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Neurocirurgia do Hospital de São João deixa os contentores ao fim de 12 anos

O novo serviço de neurocirurgia do Hospital de S. João, no Porto, está a funcionar desde este sábado.

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Ao fim de 12 anos, os serviços de neurocirurgia do Hospital de S. João, no Porto, deixaram de funcionar em contentores. As obras no oitavo piso da instituição de saúde, que tiveram como objetivo aumentar as condições de conforto, segurança e privacidade dos doentes, duraram 12 anos e tiveram um custo de 2,6 milhões de euros.

Ao longo de mais de uma década, o serviço funcionou em contentores. “A sensação é de missão cumprida”, disse Rui Vaz, diretor de Neurocirurgia do hospital, de acordo com a notícia avançada esta manhã pelo Jornal de Notícias. Isabel Dias, enfermeira-chefe da unidade, acrescentou que “os profissionais que trabalharam naquelas circunstâncias foram super-heróis”

Todos os anos são operadas cerca de 1.500 pessoas à coluna no Serviço de Neurocirurgia do Hospital de S. João, no Porto. A valência foi distinguida como Centro de Excelência na cirurgia da coluna pela EuroSpine – entidade europeia da especialidade. O serviço é agora um dos dez centros europeus com a distinção e o único em Portugal.

No hospital que está no epicentro de uma polémica devido às condições precárias da ala de pediatria, este era outro serviço no qual quem lá trabalhava classificava como “deploráveis as condições em que os doentes são tratados”, devido às infraestruturas.

Este é o cenário que Rui Vaz descreveu ao Público em abril do ano passado e que se andava a repetir há anos: a falta de segurança e de conforto, os riscos de infecção e a consequente desmotivação de uma equipa “altamente diferenciada”.

“As condições de assepsia estão muito longe do que deve ser. Tenho condições de conforto e de segurança que são completamente inaceitáveis. Com os doentes metidos numa ponta de uma enfermaria, se tiver uma emergência, não chego lá”, descreve o diretor de um serviço que tem 44 camas para internamento e no qual em são operadas 1400 pessoas por ano com tumores cerebrais, traumatismos cranioencefálicos, patologias de coluna, rutura de aneurisma ou outras patologias neurológicas, como a doença de Parkinson, por exemplo.

Os médicos não tinham “um espaço para comunicar uma má notícia, não têm onde falar com um familiar”. A falta de uma sala de pensos levava a que a enfermeira-chefe cedesse o seu gabinete para que se façam curativos.

Em 2017, segundo dados do Gabinete do Cidadão do hospital, foram registadas 93 reclamações e sugestões sobre infraestruturas e amenidades.

  ZAP //

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