administração Biden destinada a recuperar as principais infraestruturas do país — com obras que, antecipam os analistas políticos, deveriam agradar aos vários quadrantes políticos.

No entanto, os republicanos e os principais grupos económicos opõem-se, de forma perentória, ao aumento de impostos — os quais também estão previstos na proposta e que seriam, simultaneamente, essenciais para a financiar.

“Estamos a falar de evoluir e gastar dinheiro para providenciar cuidados de saúde às crianças. Estamos a falar de reconstruir muitos edifícios, pontes, estradas e portos, de forma a torná-los mais resilientes contra as alterações climáticas. Também poderemos investir em formas de energia eficiente que serão precisas para mitigar essas mesmas alterações climáticas”, explicou o antigo presidente.

Contudo, o valor orçamentado do plano — 3.5 biliões de dólares — deverá constituir um entrave para que o pacote seja aprovado, com votos dos dois partidos, nas duas câmaras do Congresso norte-americano.

Nancy Pelosi, speaker da Câmara dos Representantes, já anunciou que o valor terá de descer para que seja possível passá-la e implementá-la. Uma votação maioritária seria a única forma que os democratas têm de garantir que o plano não ficaria preso nos meandros legislativos norte-americanos, nomeadamente no filibuster.

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Ciente de que entre os representantes democratas no Congresso existe também oposição ao plano, a entrevista de Obama — que continua uma figura extremamente popular e influente no cenário político norte-americano — está a ser como um apelo às próprias tropas que outrora liderou.

“Pedir aos americanos mais ricos, que têm sido incrivelmente beneficiados ao longo das últimas décadas — e que mesmo em contexto de pandemia viram a sua riqueza aumentar consideravelmente —, que paguem uma percentagem um pouco mais alta de impostos para garantirmos uma economia que funciona de forma justa para todos não me parece algo difícil“, esclareceu.

“Acho que qualquer pessoa que finja que é uma dificuldade para os bilionários pagar um pouco mais de impostos para que uma mãe solteira receba abonos ou para que possamos garantir que as nossas comunidades não são invadidas por incêndios ou cheias, fazendo realmente algo para mitigar as alterações climáticas para as próximas gerações — esse argumento é insustentável.”

Numa outra frente, os congressistas democratas também já endereçaram uma carta a Mitch McConnel, líder da minoria republicana no Senado, apelando a que “evite uma crise fabricada” na vida política dos Estados Unidos da América.

  ZAP //

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