Está em marcha um novo acordo mundial para reduzir o desperdício de plástico. EUA e Reino Unido não se comprometem

Sofia Teixeira Santos / ZAP

Mais de dois terços dos países-membros da ONU estão abertos a um novo acordo mundial para reduzir o desperdício de plástico. No entanto, os Estados Unidos e o Reino Unido – os dois maiores produtores de resíduos per capita – ainda não sinalizaram a sua participação.

A possibilidade foi levantada na passada semana, durante uma videoconferência do grupo de trabalho da ONU focado no lixo marítimo e nos microplásticos. Mais de dois terços dos países-membros – incluindo países africanos, bálticos, caribenhos, nórdicos, do Pacífico e da UE – mostraram-se favoráveis à assinatura de um novo tratado mundial para travar a onda crescente de resíduos de plástico que poluem os oceanos.

Há, contudo, a hipótese de que os EUA e o Reino Unido não se comprometam com este acordo, escreve o jornal britânico The Guardian. Os dois países são dois dos maiores produtores de resíduos de plástico, mas não declararam, até ao momento, interesse em rubricar um novo compromisso global.

O Reino Unido, que deixa a União Europeia no final do ano, está a considerar uma de duas opções: ceder aos pedidos crescentes para que um novo acordo seja assinado ou fortalecer o seu compromisso nos acordos já existentes para reduzir a poluição. Uma decisão que será tomada em breve por Zac Goldsmith, ministro do meio ambiente daquele país.

Os Estados Unidos, por outro lado, opuseram-se a um acordo internacional sobre resíduos de plástico durante toda a administração de Donald Trump e enfrentam, neste momento, a transição presidencial.

“O apoio a um tratado global para reduzir os resíduos de plásticos é uma ação crítica que o executivo de Joe Biden pode tomar para corrigir os erros da era Trump. Nos últimos quatro anos, temos encontrado oposição por parte da administração de Trump para abordar a redução dos resíduos de plástico, retardando o progresso e enfraquecendo os esforços internacionais”, disse Tim Gabriel, da Agência de Investigação Ambiental (EIA).

“Temos a esperança de que, com uma mudança na liderança no topo, os Estados Unidos se juntem aos seus aliados e apoiem um acordo internacional”, conclui.

A assembleia ambiental da ONU, que criou um grupo de trabalho sobre plásticos marítimos em 2017, concluiu que o quadro jurídico internacional que rege a poluição por plásticos, incluindo as convenções de Estocolmo e Basileia, é fragmentado e ineficaz.

Se nada for feito para mudar e as tendências atuais continuarem, o fluxo de plástico no oceano triplicará até 2040, tendo em conta que todos os anos são despejadas no mar 29 milhões de toneladas de resíduos plásticos – o equivalente a 50 kg por cada metro de linha costeira do mundo.

Além disso, todos os esforços feitos até agora para reduzir os resíduos de plástico devem diminuir apenas 7% desse volume, que se irá decompor em microplásticos e ser ingerido pela vida marinha.

Muitas organizações não governamentais acreditam que um acordo internacional é a única opção viável para lidar com o lixo de plástico e o modelo do novo acordo, elaborado pela EIA, envolve quatro pilares principais: controlar para examinar a extensão do problema, prevenir, coordenar e dar apoio técnico e financeiro (por exemplo, ajudar países em desenvolvimento).

Manter o status quo não é apenas insustentável, mas teria implicações catastróficas para o planeta Terra”, disse Christina Dixon, da EIA. “É, portanto, encorajador ver esta convergência crescente em torno de um acordo global e juridicamente vinculativo para combater a poluição causada pelo plástico“, concluiu.

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