Durante nove dias, Lauren denunciou assédio do ex-namorado à polícia. Dias depois, foi assassinada

(dr) Universidade do Utah

Lauren McCluskey, de 21 anos, era finalista na Universidade do Utah, nos EUA. Pediu repetidas vezes ajuda à polícia da universidade mas os seus alertas não foram levados a sério.

O homicídio ocorreu a 22 de outubro. Lauren tinha terminado a relação de cerca de um mês a 9 de outubro, após descobrir que Melvin Rowland lhe tinha ocultado o seu passado criminal e mentido sobre a idade.

A primeira queixa à polícia foi feita a 12 de outubro, informando que estava a receber mensagens estranhas, em que lhe era dito que o ex-namorado morrera, o que sabia ser falso pela atividade dele nas redes sociais. Lauren pensava que alguém a queria atrair a algum sítio. De acordo com a CNN, a jovem fez queixas repetidas mas nunca conseguiu ação das autoridades.

No dia 22, Lauren estava a falar por telemóvel com a mãe quando o assassino a encontrou e arrastou para o seu próprio carro, onde a atingiu com vários tiros. A mãe da jovem, Jill, que ouviu o que ocorrera, ligou logo de seguida para a polícia, que chegou ao local menos de 10 minutos depois, mas tarde de mais.

O homicida era Melvin, 37 anos, que estava em liberdade condicional e no registo nacional dos agressores sexuais. A polícia da Universidade do Utah, à qual Lauren tinha comunicado que ele estava a assediá-la, nunca comunicou o assédio à polícia estadual. Lauren foi morta no campus da universidade e o homicida suicidou-se pouco depois, quando a polícia o encurralou numa igreja.

As chamadas de Lauren para as autoridades foram divulgadas, ao mesmo tempo que foi conhecida uma revisão independente do caso que, apesar de certificar a incapacidade do departamento policial da universidade em verificar a história criminal do suspeito, conclui não ser possível dizer que a morte da jovem podia ter sido evitada com um melhor trabalho policial.

“Discordamos respeitosamente dessa conclusão”, reagiram os pais de Lauren, num comunicado. “A polícia teve numerosas oportunidades de intervir e de a proteger durante as quase duas semanas entre o momento em que a nossa filha começou a exprimir preocupação com a situação e aquele em que foi morta. De cada vez que Lauren ligou para a polícia, foi como se fosse a primeira vez”.

A 19 de outubro, Lauren ligou para a polícia de Salt Lake City, a capital do Utah, denunciando as tentativas de extorsão de que estava a ser vítima e reportando o facto de a polícia da universidade não estar a fazer nada em relação ao caso. Lauren admitiu ter transferido mil dólares (cerca de 880 euros) para uma conta em resposta à ameaça de que fotos íntimas fossem divulgadas.

Mas a polícia estadual remeteu-a para a da universidade. Lauren ainda comunicou com esta uma última vez, por e-mail, na manhã do dia em que foi morta, para dar conta de que recebera uma mensagem suspeita, em que o remetente se identificava como um detetive e lhe pedia para se se encontrar com ele na esquadra.

O agente com quem falou, apesar de lhe dizer que a mensagem era falsa e que não deveria responder-lhe, não comunicou o facto a ninguém.

As câmaras de vigilância da universidade detetaram Rowland no campus desde 19 até ao 22, dia do homicídio. Rowland foi acusado, em setembro de 2003, por assédio sexual online ao fazer propostas a um agente que se fazia passar por uma menina de 13 anos, e por agressão/coação sexual de uma jovem de 17 que conhecera online e que apresentou queixa depois de ele ser detido.

Cumpriu pena de 2004 a 2012, tendo voltado à prisão em 2013, por um ano, e de novo em 2016, por violação de liberdade condicional. Foi colocado de novo em liberdade em agosto de 2018. Na audiência em que lhe foi concedida a liberdade condicional, admitiu ter violado duas outras mulheres. Em setembro, conheceu Lauren num bar.

(dr) Departamento Correcional do Estado do Utah

Melvin Rowland

Os pais de Lauren dizem não perceber como é que, sabendo que se tratava de um condenado por um crime violento, os polícias não consideraram que a filha podia estar em perigo. Agora, a polícia da universidade já anunciou que as pesquisas sobre o passado criminal e o estatuto legal dos suspeitos são obrigatórias em todos os casos mais graves que “passar um sinal vermelho”.

O relatório independente sobre o caso encontrou problemas na própria base de dados: um dos agentes universitários quis averiguar do cadastro de Rowlands, usando para tal o número da sua carta de condução. Isso deveria ter chegado para descobrir que estava em liberdade condicional mas o sistema associava essa informação a um velho cartão de identidade, não à carta de condução, pelo que nada foi encontrado.

Porém, escreve o Diário de Notícias, a morada de Rowlands estava disponível no registo nacional de agressores sexuais – foi criado nos EUA após a violação e homicídio de Megan Kanka, de sete anos, por um abusador de crianças previamente condenado que vivia no mesmo bairro que a criança.

Apesar de admitir várias falhas e a necessidade de alterar procedimentos, a universidade, que publicou a cronologia dos acontecimentos que culminaram com a morte de Lauren, recusa a existência de responsabilidades individuais no caso.

ZAP //

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